quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Este mês em leituras: Novembro 2016

Mal posso acreditar que estamos a menos de um mês do Natal! E que o ano está quase a acabar! Para onde é que 2016 foi? Bem, não é que lhe vá sentir a falta. Estou mais que preparada para 2017, e para pôr as mãos nos livros e filmes que este me reserva.

No que toca ao mês em si, estou bastante contente por ter escrito e postado mais, e ter-me posto mais actualizada no que toca a opiniões. Quando Outubro terminou, estava tragicamente atrasada nesse aspecto e com receio de me esquecer de tudo.  Fiz um esforço concertado; alguns dias, em vez de ler no caminho para o trabalho levei material de apontamentos e delineei as opiniões. Tinha-me andado a portar mal nesse aspecto, portanto a ver se Dezembro corre ainda melhor.

Livros lidos


Opiniões no blogue


Os livros que marcaram o mês

  • Gemina, Amie Kaufman, Jay Kristoff - ahhh foi tão bom continuar a ler neste mundo, estava tão animada e ao mesmo tempo cautelosa, e fico contente por ter sido, à semelhança do primeiro, uma coisa que me encheu completamente as medidas e fez uma série de coisas que gosto de ler;
  • Anexos, Por Um Fio, Rainbow Rowell - porque uma releitura da Rainbow leva sempre a que eu redescubra as suas histórias;
  • Every Move, Ellie Marney - é o livro final da trilogia, estou tão triste por ter de deixar os meus meninos, mas feliz por ter gostado da sua história final, e por tê-los acompanhado ao longo da trilogia... a Ellie Marney faz com os seus livros e as suas histórias uma série de coisas que adoro ler, e por isso vai ficar na lista de favoritos;
  • Tens Coragem?, Megan Abbott - esta é mais pela negativa; tinha tantas expectativas acerca da autora, e apesar de ela fazer uma coisas fixes, também faz algumas cenas de que não sou fã, e são daquelas que eu não suporto mesmo, portanto acabei a não gostar do livro tanto como queria.

Outras coisas no blogue

  • Nada? Não se pode ter tudo. Prefiro a maior produtividade deste mês.

Aquisições

Ora bem, temos os livros das colecções de BD que estou a fazer, a colecção Sandman e a Graphic Novels Marvel. Depois temos uma edição de Pride and Prejudice que tecnicamente é uma aquisição do fim do mês anterior, mas da qual me esqueci quando andei a tirar fotos; ficou-me uma pechincha, já que aproveitei numa altura em que a Fnac estava com 20% de desconto nos livros.

O conjunto dos dois livros da Rainbow Rowell mais o do Brandon Sanderson encomendei no site da Saída de Emergência; os primeiros dois para fazer uma releitura (e porque a Rainbow merece que eu tenha mais que uma edição dos livros dela), o do Sanderson para aproveitar que o autor ia estar cá e conseguir um autógrafo.

Comprei A Empregada com dinheiro em cartão Continente (e só não comprei mais porque o resto do dinheiro que tinha gastei, uma vez na vida, em outras coisas giras que não livros). E o Heartless e o Tales from the Shadowhunter Academy são os livros em inglês do mês, de autoras e séries que sigo.

A ler brevemente

Para já, só tenho planos fixos de ler o Heartless. A Marissa Meyer tem feito um tão bom trabalho com retellings que estou curiosa. Ainda não sei se vou ler mais alguma coisa do desafio Meg Cabot este ano - faltam-me poucos livros, mas aqueles que tencionava ler estão demasiado caros para o meu gosto (e para um paperback, que infelizmente é o único formato em que existem).

Fora isso, tenho algumas coisas que sobraram da pilha de desejos de meses anteriores a que ainda gostava de dar atenção este ano. Também gostava de ler o Mind Games, o segundo da Heather W. Petty, mas ainda não encomendei e de momento está excessivamente caro e esse facto está a dar-me muita comichão. Talvez quando encomendar as pre-orders de Janeiro, mais ou menos a meio de Dezembro...

terça-feira, 29 de novembro de 2016

A Empregada, Laura Amy Schlitz


Opinião: Não sei porquê, não esperava muito deste livro. Uma parvoíce, na verdade. Tem os seus altos e baixos, mas no todo é um conjunto muito agradável, e escrito duma forma inteligente e sensível.

Joan é uma jovem sonhadora e inocente que trabalha na quinta do pai, em nenhures (vamos chamar-lhe assim). Um homem rude, cruel e bruto, o pai não vê uso para a instrução, e por isso afasta a Joan da professora, das aulas, e por fim dos livros que adora. E por isso, pela destruição dos seus amados livros, Joan ganha coragem e põe-se na alheta, deixando a quinta e esperando encontrar um trabalho numa grande cidade como Baltimore.

Diria que este livro vive e respira apoiado na força da caracterização da protagonista, a Joan. Afinal, este é  diário dela que estamos a ler. E posso dizer que na maioria, gostei bastante da Joan e da sua caracterização. Ela é uma jovem com pouca instrução, mas esperta, e com um desejo ardente de saber mais, ler mais, conhecer mais. É ambiciosa nesse aspecto, e é óbvio que a quinta onde vive com o pai e os irmãos mais velhos é demasiado pequena para contê-la.

E então a Joan, mesmo sabendo pouco do mundo, arrisca-se e sai de casa, querendo encontrar um emprego como empregada doméstica numa casa da cidade, esperando que no futuro possa continuar a sua instrução e tornar-se professora. Do seu pensamento, em parte pela idade, em parte pelos seus desejos, longe estão ideias de casamento.

A chegada à cidade não é desprovida de peripécias, mas a Joan também tem sorte, e acaba empregada na casa duma família judia. E a partir daí vai crescer e conhecer uma nova realidade, muito diferente da sua; com avanços e recuos e boa vontade, a Joan vai-se esforçar para alcançar os seus sonhos.

Entre as melhores partes do livro está mesmo isso: a vivência da Joan entre uma família judia. A Joan é uma fervorosa católica, mas talvez por ter vivido tão isolada, ela não conheceu qualquer tipo de sentimento antisemita durante a sua vida. Ela nem sabe o que a palavra significa. E aí é que está o cerne da coisa, ela pode ser pouco educada, pode ser inocente, mas é essencialmente boa pessoa, tolerante, até feminista.

E portanto, numa época em que ainda haviam pogroms em partes do mundo, não a choca nada trabalhar para judeus. Aliás, choca-a é descobrir que ainda existem pogroms; a sua incredulidade quando lhe contam o quanto judeus ainda sofrem, muitas vezes às mãos de católicos e cristãos, é quase adorável. Ela foi educada pela mãe para o catolicismo, num misto de amor e fé e compaixão e contrição, e por isso não cabe na cabeça dela o mal que as pessoas fazem em nome da religião.

E lá está, à parte um par de situações, a Joan convive excelentemente com os costumes judeus, e interessa-se muito por eles e por exercer a sua função o melhor que pode de acordo com o que é preciso fazer. A sua lealdade aos Rosenbachs é inspiradora.

Outra parte excelente do livro é o pendor feminista. Em momento algum passa pela cabeça da Joan que não vai conseguir fazer o que quer da vida por ser mulher. Era só o que faltava. Para ela, uma mulher pode ser médica, ou até presidente. Ela ambiciona instrução, e muito mais do que uma vida caseira ou uma a trabalhar como empregada.

Mais partes boas: os personagens. Toda a gente é caracterizada com um cuidado fantástico. A Malka é deliciosa, os Rosenbachs têm todos a sua personalidade e uma relação diferente com a Joan, e é fantástico de as ver desenvolver...

A própria Joan é uma pequena caixinha de surpresas. É pouco instruída mas não é burra, é inocente mas não é parva. Tem momentos de grande sensibilidade e percepção (foi bem esgalhada, a coisa da visão da Mimi), e momentos de ingenuidade de bater com a cabeça nas paredes. (Afinal, ela só tem 14 anos. Em 1911. Tendo vivido toda a vida isoladamente.) É frívola, mas preocupa-se com uma série de assuntos importantes. É ela que leva a narrativa avante, e sem ela não seria a mesma coisa.

Se tivesse de destacar algo negativo, diria que seria mesmo a ingenuidade da Joan. Às vezes mete-a em buracos que dão um novo sentido à expressão "vergonha alheia". E na maior parte dos casos não me importei nada de acompanhar esses momentos, por mais tolinha que ela tenha sido... mas na recta final, custou-me particularmente fazê-lo.

A Joan estava avisada que certa pessoa era assim e assim, e mesmo assim caiu na ratoeira e deixa-se enredar. Bem sei que é o ano que é, ela é a pessoa que é. Mas soou-me ingenuidade a mais, e tanto burburinho por uma paixoneta imerecedora soou-me mal, e tenho pena que a história termine a seguir a essa situação. Preferia que acabasse com um momento mais alto para a Joan. Que até existe, porque damos um salto no tempo, mas sabe a pouco.

A outra coisa é que o livro não soa como se ela tivesse evoluído alguma coisa ao longo da narrativa. É claro que aprendeu algumas coisas, mas termina a história ainda muito juvenil, muito ingénua; quase parece a mesma Joan do início, pelo menos a escrever. Acho que a autora poderia ter sido um pouco mais óbvia na demonstração da sua evolução, denotando isso até na maneira como ela escreve o diário.

É que mesmo depois do salto temporal, ela ainda soa ao mesmo. E quando está a falar do quanto aprendeu e de quão mais crescida está, soa a falso. Porque ela está a dizer-nos, não a demonstrá-lo. Não me parece que a autora tenha feito um trabalho bom o suficiente na coisa do show, don't tell.

Enfim, de qualquer modo, são pequenas objecções, num livro que tanto tem de bom e de delicioso. Diria que lê-lo foi como se estivesse a ler um clássico, um Mulherzinhas ou assim, o que denota que a autora até sabe imergir-nos na época e retratá-la como se fosse a sua época. Só se nota que é contemporâneo pelo tratamento respeitoso dos Rosenbachs. Foi uma pequena grande (e boa) surpresa, diria eu, e bastante recomendada.

Título original: The Hired Girl (2015)

Páginas: 368

Editora: In Edições (Zero a Oito)

Tradução: Susana Serrão

domingo, 27 de novembro de 2016

O Último Adeus, Cynthia Hand


Opinião: Este é um livro simples, enganadoramente simples. Lex é a protagonista, e ela e os que a rodeiam estão a tentar lidar com o suicídio do seu irmão mais novo, algumas semanas antes. No entanto, é incrivelmente difícil explicar o modo brilhante como a Cynthia Hand desenvolve a narrativa e apresenta os personagens e os pequenos momentos que os moldam.

Como disse, a premissa do livro passa por explorar os estilhaços deixados pela morte de Tyler, o irmãozinho mais novo de Lex. Ela limita-se a avançar pelos dias, afasta-se dos amigos e do namorado. Pensa que começou a ver o fantasma do irmão. A mãe afundou no desespero e bebe em excesso ao fim do dia.

Um dia, o terapeuta da Lex desafia-a a escrever uma espécie de diário, já que outras abordagens não resultaram com ela. E é o decorrer do tempo, juntamente com a escrita do diário, que vão levar a Lex a trabalhar o luto, enfrentar os seus muito complicados sentimentos acerca do assunto, tingidos com uma massiva dose de culpa.

Porque é isso. Este livro não oferece todas as respostas. Não tem um fim que embrulha tudo muito bem feitinho e deixa toda a gente num caminho mais feliz. Apenas limita-se a mostrar como um acontecimento trágico deixa marcas em todos em redor, e como essas pessoas tentam lidar com a tragédia e com a rotina entorpecedora de ter de avançar no dia-a-dia.

Talvez seja porque a Cynthia escreve de um lugar de experiência própria (o seu próprio irmão suicidou-se quando eram jovens, apesar de este não ser um livro autobiográfico, nas palavras da autora), mas achei a história muito imersiva, realista, credível. Não vamos descobrir aqui o sentido da vida; é "só" uma história sobre uma rapariga (e aqueles que a rodeiam) a tentar fazer sentido de algo que é impossível explicar.

Adorei a Lex com o seu pensamento inteiramente analítico, que para ela também é uma desculpa para não ter de sentir. Gostei de ver como ela tenta fazer sentido das acções do Ty, tenta perceber, mas compreende que só para a pessoa que o faz, as suas razões farão sentido. Gosto de vê-la compreender que não há explicação para tudo, nem precisa de haver.

Achei interessante vê-la debater-se com a culpa que sente por não ter falado com o irmão quando ele a tentou contactar, pensado que era sua culpa por não o afastar do precipício. Apreciei vê-la debater-se com o conceito de um último adeus, de as últimas palavras que disse ao mano serem ou não carinhosas, porque para ela isso era importante. Gostei de a ver encontrar paz quanto a isso.

Gostei ainda do elenco de personagens secundários. Os amigos da Lex, a tentar confortá-la sem saber realmente o que é estar nessa situação. O (ex-)namorado, o Steven, completamente totó e adorável como a Lex, com quem ela termina no meio do luto, culpando-o e a si própria por coisas em que eles não tinham mão. A Sadie, uma amizade reencontrada e refeita devido a voltarem a ter coisas em comum. A mãe da Lex, perdida no desespero e tristeza, quase desleixando a filha que ainda tem. (Gostei de a ver fazer um esforço, depois da Lex lhe gritar sobre o seu comportamento.)

O pai, menos presente devido a um divórcio que ainda deixa a Lex enraivecida. Gostei de a ver trabalhar na relação com o pai depois disso, e depois do papel que ela lhe atribui na espiral descendente em que a família entrou. E de vislumbrar o luto do pai, ao qual ele também tem direito. O terapeuta da Lex, sempre a tentar puxar por ela sem ser excessivo. E ainda toda esta comunidade de pessoas que foi afectada por um acto tão trágico. Especialmente os jovens, especialmente os amigos do Ty. (Menção especial para o Damian, coisinha preciosa, tão discreto e cheio de vida.)

Este não é um livro extraordinário, que vá mudar o mundo ou inventar a toda. Mas é um livro especial por si mesmo, por recortar um bocadinho da realidade e imortalizá-la nas suas páginas. Há algo na escrita da Cynthia que é honesto e emocional, com um toque de familiaridade e boa disposição, que permite que esta não seja uma leitura pesada; mas ainda assim, emocional e que deixe uma marca. Estou contente por ter apostado nele.

P.S.: É definitivamente picuinhas entrar nisto depois dum livro assim, mas pronto... gostei da capa, na sua maioria. E do design. Honra a capa original e usa a ideia de escrita e de post-its. No entanto, não sou fã da maneira como o nome da autora está enquadrado. Parece tão... antiquado. Já não se faz assim em capas, e não é particularmente interessante como opção gráfica.

Título original: The Last Time We Say Goodbye (2015)

Páginas: 304

Editora: Topseller

Tradução: Cláudia Ramos

sábado, 26 de novembro de 2016

Gemina, Amie Kaufman, Jay Kristoff


Opinião: Ah, estava tão preocupada. Sem razão nenhuma, mas pronto. That's how I roll. Tinha uma secreta ou não tão secreta esperança que me divertisse tanto como com o primeiro livro, mas pronto, também estava nervosa acerca de a fórmula perder o seu encanto, ou de não gostar tanto de acompanhar personagens diferentes. Bah, que tonta, não é?

Neste segundo livro, os seus acontecimentos seguem mais ou menos a partir do fim do Illuminae, fazendo dele tanto uma sequela como um companion - este último é porque não segue os mesmo personagens ou até directamente o mesmo enredo, o primeiro porque continua um arco de história maior que acredito que vai seguir para o terceiro livro.

A acção decorre na estação espacial Heimdall, um local mencionado várias vezes no primeiro livro e que era visto como um potencial porto de abrigo. É que a Heimdall gere um wormhole, modo de viagem para naves chegarem rapidamente a outros pontos daquela zona do universo, ou até ao local central de administração da sociedade que vemos nos livros. E é por essas razões que a Heimdall se vê então envolvida na guerra intercorporações que ditou os acontecimentos do Illuminae.

No centro disto tudo estão dois jovens que residem na estação. A Hanna Donnelly, filha do comandante da estação, aparentemente mimada, rica e protegida. No entanto, a Hanna foi treinada por um pai militar. É excelente em autodefesa, e passavam os serões em jogos de estratégia. O melhor de tudo neste livro foi mesmo a Hanna. Uma caixinha de surpresas, uma miúda capaz de muito mais do que aparenta.

E adoro a sua apresentação no início: rapidamente afasta a potencial etiqueta de "certinha e menina do papá" - a Hanna está a tentar comprar uma substância alteradora de sobriedade. Uma droga, basicamente, com a diferença que esta não parece ter adição como desvantagem, e por isso também não terá estigma associado. E também acho bastante interessante a Hanna ter um namorado, e eles serem fofos juntos, mas não parecerem particularmente amorosos ou carinhosos juntos. Talvez seja porque rapidamente a acção principal entra em cena, mas achei a relação deles mais física que outra coisa. E bem, depois ela tem um fim bastante justificado, por isso eu tinha razão em não torcer por eles.

Já o Nik Malikov nem sequer é um residente registado da estação. Cresceu e faz parte da máfia - que não podemos dizer que é russa, porque neste mundo as nacionalidades já não são como as conhecemos, mas é uma evolução da mesma. Está na estação para ajudar o tio a conduzir negócios mais ou menos ilegais (e para fugir ao passado, mas isso é parte da história). O Nik conhece a Hanna porque é a pessoa que lhe vai vender a "substância" (eles flirtam um bocado, mas são apenas conhecidos), e é isso que os salva na parte inicial da acção. Além disso, gostei do Nik porque ele parece mais do que é. Quase que se vê que ele está a tentar demasiado ser o membro da máfia que é suposto ser, e gosto que também seja uma caixa de surpresas.

O acontecimento motor que garante que tudo vai mudar é a chegada de uma equipa de elite especializada em exterminação e recuperação e obtenção de... coisas. Foi enviada pela corporação que provocou os acontecimentos no Illuminae, para prevenir que os sobreviventes do primeiro livro consigam ajuda. E têm carta branca para destruir a Heimdall e todos nela para obter os seus objectivos. É claro que vai tudo para o inferno. E como a lei de Murphy é a lei de Murphy, tudo o que pode correr mal neste cenário, vai correr mal.

Diria que a evolução do enredo neste livro tem algumas semelhanças com o anterior, como se ambos tivessem um "esquema" geral: há um elemento antagonista principal e deliberado, e um antagonista secundário, que se manifesta duma maneira quase incontrolável e mais insidiosa que o principal. Além disso, os personagens têm de navegar uma série de "missões" ao longo da história (faz-me pensar num jogo de consola). Para além disso, diria que cada uma é a sua própria história, distinta e única à sua maneira.

Gosto das pequenas ligações que este livro tem com o Illuminae, como personagens relacionados presentes nos dois; e o facto de quem sobreviver ao primeiro livro, vai seguramente aparecer neste. Nem sequer é um spoiler; as coisas não seriam interessantes se as duas narrativas não se interceptassem, portanto é claro que ia acontecer.

Outras coisas de que gostei: personagens secundários como a Ella, uma miúda com uma deficiência física que é essencial na narrativa da Hanna e do Nik. A Ella é tão fofa e tão durona, uma verdadeira aranha a criar a sua teia para apanhar as moscas. Absolutamente odiei e adorei o antagonista secundário, porque me lembrou das aulas de Parasitologia, e tendo eu tirado um curso na área de saúde, é dessas que me lembro como arrepiantes, com a ideia de parasitas a inflitrar-se na nossa pele e bichos microscópicos mas com coisas que pareciam dentes feiosos. Ugh.

Gostei da parte final. Sabendo nós que um wormhole faz parte da equação é claro que se espera que os autores façam alguma coisa gira com ele. Aquilo que eles fizeram? Para já, foi surpreendente, mesmo estando eu à espera que acontecesse algo, não pensei que fosse isso. Depois, foi tão fixe, tão estranho mas bem esgalhado, toda a noção de coisas paralelas e como resolveu o final para os personagens. Muito bom.

E pronto, estou muito curiosa para o que vem a seguir. Cada livro é, na sua essência, sobre a força e engenho da humanidade, a sua vontade e capacidade de sobrevivência, mas a trilogia no seu todo é sobre vencer os maus, na forma de uma corporação intergalática que destruiu as vidas dos nossos protagonistas como as conheciam.

Quero muito ver como termina porque agora que já conheço o formato, quero ver a evolução natural dos primeiros dois livros para o terceiro. E quero ver o futuro, quero saber o que acontece no seguimento dos relatórios que vemos no início e fim deste livro. Estou tão curiosa que podia morrer de curiosidade.

Por fim, dois destaques: a maneira como os autores nos imergem na cultura vigente, apresentando coisas que nos são familiares e estranhas ao mesmo tempo. Como a subvocalização, que cria chats entre as pessoas na Heimdall, mas em que o emissor não tem de escrever. Ou a noção dum vírus que obriga a passar uma música dum certo artista sempre que a estação tem algo sonoro a passar. É claro que neste futuro as corporações musicais usam vírus para promover as suas músicas. É genial. (Além disso, a música em questão cria momentos hilariantes no livro.)

O segundo destaque é para o design do livro. Brilhante, fantástico, até me dá uma coisa só de contemplar o trabalho necessário para isto. Os chats, as pretensas entradas na Unipedia, as formas imaginativas usadas para descrever certos momentos na acção (os autores ainda se divertem com a coisa; em momentos em que morrem figurantes ficcionais, eles usam o nome de autores amigos no diagrama).

Adorei neste livro a lista de pessoas na equipa táctica que invade a Heimdall; deu uma cara às pessoas e deu mais impacto quando lhes vemos acontecer coisas. E adorei que quando alguns morressem, a lista aparecesse actualizada, com cruzes a riscá-los da equipa. Só me queixo de a lista não aparecer actualizada no fim, com os verdadeiros e pretensos sobreviventes. E por fim, diverti-me tanto com o diário da Hanna, que desenha para contar a sua vida, e tem observações fascinantes. E bónus, é desenhado pela Marie Lu, outra autora que aprecio. Uma bela e simpática surpresa.

Páginas: 672

Editora: Alfred A. Knopf Books (Penguin Random House)

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Curtas BD: Graphic Novels da Marvel, vols. 22 a 25

Mulher-Hulk: Solteira, Verde, Perigosa, Dan Slott, Juan Bobillo, Paul Pelletier
Há abordagens de autores sobre certos personagens que nos fazem ficar fãs dos personagens. A dupla Matt Fraction-David Aja é culpada pelo Hawkeye (e principalmente por eu adorar a Kate Bishop); já a série mais recente da Mulher-Hulk, de Charles Soule e Javier Pulido, é bastante fixe. Mas se tivesse de escolher entre essa e este livro, aquela com a qual fiz clique mais facilmente foi mesmo esta.

A premissa é brutal: a Jennifer vai trabalhar para uma firma de advocacia de sonho, para exercer advocacia... na área dos superseres e pessoas com capacidades extraordinárias. Pelo meio, ela parece estar demasiado dependente de ser a She-Hulk e dos benefícios que isso lhe traz, e mete-se num monte de sarilhos pelo meio.

Gosto do humor com que os sucessivos números da narrativa são escritos. Cada história tem uma série de sarilhos e coisas hilariantes a acontecerem, e foi muito divertido de acompanhar o livro. Como bónus, achei piada à arte, toda abonecada e arredondada, duma maneira gira.

O Espetacular Homem-Aranha: Nascimento do Venom, David Michelinie, Todd McFarlane
Ok, há coisas que se lêem só para ficar a par delas; lê-las na intrincada e complexa cronologia dos super-heróis é útil para compreender como afectam o que vem a seguir. Acho que este é um dos casos. Ler a história não me aqueceu nem arrefeceu, mas aprecio poder tê-la lido.

Suponho que teria mais um factor "uau" para mim, se já não tivesse visto o Venom depois disto, num milhar de maneiras diferentes. Ou se não tivesse visto a sua história de "origem" recriada nos filmes. De qualquer modo foi instrutivo, ver o Peter a lidar originalmente com os desafios do fato alienígena, e a compreender que aquilo não o estava a ajudar de maneira nenhuma. (Passava bem sem as histórias do Puma, que me pareceram mais para encher chouriços.)

Também foi giro ver como estava a vida pessoal do Peter neste ponto; primeiro separado da Mary Jane, depois a descobrir que ela já sabia do seu segredo; e por fim, casados. Gosto muito deles em modo casado. De todo o volume, a arte do Todd McFarlane é a mais distintiva, nem que seja porque faz sempre um cabelo doido na Mary Jane. A sério, aquilo parece uma florestra tropical. (Estou a brincar. Mais ou menos.) Por outro lado, põe o Aranha a fazer umas poses doidas. E o Eddie Brock pareceu-me tão estranho. Muito mais matulão que imaginava.

Quarteto Fantástico: Ação Decisiva, Mark Waid, Howard Porter, Mike Wieringo
Mais outro caso de criadores a fazerem-me preocupar com personagens a quem não ligava nenhuma antes. Nunca fui particularmente fã do Quarteto, mas lendo este conjunto de histórias por estes criadores, acho que não me importava de continuar a lê-los.

Que raios, esta história é tão, tão doida, no melhor dos sentidos. Depois de afastar o Dr. Destino, o Quarteto (principalmente o Reed) instala-se na Latvéria para "libertar" o país, protegê-los dos inevitáveis movimentos armados de jogadores interesseiros à escala global, e fazer o povo latveriano perceber que são livres, senhores do seu destino.

Começa como a melhor das ideias, mas descamba rapidamente, escalando e complicando-se, até ter consequências trágicas. O Reed tinha a melhor das intenções, mas a sério, não confiar nos que o rodeiam é uma péssima ideia. Enfim, pontos bónus porque a parte final tem uma reviravolta, vai a lugares inesperados, e ainda tem um momento metafísico deveras fascinante.

Nota: não há capa para este... porque não há capa em qualidade decente pela net fora, talvez por deficiente divulgação da editora. E porque não tenho disponibilidade e/ou vontade para me ir pôr a fazer uma digitalização do meu livro de propósito. Talvez mais tarde a acrescente.

O Incrível Hulk: Gritos Silenciosos, Peter David, Dale Keown
Pronto, já quanto ao Hulk, acho que não há ninguém que consiga mesmo cativar-me para o personagem inteiramente. Há sempre qualquer coisa que me impede de seguir o personagem com o mesmo gosto que outros.

Suponho que posso dizer no entanto que estes autores passam lá muito perto. Gosto bastante do conceito explorado neste volume, a presença dos vários Hulks e como eles se relacionam com a psique do Bruce Banner.

É bastante interessante ler sobre o Hulk Cinzento e ver uma nova faceta e personalidade que não a do Verde; e a história em si é bastante dinâmica, até, muito bem construída e cativante. Não me importaria nada de ler mais para trás e para a frente, para ver o que os autores têm reservado.