segunda-feira, 24 de abril de 2017

Strange the Dreamer, Laini Taylor


Opinião: Arghhh eu aqui há tanto tempo à espera dum livro da Laini Taylor e ela faz-me isto! Sinto-me enganada! Indignada! Furiosa!

... ok, estou a ser dramática simplesmente pelo objectivo de o ser. Mas a verdade é que mal posso acreditar neste livro e na maneira como terminou. É a coisa mais insatisfatória e cliffhangeresca que já vi. (No bom sentido, claro.) Ai... há autoras que têm mesmo prazer em torturar-nos, diria eu. Ou como dizia em conversa há uns dias, essas autoras bebem lágrimas de leitores e alimentam-se das suas esperanças devastadas. (As trolls.)

O que posso eu dizer mais? É Laini Taylor. Quem não leu, devia ganhar juízo e ler. Quem leu e não gostou, não é agora que vai gostar, suponho. Quem leu gostou, está à espera do quê? Porque ela continua a fazer aquela coisa maravilhosa em que combina uma escrita fantasiosa e um storytelling encantador, numa combinação mágica digna de conto de fadas.

A diferença para os contos de fadas, que são primordiais e arquetípicos, é que a autora é uma brilhante observadora e descritora da natureza humana; entende perfeitamente aquilo que faz de nós o que somos, como portamos o bem e o mal em nós, e como as circunstâncias condicionam isso mesmo.

Isso relaciona-se com o conflito no centro da narrativa: a cidade mencionada na sinopse está no centro de um conflito entre, erm, tipos de pessoas, digamos assim. E é esse conflito que ditou os acontecimentos misteriosos aludidos na sinopse; como essas coisas se deram, no entanto... bem, a piada é ler e descobrir.

E pronto, a autora consegue facilmente envolver-nos na narrativa com a sua capacidade extraordinária em que usa uma linguagem onírica e mágica e extravagante, sem nunca ser exagerada ou melosa. Diria que ela é enganadoramente simples: se eu explicasse a alguém o enredo, pareceria óbvio... mas ao ler tem tantas facetas e pequenos detalhes fabulosos; quase que usa arquétipos e ideias-base, mas depois desconstrói-os e subverte-os, e assim consegue surpreender-nos.

O worldbuilding é fascinante: adoro o cuidado com que a biblioteca é descrita, o refúgio mágico que parece ser para o Lazlo; e depois adorei conhecer Weep, a cidade verdadeira, e Unseen City, a cidade dos sonhos. Existem duas versões de si, e cada uma merece ser conhecida. Além disso, está presente também no enredo algo sobre os sonhos e a sua textura, e essa exploração é outra coisa digna de nota.

Quanto a personagens: o par de protagonistas é adorável. O Lazlo é uma coisinha preciosa, sonhador, tímido, simples, talvez um pouco injustiçado. No entanto, um momento de coragem permite-lhe alcançar o seu sonho, e oh céus, que bela aventura o espera. A Sarai, bem, é melhor conhecê-la. Mas está circunscrita às expectativas e preconceitos dos outros, e isso é verdadeiramente trágico. A sua posição única tornou-a verdadeiramente empática, apesar de ter razões para o ódio.

Os dois juntos, bem... se fosse outra autora, eu teria arrancado os cabelos. A Laini safa-se. O que acontece encaixa bem com o tipo de história e escrita. Porque honestamente, estes dois tecnicamente ainda não se conheceram no mundo real e já estão todos lamechas um com o outro, e eu a revirar os olhinhos do alto da minha idade mais velha. É um pouco exasperante, mas amoroso, suponho. Como disse, encaixa com a Laini e o tipo de situação em que estão, que pressiona o decorrer dos acontecimentos. Além disso, eles são novos e inexperientes, o que leva a um imediatismo que acaba por ser cativante, apesar de tudo.

Outros personagens: gostei de conhecer as pessoas que rodeiam a Sarai. São miúdos bem queridos e gostava que tivessem tido outra vida. (A Minya não. Essa pode morrer. Ugh. Detesto personagens como a Minya. Fundamentalistas e imutáveis. Não são antagonistas interessantes. Até podem ser desafiantes para os protagonistas, mas não podem evoluir, e isso irrita-me. Mas adoro odiá-los.) Também gostei de conhecer a Calixte, miúda intrépida e desbocada, e os que rodeiam Eril-Fane, que são um símbolo do que a cidade conheceu por 200 anos. Conhecer a sua história trágica é de partir o coração.

A mensagem da história é curiosamente relevante nos dias que correm. Uma mensagem sobre opressão e desumanização do "inimigo", sobre os actos terríveis que se cometem depois de ultrapassado um certo ponto de pressão... sobre as diferenças que nos separam e aproximam, sobre preconceito aprendido e internalizado e como é difícil descartá-lo, e sobre como é fácil violência alimentar violência. Difícil é ultrapassar uma vida inteira a aprender a linguagem do ódio.

Há algumas pequenas reviravoltas na história... mas digamos que começo a conhecer como a autora "funciona". Ela faz um comentário de passagem à página 200 que fez clique para mim e adivinhei o que ela tinha preparado para nós umas 250 páginas depois. Não estragou o meu gosto pela leitura. Pelo contrário, diverti-me a ver como as coisas iam parar àquele ponto. Houve espaço para o inesperado, ainda assim.

O final... oh, o final. É de partir o coração. É torturoso, é quase incredível. Mal consigo imaginar como ela vai descalçar a bota. É frustrante. e enervante. Tudo isto no bom sentido, claro. Mas toda eu comicho só de pensar em esperar um ano ou mais para saber o que vai acontecer a seguir.

Páginas: 544

Editora: Little, Brown (Hachette)

domingo, 23 de abril de 2017

Curtas BD: No Coração das Trevas DC, volumes 4 a 6

Uma história que captou o meu interesse pela protagonista e pelo tom. Selina Kyle está morta para o mundo, mas um golpe que corre mal deixa-a desesperada e ambiciosa: o golpe que se propõe executar de seguida envolve roubar da máfia. Com um plano tão temerário, é provável que as coisas venham a correr mal...

Uma história que me cativou pelo tom noir, ao estilo daquelas narrativas de detectives de antigamente, com um golpe, uma femme fatale, violência estilizada a todos, um detective e montes de gente em sarilhos antes da história acabar... É um enredo clássico e rodado, mas é precisamente por isso que resulta.

A arte também me encheu o olho, o estilo é cartoonesco e simples, mas muito eficaz e cativante. Ajuda que as cores sejam de Matt Hollingsworth, creio que ele trabalhava em Hawkeye e o seu estilo adequa-se perfeitamente.

O volume contém ainda uma história curta com dois dos personagens da história principal, e um assalto que corre mal, colocando-os na mira do Batman, pois as suas acções ditam um momento muito familiar a Bruce Wayne. Uma coincidência interessante, e com economia de palavras é fácil perceber as acções dos envolvidos.

Esquadrão Suicida: Disciplina e Castigo, Ales Kot, Matt Kindt, Patrick Zircher
É um bocadinho óbvio que esta é uma história a meio do decorrer da revista que acompanha a equipa; ao que entendo houve uma mudança de escritor, e isto é um mini-reinício da narrativa, mas parecem ter acontecido coisas antes disto, e não sou fã da ideia de apanhar uma história a meio.

O enredo em si não é nada de especial, pelo menos não no que toca às missões: são genéricas, cheias de vilões genéricos, desconhecidos e com motivações desinteressantes, e por vezes são mesmo confusas. O interesse está na exploração dos personagens: a Harley Quinn é incrivelmente interessante, e morri ao descobrir que o querido irmãozinho psicopata da Barbara Gordon, a Batgirl, que apareceu nalguns dos volumes dela que li o ano passado, aparece aqui! A ideia de tê-lo como analista é fabulosa. (Bónus no volume: dois números sobre a origem da Harley e do Deadshot. Algumas ideias interessantes, mas não é a maior invenção desde a roda.)

Dentro dos vários artistas aqui presentes, acho que gostei mais do Patrick Zircher, responsável pelos três primeiros números. A arte é complexa e nada aborrecida e dinâmica - e bónus, não desenha a Harley como uma pin-up, coisa que estou rapidamente a aprender que é praticamente irresistível para todos os artistas que a desenham. A sério, é a ideia mais básica de sempre tendo em conta o uniforme dela. O artista da narrativa sobre ela também era minimamente interessante, num sentido mais cartoonesco.

Joker & Harley Quinn: Amor Louco, Paul Dini, Bruce Timm
Ok, acho que entendo porque é que a história titular foi tão popular na sua altura. Depois de um tom tão negro nos comics vindo dos anos 80, a série animada criada por estes dois artistas (e esta história) devem ter sido uma lufada de ar fresco. Contudo, sinto que se saísse nos dias de hoje, nunca teria a mesma relevância.

De qualquer modo, é uma história bem divertida. O humor é apalhaçado, exagerado, físico - adequado para dois vilões que se vestem como palhaços, curiosamente. Morri a rir com os comentários da Harley ("não queres acelerar na tua Harley?"), com os sonhos da Harley sobre a vida deles em conjunto, e com o Joker a imaginar os outros vilões a gozar com ele quando se soubesse que a Harley fez um melhor trabalho que ele a derrotar o Batman. (E gostei que ela o fizesse.)

No entanto, a luz a que mostra a relação deles, o tom divertido, só faz um melhor trabalho a destacar algo preocupante: o quão disfuncionais e errados eles são juntos. Em adição, a arte presta-se ao tipo de história, dinâmica, cartoonesca, fantasticamente colorida. Muito gira.

O volume contém também uma história pelos dois artistas principais, Demónios, que envolve Ra's Al-Ghul, e é gira, mas honestamente não é tão boa como Amor Louco. A terceira história no volume é uma com a Harley e a Poison Ivy, que raptam o Bruce Wayne para o usar como um cartão de crédito ambulante, e irem às compras de Natal para elas. Super-engraçado, especialmente pela frustração do Bruce em ter de fazer o que elas mandam.

sábado, 22 de abril de 2017

Hunted, Meagan Spooner


Opinião: Estou a chegar à conclusão que esta é uma opinião difícil de escrever. Mais uma. Tenho tido muita sorte, porque continuam a cair-me no colo bons livros, livros que se tornam favoritos. Sinto-me muito contente por isso. (E grata pela minha intuição ao escolhê-los.)

Ao meditar sobre esta leitura, dei por mim a pensar no Cruel Beauty. Uma amiga estava a lê-lo recentemente e sentiu-se acerca dele exactamente como eu na altura, e senti-me vindicada por não gostar dele ao contrário da opinião geral. E isto é relevante porquê? Porque Hunted é tudo o que eu esperava que Cruel Beauty fosse e acabou por não ser. Preencheu-me a alma de leitora, e abordou uma história querida duma forma nova e fascinante.

Hunted é um retelling de A Bela e o Monstro (e não só, contendo fragmentos de outros contos, incluindo um de origem eslávica que dita parte dos acontecimentos); e uma das suas melhores facetas é precisamente o tom e a linguagem, pois de algum modo Meagan Spooner consegue recapturar esta sensação de estarmos a ler um conto de fadas, com criaturas fantásticas, maldições mágicas e regras curiosas sobre como o mundo funciona.

A história começa duma forma que segue muitos dos recontares da lenda em foco: Yeva é a mais nova de três irmãs, e a família vive em sociedade (numa Rússia rural medievalista) até o pai tomar as decisões erradas nos negócios, precipitando uma queda de graça da família.

A diferença aqui prende-se com Yeva e a sua personalidade: ela até fica meio contente pela queda de graça. Eles têm de se mudar para uma antiga cabana de caça que o pai (ainda) possui. Sem paciência para o dia-a-dia em sociedade, Yeva prefere passar o dia na floresta, a caçar, habilidade que lhe foi ensinada pelo pai em pequena, e apenas abandonada por ter crescido e estar à beira de se tornar numa "senhorinha".

Há algo de fascinante na personalidade de Yeva, algo com o que podemos identificar: a sua insatisfação. Yeva não se quer contentar com a vida em sociedade, não se satisfaz com o que tem. Quer algo mais, ainda que não saiba exactamente o quê. Soa refrescante; ainda que o recontar da Disney já tivesse parte destes elementos, Hunted explora essa sensação de procurar algo mais de forma mais completa. (É um bom contraponto à mensagem original do conto, que poderá ter sido escrito para sugerir às donzelas para se satisfazerem com o marido que lhes calhasse na rifa, ainda que fosse um monstro - poderiam domá-lo e fazê-lo amá-las.)

Adorei ler sobre a relação familiar no centro da história: Yeva adora o pai e ama as irmãs. A relação fraternal é forte e amorosa e é também refrescante ler sobre isso. (Outras versões do conto não são tão caridosas para as irmãs da Beauty.) Até adorei ler sobre o Albe, que é uma espécie de irmão adoptado da família; mesmo na queda de graça, não os abandona. Foi bonito ler sobre a dedicação de Yeva à sua família, ao mesmo tempo que ama a floresta e a caçada; é provavelmente a razão pela qual ela não procurou confrontar a sua insatisfação mais cedo.

Ainda tenho de falar do Solmir. É uma figura Gaston-like, no sentido em que procura a mão da nossa Beauty; a diferença é que o Solmir é inteiramente uma boa pessoa. A posição dele na história é curiosa: a Yeva sente uma pressão societal para o aceitar - a família está a passar um mau bocado e ele podia ajudar com isso. Além disso, se espera manter um pé na sociedade ele é o mais próximo de liberdade que podia ter - compreende em parte o amor dela pela caça e seria um marido que não se oporia a que ela mantivesse esse interesse.

Mas "perfeito no papel" e "o melhor que se pode arranjar" não são propriamente recomendações brilhantes, e Yeva sabe desde o início o quão errado ele é para ela. Atrevo-me a dizer que o rapaz esteve sempre firmemente na friendzone; no início do livro quando lhe falam dele e do suposto interesse dele por ela a Yeva fica com uma atitude do género "porque é que me estão a falar deste tipo, só quero é ir para casa e meter-me na floresta".

E isto é só o início. Ainda não falei da parte principal da história, mas esta sabe melhor sendo descoberta. O que é preciso saber é que o pai da Yeva desaparece na floresta, e sem saber o que aconteceu, Yeva parte à aventura para encontrá-lo. Descobre uma besta na floresta, uma que a captura e a leva para o castelo.

O que acontece a partir daí é semelhante e ao mesmo tempo bastante diferente do que conhecemos. Digamos que a história lida bem com os temas do conto original que mencionei ali em cima. Aborda-os, e dá-lhes a volta; e desenvolve a relação da Bela e o Monstro duma forma bastante satisfatória evitando os seus aspectos problemáticos - ou melhor entendendo-os, e escrevendo duma forma em que podemos apoiar os personagens juntos sem duvidar do porquê de estarem juntos.

A história em si é pouco romântica, no sentido em que não temos muitos momentos para suspirar de quão amorosos são os intervenientes do par protagonista. Mas isso não quer dizer que a sua relação não é desenvolvida; pelo contrário. As partes da história no castelo são calmas e sossegadas por isso mesmo. Estas duas, erm, pessoas têm objectivos que chocam um com o outro, mas desenvolvem umas tréguas ao encontrarem um objectivo mais ou menos partilhado.

Acho que a melhor parte de os ver juntos é que a sua história começa opondo-os como inimigos, e a aproximação é tão gradual que é fácil de nos passar despercebida até estar mesmo à frente do nariz. E mesmo quando é óbvio, isso não resolve os problemas de ninguém. Gosto que seja um reconhecimento da vida real: nada é simples, as coisas vão continuar a vir e tentar destruir-nos. A nossa atitude é que faz a diferença.

Gosto que os dois juntos se tornem um encontro de iguais: pessoas com os mesmos anseios e desejos que reconhecem no outro uma visão semelhante da vida. Disse que a história era pouco romântica? Perdão, isto parece-me romântico o suficiente.

Um recontar de A Bela e o Monstro nada era sem uma maldição, certo? Aqui o objectivo da mesma não é bem aquele que conhecemos; tem a ver com o recontar duma lenda eslávica relacionada com o Firebird. O melhor mesmo é vê-la desenrolar-se aos nossos olhos. Aprecio a mensagem: não há algo que resolva tudo e nos traga felicidade eterna. Nada nos completará magicamente. Lutamos por cada pedaço de felicidade e por aquilo que queremos, e só podemos esperar nunca nos perdermos no caminho.

O fim é fofinho, adorável, suponho, mas deixou-me com o raio duma insatisfação. Queria mais. Vá lá, sabemos que estes dois vão ter mais aventuras. Bem podemos ficar a sonhar com elas.

Páginas: 384

Editora: HarperTeen (HarperCollins)

segunda-feira, 17 de abril de 2017

100 Hours, Rachel Vincent


Opinião: Esta é uma pequena mudança de género e de tom para a autora; nunca lhe vi um livro tão claramente a pender para o thriller. E que bem que me soube: devorei-o num instante a passei uns bons bocados com ele.

100 Hours conta com essa premissa mesmo, decorre em 100 horas, e descobrimos o que decorre nelas com duas primas e o seu grupo de amigos. Maddie é a "boazinha", e desaprova o comportamento VIP da prima. Genesis é a herdeira de um império de transportes, e age como se toda a gente estivesse à sua disposição.

No caso, é bem verdade. O que eram para ser umas férias nas Baamas para o grupo de amigos, acaba por ser uma escapadela à Colômbia, a reboque da Genesis, que quer ver o país de origem da sua família. A visita das praias mais recônditas expande-se para uma expedição no meio da selva - onde os jovens são interceptados e raptados por um grupo cujos motivos não são os mais óbvios...

Diverti-me bastante com a parte inicial, a descrição de um grupo de jovens maioritariamente rico, habituado a fazer o que quer. Pode ser um pouco exagerado; mas por outro lado, acho esta parte algo credível. Acredito que com dinheiro e liberdade, qualquer um podia portar-se de forma mais excêntrica.

Além disso, diverti-me a ler sobre gente não "boazinha": miúdos que se embebedam, fazem a festa, traem o namorado, dizem coisas ridículas sobre as amigas. De certo modo é realista também, na forma como adolescentes adoptam comportamentos extremos. E achei refrescante o tipo de comportamento deles.

Gostei mesmo da Genesis. Tem um feitio lixado, é cheia de si, tem a mania que sabe tudo e guia os amigos como se fosse dona da vida deles, age como uma herdeira mimada, comete pecados difíceis de aceitar. Gosto que seja difícil de gostar, alguém tão obviamente não-"boazinha". Gosto do outro lado que ela revela, a adolescente treinada pelo pai para todo o tipo de situações perigosas, a pessoa analítica e inteligente, lutadora com experiência e dotada de um tipo de lealdade que a impede de deixar quem quer que seja para trás.

A Maddie também tem o seu quê de interessante. Cedo na história atravessa-se-lhe um momento complicado, algo que eu achava que a autora não ia ter coragem de fazer... pontos bónus por tê-lo feito. Tem um desafio suplementar - é diabética e a bomba de insulina portátil precisa ainda assim de ser reposta. Sem grandes capacidades, vai longe e dá o seu contributo para avançar a narrativa e ajudar os seus. (E o Luke é amoroso, especialmente na sua dedicação canina e determinada.)

A meio da narrativa a acção começa a sério, e os motivos dos raptores são bem diferentes do óbvio, e é fascinante ver essas revelações mostrarem-se... nem sequer tem exactamente a ver com as nossas protagonistas, mas mais com os, digamos, pecados dos seus respectivos pais. Aquilo que descobrios é altamente sugestivo e intrigante.

A parte final, então, é de roer unhas. A reviravolta é muito boa, e fascina-me pensar nas suas implicações; além disso, as acções involuntárias da Genesis provocam uma tragédia muito maior do que ela esperava, e estou curiosa em ver como isso a afecta no segundo livro. Por fim, temos um cliffhanger do mal, o estado de toda a gente fica em suspenso, e lá volto eu a roer as unhas.

Dois destaques ainda: a maneira como a situação actual na Colômbia é apresentada. A autora tenta desmistifcar algumas das ideias preconcebidas sobre o país, creio eu. E como a narrativa mostra um grupo de emigrantes a ser bem sucedido nos EUA. Isso é muito interessante.

Por fim, tenho a dizer que não sendo particularmente extraordinária, esta é uma boa história, que me deu gozo acompanhar, com um tom que me agradou e um conjunto de personagens cativante de acompanhar, e cujo resultado espero com curiosidade no próximo ano.

Páginas: 368

Editora: Katherine Tegen Books (HarperCollins)

domingo, 16 de abril de 2017

The Struggle, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Eh, este soou exactamente a um livro do meio duma série, e não é propriamente no bom sentido que o digo. Está demasiado focado em preparar os acontecimentos do próximo livro, e por isso parece que nada acontece neste, o ritmo do enredo é algo... aborrecido.

A piada da coisa é que, em teoria, montes de coisas interessantes e importantes acontecem. Mas a maneira como são expostas não é a minha favorita; e além disso, são afogadas pela forte presença do elemento romântico.

E falando no mesmo, pode-se dizer que me tornei fã do casal principal. A Josie e o Seth funcionam bem juntos, gostam mesmo um do outro, defendem-se e lutam um pelo outro. No entanto, sinto que a sua relação e respectiva evolução ocupou demasiado espaço de antena no livro, não dando espaço a que o enredo evolua.

Além disso, a Jennifer faz com eles uma coisa que me fez revirar os olhos. É o cliché dos clichés, e tenho receio de ver como isso vai condicionar a narrativa daqui para a frente. Achei as reacções dos dois a isso realistas, e por isso tenho esperança que corra tudo bem, mas veremos.

Fora isso, tenho gostado do que esta série vai revelando sobre a mitologia deste mundo, e este volume não é excepção. Há algumas coisas com muito potencial aqui, e quero continuar a ver o que dali sai. Estou curiosa para ver o que andam os deuses a tramar, têm andado muito discretos, e isso nunca parece ser bom sinal.

Falando individualmente dos personagens, gosto bastante da Josie. Acho que ela tem ido evoluindo, mas gosto de como se mantém terra-a-terra, e como alguém recém-introduzida a este mundo, não perdendo o seu lado "humano" e mundano. (Acho muito credível a sua reacção à "notícia".) No entanto, ela passa por uma situação complicada, e acho que a Jennifer não aproveitou o potencial da situação para explorar as reacções da Josie a esse momento. E teria sido mais realista vê-la com sequelas do mesmo.

O Seth continua aquele tipinho irritante, mas também tem tido uma evolução interessante ao longo dos livros, e gosto do que tenho visto dele. Os novos factos acerca dele são fascinantes, e mudam as coisas duma forma curiosa. Acho ainda engraçado que o Seth tem ido ganhando juízo, sem deixar de ser ele mesmo.

Foi bom rever outros personagens, como a Alex e o Aiden, que deixaram tantas saudades. São um casal adorável, muito forte e fantástico de acompanhar, ainda que já não sejam os protagonistas. E o Deacon e o Luke também são uma delícia de acompanhar. (Além disso, o Deacon é o grande responsável pelos momentos humorísticos do livro. Adoro o humor dele e do livro em si.)

E pronto, aqui estou eu, pronta para esperar mais um ano. Inicialmente isto era para ser uma trilogia, mas de momento estão planeados quatro livros, ao que sei. Apesar das falhas, tenho fé na autora e estou curiosa para ler como ela vai resolver certos problemas. Espero que o quarto livro seja mais animado e excitante, e que traga um bom fim para a história destes personagens.

Páginas: 368

Editora: Hodder & Stoughton (Hachette)