terça-feira, 31 de janeiro de 2012

To Sir Phillip, With Love, Julia Quinn


Opinião: Neste livro é a vez da Eloise conseguir o seu final feliz. Como calculei, o seu comportamento estranho na cena final do livro anterior devia-se a ela estar a preparar alguma, neste caso uma fuga. Pobre rapariga, acho que a Eloise via-se como uma pessoa muito decidida, que já tinha feito a sua escolha de ficar solteirona, e depois ver que afinal não gostava tanto dessa escolha.

Nesse aspecto, ela e o Phiilip são muito parecidos. Tanto como o outro são algo indecisos e mesmo avoiders, no sentido em que fogem de tomar decisões e fazer a coisa certa. Ele evita os filhos e ela foge de casa sem dizer nada a ninguém, e sem o avisar a ele que o vai visitar. Se isto não é o cúmulo do adiamento, não sei que seja. Ao mesmo tempo achei muito engraçado que em termos de falar (ou deitar cá para fora o que lhes vier à cabeça), ambos estão em lados opostos - ela fala, fala, fala (e não diz nada) e ele é tipo homem das cavernas e "deixem-me em paz no meu cantinho". Por outro lado, o facto de o Phillip ter filhos permite-lhes (mais à Eloise) crescer e assumir responsabilidades.

Algo que achei um pouco estranho no livro é o ritmo. Como a Eloise e o Phillip já se conhecem via cartas, a fórmula normal dos livros da Julia perde força e eu acabei o livro a sentir que faltava alguma coisa, sem saber bem o quê. Gostava que a Julia tivesse tido coragem para tornar este livro num romance epistolar, com as cartas trocadas entre a Eloise e o Phillip, e depois com o encontro entre eles. Acho que teria sido um livro muito interessante e permitiria vê-los aproximarem-se aos poucos.

Alguns pontos altos do livro giraram em torno dos dois pequenos benjamins do Phillip, a Amanda e o Oliver. Adorei estes miúdos, e as partidas que eles fizeram à Eloise e ela em troca foram bem giras, fez-me desejar que pudéssemos ver que tipo de partidas os Bridgertons faziam uns aos outros quando tinham a idade dos gémeos. Também gostei muito da intervenção do resto da família Bridgerton neste livro, só a ideia de ter os quatro irmãos rapazes da Eloise a entrar casa adentro do Phillip prontos a derrubar tudo é algo hilariante.

Parto para o próximo livro com algumas expectativas... pela sinopse parece-me o tipo de coisa que eu vou adorar.

Páginas: 384

Editora: Piatkus

domingo, 29 de janeiro de 2012

Uma imagem vale mil palavras: Sherlock Holmes - Jogo de Sombras

Já tinha tido oportunidade de ver este filme no início do mês, mas por uma razão insondável qualquer esqueci-me de comentar, e como fui ver outra vez com a minha mãe, aproveito agora para comentar o filme. Achei que valeu a pena revê-lo. O enredo dá muitas voltas e gostei de ver o filme sabendo o fim, porque me permitiu parar e apreciar certas coisas.

Aquilo que acho piada a esta adaptação é o facto de não ser necessariamente fiel ao material original, mas ao mesmo tempo, em espírito, há lá coisas que eu identifico com aquilo que conheço das histórias do Conan Doyle. O Sherlock de Robert Downey Jr. está distante do Sherlock que conhecemos, mas funciona. Morro a rir com as cenas dele com o Watson. ("Did you kill my wife? Did you just kill my new wife???" *Watson esgana o Holmes*).

Fiquei desapontada com o suposto destino da Irene Adler. Suspeito que é uma maneira de podem ou não recuperarem a personagem em futuros filmes. Mas "uma forma rápida de tuberculose"? Eu sei que os filmes incorporam alguns elementos de retrofuturismo/steampunk (que eu adoro já agora), mas esta coisa foi um pouco exagerada para a época. Nem hoje há coisas destas. Podiam ter dito que ela tinha tomado um químico qualquer de acção rápida que eu acreditava. (E assim também seria mais fácil de ela sobreviver se quisessem recuperar a personagem.)

O elenco de personagens secundários é bastante satisfatório. Gostei muito da Mary Watson. A Kelly Reilly imprime-lhe um certo grau de malícia e esperteza que lhe permite não ser a donzela em apuros num mundo de homens. Gosto da actriz, bem me pareceu que a conhecia depois de ver o filme pela primeira vez - fez de Caroline Bingley na adaptação de Orgulho e Preconceito de 2005.

O Stephen Fry como Mycroft também foi muito interessante, fica com algumas das cenas e tiradas do filme mais divertidas. O professor Moriarty deixou-me dividida na primeira visualização, entre aborrecido e psicopata subtil, mas da segunda vez inclinei-me mais para a segunda hipótese.

A banda sonora é demais. Há um pequeno trecho, que usaram durante os créditos iniciais e finais e noutros momentos cruciais do filme, que ainda agora me está enfiado na cabeça. Não dá para esquecer! Gostei muito daquelas cenas em slow-motion em que vemos o Sherlock a planear o que vai fazer numa luta. Para um pateta como eu em cenas de acção, é refrescante poder perceber o que as pessoas estão a fazer, já que geralmente está tudo rápido demais para eu perceber alguma coisa. (O que posso fazer? Tenho uns olhos preguiçosos.)

Por falar nessas cenas, a minha preferida é a cena final entre o Sherlock e o Moriarty. Entre a cena de slow-motion que eles protagonizam, mais a cena em que se intercala a acção em dois locais diferentes (o filme fá-lo mais vezes, mas o combinar do jogo de xadrez com o revelar do end-game funciona muito bem), gostei. Ah, e sou parcial à cena em que eles fogem da fábrica... mais uma vez em slow-motion.

O enredo, já mencionei, é algo enrolado, e obriga a seguir com atenção. Há algumas coisas que pressagiam coisas que vão acontecer mais tarde. O uso da tensão na Europa no fim do século XIX para adiantar a 1ª Guerra Mundial não é um enredo novo, mas encaixa bem no confronto Holmes-Moriarty. Acho engraçado que pareça sempre que o Holmes está um passo atrás do Moriarty, mas depois no fim apercebemo-nos que o Sherlock Holmes tinha previsto que muita coisa acontecesse daquela maneira para encaixar no seu plano.

Quanto ao fim... escusava que a piada da camuflagem tive sido utilizada de novo. Teria resultado melhor se não víssemos o Sherlock de todo. Um filme que não trata a audiência como burra durante a maior parte do tempo, mas depois no fim muda de ideias e abana-nos uma coisa óbvia à frente do nariz? Enfim... De resto valeu bem a pena o 1º bilhete e o 2º, por isso decidi ser benevolente e ignorar este faux-pas.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Bruxa de Elite, Kim Harrison


Opinião: Se o início da série me deixou com algumas dúvidas, posso dizer que, livro a livro, a Rachel Morgan me tem cativado cada vez mais com a sua capacidade de se meter em sarilhos a cada passo que dá. Neste volume, Rachel recebe a notícia de que Nick, o seu ex-namorado humano, se meteu em sarilhos por causa de um artefacto mágico. E, claro, tonta que a Rachel é, vai a correr ajudá-lo.

Ainda bem que finalmente a Rachel abre os olhos em relação ao Nick, o totozinho. Não gostei nada dele, se bem que neste livro dá origem a um enredo bem interessante. O salvamento de Nick rapidamente se torna numa daquelas missões de salvar o mundo como o conhecemos, e gostei muito de vislumbrar um certo artefacto e tentar perceber a sua importância.

Adorei ter o Jenks de volta (nunca mais!), e diverti-me imenso com o que lhe acontece neste livro. De algum modo foi mais fácil levá-lo a sério. Mas também fiquei triste com uma revelação sobre ele. Estou a gostar mais da Ivy, a cada livro se vai descortinando mais um bocadinho da sua complexa personalidade. Fiquei desapontada pela quase-ausência do Kisten (agora que estava a torcer por ele) e pela total ausência do Trent Kalamack (já estava a ficar habituada a tê-lo e à Rachel a lançar dardos um ao outro a certa altura do livro).

A história em si é bem cheia de acção, e um pouco mais coesa do que nalguns volumes. O enredo permite alguns momentos mais contemplativos para, de seguida, nos lançar numa cena completamente doida. Gostei de que a Rachel chegasse à conclusão de que gosta de se meter em sarilhos (até parece que não tínhamos reparado), e que ela e a Ivy chegassem a um novo ponto na sua amizade.

Enfim, esta está a tornar-se numa das minhas séries favoritas de fantasia urbana, é bem divertida, com montes de sarilhos sobrenaturais para a heroína, um mundo bem interessante e personagens secundários muito bons.

Título original: A Fistful of Charms (2006)

Páginas: 496

Editora: Saída de Emergência

Tradução: Rita Guerra

domingo, 22 de janeiro de 2012

My Soul to Lose, Rachel Vincent

This is a re-read for the Soul Screamers Reading Challenge, hosted by Fiktshun.


Thoughts on the re-read: Well, considering that I've read the first book in the series, I think this is a great way to introduce the series. Kaylee is a girl that has these strange panic attacks, when she sees shadows around someone that she just knows is going to die, and she feels the urge to scream. She has been able to avoid that until now.

Poor Kaylee. She doesn't know what is going on when she ends up on the psych ward over her latest "panic attack". I felt bad for her because her uncle and aunt know what is going on and she still ended up there. I guess they were scared with the way she reacted, but still, no one told her about what she could do, and her father didn't even came home to tell her.

I was intrigued with a few things that happened in the psych ward, specially with Lydia and that guy Tyler. (I wonder if we'll ever know more about them.) I was also sad for Kaylee, because of what took her to the psych ward in the first place. I'm excited to re-read My Soul to Take soon.

Pages: 70

Publisher: Harlequin Teen

sábado, 21 de janeiro de 2012

The Iron Daughter, Julie Kagawa


Opinião: Depois de salvar o seu irmãozinho, Meghan tem de cumprir a sua promessa ao príncipe Ash e acompanhá-lo à corte do Inverno. Prisioneira da rainha Mab, ignorada por Ash, Meghan está sozinha quando antigos inimigos regressam e provocam uma guerra entre as cortes... e é Meghan a única que pode pará-la.

Ao início foi difícil entrar no livro... o ritmo dos acontecimentos estava um pouco lento, sem haver um objectivo principal logo de início (como no outro livro, em que Meghan queria salvar o irmão), e a Meghan estava um bocado tolinha, sem perceber coisas que estavam mesmo à frente do nariz dela.

Aliás essa é a minha única queixa em relação ao livro, que a autora tenha tornado a sua heroína tão fraca sem razão. Primeiro a Meghan é incapaz de perceber porque o Ash está a ignorá-la (para protegê-la), depois os seus poderes féericos foram "bloqueados" (o que é estúpido, porque ela já não sabia usá-los muito bem para começar), depois parece que está sempre a precisar que alguém lute por ela, para além de estar sempre suspirar pelo Ash... grrrrr é bom que este comportamento patetinha não se repita no próximo livro. Ah, e a Julie Kagawa que se livre de enfiar outra cena como a do baile no próximo livro, que eu sou capaz de morrer de toda a cheesiness. (Além de que passei a cena toda a resmungar "WTF eles têm de salvar o mundo féerico e estão a perder tempo num baile?!")

Porque, de resto, aquilo que adorei no primeiro livro mantém-se neste (e muito bem). O worldbuilding e o mundo féerico fantástico. A intriga entre cortes e as guerrinhas em que se afundam. Os personagens espectaculares e divertidos. Adoro o Grimalkin, que é uma homenagem a todos os gatos. E divirto-me imenso com a rivalidade constante entre o Ash e o Puck. E, já agora, ambos têm vindo a revelar-se. Assim como o Ironhorse, inimigo tornado aliado neste livro.

Gosto muito das fadas do Ferro, as ideias por trás da sua concepção são bem fundamentadas, e como no último livro, também neste têm uma mãozinha no enredo. Dadas as revelações sobre elas e a Meghan neste livro, estou muito curiosa para ver onde as coisas vão parar. E quanto ao final, bem... awwwwww.

Páginas: 432

Editora: Mira Ink (Harlequin UK)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Passion, Lauren Kate


Opinião: Engraçado, está a tornar-se rotineiro ler os livros desta série em Janeiro. (Rotina que deve vir a ser quebrada com a saída dos 2 livros que faltam, o de contos e o Rapture...) Gostei muito mais de ler este livro que o anterior; aliás, este é o livro que o Torment devia ter sido, pois consegue responder a algumas questões principais da história enquanto deixa as coisas suficientemente em aberto para o livro final. Talvez o Torment não devesse ter sido escrito de todo, deixando as poucas revelações e acontecimentos significativos que continha ser incluídos no Fallen ou neste.

Neste livro, Luce viaja no tempo para conhecer as suas vidas passadas e descobrir o momento que conhece Daniel nas mesmas. Apercebe-se (finalmente) da importância da sua história com o Daniel e da extensão dos sacrifícios que ele faz. Só peca por ter levado tanto tempo a perceber.

Enfim, ler sobre as vidas passadas da Luce e sobre as épocas históricas em que ela viveu foi uma das minhas partes favoritas do livro. Acho que se vê que a Lauren Kate pesquisou bastante para criar as cenas nas várias épocas, escolhendo alturas interessantes da história mundial, sem escolher as localizações e os momentos mais óbvios das mesmas. E fez um bom trabalho ao adequá-los às cenas que precisava de criar para contar a história da Luce e do Daniel.

Também fez um bom trabalho a estabelecer e perpetuar a dúvida que me atormenta quando leio um livro ou vejo um filme/série que usa a premissa de voltar atrás no tempo - será que o personagem estava destinado a voltar atrás, e as mudanças que provoca não são significativas porque já estavam previstas no seu presente; ou será que volta atrás no tempo e provoca certas mudanças, que têm um impacto no seu presente e alteram subtilmente as memórias que o personagem tem? Há cenas que me fizeram inclinar para cada um dos lados.

Por outro lado, gostei bastante dos capítulos do Daniel. É refrescante poder ver as coisas da sua perspectiva, e no fim é o seu arco que acaba por avançar mais a história, já que é com ele que percebemos a origem da maldição que o atormenta e à Luce.

Fiquei um pouco frustrada por a autora não explicitar deliberadamente quem era a Luce na altura em que a maldição foi lançada, e por ela não ficar a saber da mesma, mas dada a maneira como deve ser quebrada, talvez seja melhor. Além disso, ela é que conhece o vilão e descobre o seu propósito, estabelecendo as bases para o último livro.

Gostei também de descobrir um pouco mais sobre os outros anjos e perceber o seu papel no drama Luce-Daniel que se desenrola vezes sem conta através dos tempos. E gostei de saber mais sobre a Queda e o que aconteceu nessa altura.

Quanto à capa, é a minha preterida da série. Conhecendo a imagem original, não gosto do castanho que é usado, faz um contraste estranho e desnecessário. A imagem original seguia muito melhor a linha gótica-melancólica que as capas da série têm tido.

Estou dividida entre expectante e receosa sobre o livro final... temo que possa vir a ser fantástico ou terrível.

Páginas: 432

Editora: Doubleday (Random House)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A Revolta, Suzanne Collins


Opinião: O título em português diz tudo. A antecipação criada nos livros anteriores previa uma rebelião em larga escala, mas nada me podia ter preparado para a extensão dos horrores da guerra e para a sucessão de acontecimentos trágicos que se seguiria. Louvo a Suzanne Collins por ter desenvolvido a história assim; gostei mais da mesma por isso. Senti-a mais real. Curiosamente, levei algum tempo a ganhar coragem para ler o Em Chamas e este pelo desapontamento que o livro final suscitou em muitos fãs.

Não sei se o que a maioria das pessoas esperava era uma Katniss lutadora e no centro dos acontecimentos, uma guerra justa e sem carnificina, e um final perfeito a acompanhar, mas percebo que nesse caso o livro tenha desapontado. Temos em vez disso uma heroína quebrada, uma guerra em que o pior da natureza humana vem ao de cima, e o fim... no fim temos aqueles que sobreviveram a tentar colar os cacos do vaso que quebrou em milhares de pedacinhos. A análise mais acertada das coisas é feita pelo Plutarch (a ironia!, pois de todos deve ser aquele com mais falta de tacto):

"Agora estamos naquele período harmonioso em que toda a gente concorda que os recentes horrores nunca poderão repetir-se. (...) Mas a memória colectiva costuma ser curta. Somos seres volúveis e estúpidos com memórias fracas e um grande dom para a autodestruição. Mas, quem sabe? Talvez seja agora, Katniss. (...) O momento em que aprendemos. Talvez estejamos a testemunhar a evolução da raça humana."

Fiquei chocada com a perversão das razões da guerra; como é que os rebeldes podem reclamar da justiça da sua causa quando começam a usar os métodos do inimigo, é uma coisa que me ultrapassa. Será que os fins justificam os meios? Não posso concordar, vendo o tipo de horrores que as pessoas são capazes de cometer em nome de uma causa.

A Katniss, coitada, dá dó - aquele espírito rebelde e determinado que ela tem está lá, mas ela passa o livro a ser levada de um lado para o outro para ser o mimo-gaio, o símbolo da revolução; a Katniss que conhecemos deixou-se enterrar por uma depressão, algumas tentativas de resistir à maré e manter-se íntegra, todas as manipulações envolvendo os rebeldes, e uma incapacidade de ver para além do próximo passo. A certa altura as coisas deixaram de estar sob o seu controlo, e não consigo ver o que ela poderia ter feito para o recuperar. Partiu-me o coração ver o estado em que a guerra a deixou no fim do livro. Assim como o destino de vários personagens, mas senti a guerra mais real por causa disso.

Quanto ao desenrolar do "triângulo amoroso"... eu sou a primeira a resmungar quando não gosto, mas neste caso fiquei... satisfeita com a resolução. Nunca tivemos grande oportunidade de conhecer o Gale nos livros anteriores, e neste livro, que ele finalmente tem algum tempo de antena, causa uma péssima impressão. Mais ou menos por volta da altura em que ele está a conceber as armadilhas letais, desisti dele.

Não é que a Katniss não tenha escolhido entre um dos dois rapazes (se é que isso importa), acho que escolheu, ainda que não propriamente de maneira consciente, aquele que lhe permitisse curar-se e recuperar e não aquele que aprofundasse a dor sempre que ela lhe pusesse os olhos em cima. Gostei do epílogo porque precisava de saber que eles iam ficar bem (o que é um conceito difícil de definir, neste caso) a bem da minha sanidade mental, depois de todas aquelas desgraças.

Fiquei fascinada com esta trilogia. Tem mais profundidade do que esperava e deu-me muito em que pensar. Sei que me vou lembrar destes livros por bastante tempo. Desaponta-me que sejam reduzidos à violência (e à premissa macabra) dos Jogos (ainda hoje li uma crítica que sugeria isso), mas enfim, pessoas diferentes retiram coisas diferentes dos livros, e é isso que adoro na literatura.

Uma última nota: por vezes dei por mim a desejar ter lido os livros em inglês. Não sei, há cenas em que eu leio uma palavra e penso... "oh, que palavra é que a autora usou em inglês?", porque sinto que a palavra em português não me está a transmitir bem a intenção original. É algo estranho quando a minha própria língua me falha.

Título original: Mockingjay (2010)

Páginas: 280

Editora: Presença

Tradução: Jaime Araújo

domingo, 15 de janeiro de 2012

Winter's Passage, Julie Kagawa


Opinião: Novela situada entre o primeiro (The Iron King) e o segundo (The Iron Daughter) livros da série Iron Fey, Winter's Passage esclarece alguns acontecimentos entre ambos os livros, seguindo Megan e Ash no seu percurso em direcção à corte do Inverno.

Gostei da história, serviu para me relembrar de alguns acontecimentos no fim do primeiro livro e para me preparar para o segundo. Calculo que não contribua para a história principal, mas foi bom revisitar os personagens e o mundo, se bem que o enredo em si seja um pouco insípido... mas o seu propósito foi cumprido, estou preparadíssima para o The Iron Daughter.

Páginas: 60
Editora: Harlequin Teen

sábado, 14 de janeiro de 2012

Desires of the Dead, Kimberly Derting


Opinião: Estou a gostar mesmo desta autora. Tem um dom para duas coisas: uma, criar, a meu ver, adolescentes credíveis, e duas, criar um certo suspense que me obriga a virar as páginas, mesmo que eu já desconfie de como é que as coisas vão acabar.

Chamaria a este volume da série um livro de transição. A Violet não tem propriamente que enfrentar um serial killer como no livro anterior, e a sua atenção está dividida por várias coisas na história. O mistério que existe não é muito difícil de desvendar, mas não não estava à espera que terminasse assim. Estava à espera que os personagens do Mike e da Megan permanecessem em Buckley, mas não parece que vá acontecer.

Quanto à Violet e ao Jay... oh, eu adoro-os, são um casal super fofo, mas que raios, zangarem-se por uma coisa daquelas!... Eu só tinha vontade de abanar a Violet e dizer-lhe "miúda, estás a ser tola", mas isso obviamente não é possível, por isso limitei-me a ficar exasperada. Preferia que a Violet aprendesse alguma coisa com isto, especialmente a importância de contar as coisas certas às pessoas certas na altura certa, mas ela é adolescente, por isso suspeito que ainda tenha espaço para fazer muitas asneiras.

Enfim, quando ela e o Jay estão juntos e em harmonia têm potencial para ser muito bons juntos, e tenho uma pancada por vir a vê-los a caçar serial killers juntos. Seria interessante, a Violet a correr para encontrar corpos e o Jay a correr atrás dela para tentar protegê-la. E já agora, dou pontos extra à autora por não ter fugido de um tema que muitos autores YA evitam - sim, falo de "adolescentes a terem sexo". Chocante, mas por vezes os americanos gostam de fingir que os adolescentes são seres asexuais.

Estou bastante curiosa para ler o próximo livro, The Last Echo. Sempre achei que esta série tinha o potencial para tomar uma via algo Criminal Minds e, com o aparecimento da Sara Priest, talvez o meu desejo venha a tomar forma. Fiquei intrigada com aquele armazém e com o que é que ela sabe de pessoas como a Violet. O Rafe tem algum potencial como personagem, mas a Kimberly estava a mantê-lo muito envolto em mistério neste livro, sabe-se lá o que é que lhe está reservado.

Páginas: 368

Editora: Headline

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Romancing Mr. Bridgerton, Julia Quinn


Opinião: Às vezes lemos um autor de um género bem estabelecido e esse mesmo autor redefine esse mesmo género, mudando-nos a visão que tínhamos dele. Pois bem, acho que a Julia Quinn deu cabo do romance histórico para mim. Suspeito que nunca mais vou conseguir ler um livro deste género sem deixar de avaliá-lo pela extensão da risota que o livro me arranca, ou pela quantidade e qualidade de momentos "awww" presentes.

É que nem sei explicar bem porque gostei deste livro. A Julia consegue juntar na mesma história uma lista enorme de coisas que me agradaram. Por exemplo, conseguiu dar o destaque suficiente aos outros Bridgertons, sem afastar o foco do casal principal, o Colin e a Penelope.

Conseguiu também juntar algumas cenas bastante divertidas - as trocas verbais entre a Eloise, a Hyacinth e o Colin, especialmente quando na presença da mãe, a Violet; ou a cena em que o Colin vai pedir a mão da Penelope em casamento à mãe dela, e a família dela é tão obtusa que passa o tempo a tentar com que ela saia da sala, porque pensam que a Felicity é a escolhida.

Talvez seja porque é fácil para uma pessoa identificar-se com os problemas que ambos os elementos do casal tiveram de enfrentar. Não desmerecendo traumas de infância e bastardia, a importância de fazer algo de que se gosta e ultrapassar a maneira como os outros nos vêem - são temas com os quais é mais fácil nos identificarmos.

Além disso, gosto mesmo do Colin e da Penelope como casal. Há qualquer coisa espectacular em ver um casal que não tem só química, mas tem gostos semelhantes e é compatível intelectualmente. Que o denominador comum seja a escrita é só um pormenor ainda mais giro.

Bem, para terminar, suspeito que o ano de 1824 seja um ano particularmente feliz para a Lady Violet Bridgerton, porque a crer no que cusquei dos próximos livros, vai conseguir casar 3 filhos no mesmo ano (o Colin, a Eloise e a Francesca, esta pela 2ª vez). Por falar na Eloise, imagino que na cena final ela estivesse a preparar o que quer que seja que vai fazer no próximo livro. Estou absolutamente curiosa.

Páginas: 384
Editora: Piatkus

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Book Bingo




Dei-me conta que já tinha adicionado este desafio à página dos desafios sem falar nele num post próprio, shame on me. Organizado pela WhiteLady3 do Este meu cantinho..., o objectivo é ler livros que correspondam às categorias do cartão, de modo a preencher uma linha horizontal, vertical ou diagonal de 5 livros (1 livro só pode corresponder a 1 categoria). Vou apontar as baterias para preencher todas as categorias.

Lista de categorias:
LIVRE – um qualquer livro à escolha
Adaptado ao cinema/TV – um livro cuja história tenha sido adaptada ao pequeno ou grande ecrã
Áudio-livro – um livro em formato áudio
Bestseller – livro que seja um sucesso de vendas (geralmente têm um autocolante ou uma frase a dizer que é um bestseller)
Biografia – livro de não ficção sobre a vida de alguém
Clássico – um livro considerado como um clássico da literatura mundial
Contos – pode ser infantil, antologia, um livro pequeno
Fantasia – um livro deste género, com elementos fantásticos ou sobrenaturais
Ficção Científica – um livro deste género, com elementos científicos
Ficção Histórica – um livro que retrate uma época história ou novelização da vida de uma personagem (os livros da Philippa Gregory são um exemplo)
Horror – um livro deste género, de arrepiar e com sangue a rodos
Infantil – um livro para crianças, pode ter desenhos (como os da Beatrix Potter por exemplo)
Livro com mais de 500 páginas – um daqueles livros que se assemelham a, ou têm o peso de, um tijolo
Livro emprestado – pode ser da biblioteca ou emprestado por alguém, desde que não seja vosso é à vontade
Livro noutra língua (nada de português) – em inglês, francês, até mirandês se o entenderem, basicamente é ler um livro na língua em que foi publicado originalmente
Mistério – um livro que gira à volta de um crime que tem de ser desvendado
Não Ficção – pode ser sobre qualquer tema, História, Arte, Ciências, livros técnicos…
Nome do autor começa por Vogal – tanto pode ser o nome ou apelido, por exemplo Jane Austen ou Alexandre Dumas
Novela gráfica – podem ser comics, mangas, distingue-se dos infantis com desenhos por se dirigirem a um público mais velho
Releitura – ler um livro que tenham lido no passado
Romance – um livro com romance pelo meio, pode ser chick lit, histórico, paranormal...
Sobre/Com Animais – pode ser sobre como tratar um animal de estimação ou sobre o animal de estimação, como o Marley por exemplo, ou até ter um cão a salvar o dia, se houver livros com a Lassie
Sugerido por alguém – um livro que tenha sido sugerido por um amigo, bibliotecário, professor, blogger...
Thriller – um livro cuja acção tenha suspense e se desenrole praticamente em contra-relógio (ou o mundo acaba e a Igreja continua a esconder que Maria Madalena ERA o Graal!)
Título contenha um Número – o livro deve conter no título numerais cardinais como A Volta ao Mundo em 80 Dias, ou ordinais tal como A Primeira a Morrer
Viagens – um livro que conte as viagens de alguém (Gonçalo Cadilhe, Ewan McGregor ou mesmo Gulliver)
Volume de uma série – não interessa se é o primeiro ou o último, se a história é sequencial ou os protagonistas de cada livro são os elementos de uma família
YA – um livro dirigido ao público jovem-adulto e tão na moda

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Uma imagem vale mil palavras: Aristocratas (1999)

Baseada numa biografia de Stella Tillyard, Aristocratas é uma mini-série produzida pela BBC que segue a história das irmãs Lennox desde a sua infância e juventude até à velhice e morte. Temos Caroline, culta e determinada, Emily, a narradora observadora e calculista, Louisa, doce e pacificadora e Sarah, esperta e estouvada.

A série segue esta família de aristocratas durante a segunda metade do século XVIII, mostrando as relações entre irmãs e o crescimento da família, enquanto em pano de fundo se vislumbram as convulsões sociais e a lenta queda de graça que a aristocracia viria a enfrentar.

A história tem um pouco de novela e drama, com muitos escândalos, casamentos, nascimentos e mortes à mistura numa larga família que se mantém mais ou menos unida ao longo da história. Bem cativante, dei por mim a voltar a esta série semana após semana.

A certo momento os personagens eram tantos que tive dificuldade em saber quem era quem. (Uma maior repetição dos nomes das pessoas teria ajudado. Uma árvore genealógica também.) Até que, finalmente, acerto com as irmãs e respectivos filhos e maridos e pumba! a história salta uns anos no tempo e mudam-me os actores para representar as mesmas personagens numa sua versão mais velha.

Os actores foram bem escolhidos, muitos eram bem parecidos com a sua versão mais nova, mas dificultaram-me o acompanhamento dos personagens. Por sua vez, os actores principais dão cartas na interpretação dos respectivos personagens, sendo que muitos podemos reconhecer de outras produções da BBC.

As pessoas responsáveis pelos cenários e guarda-roupa estão de parabéns. Salas magníficas, vestidos sumptuosos, e nota-se uma evolução na moda, tanto na roupa como no vestuário. (Ainda bem! Identifico-me mais com a moda Regência de influência francesa, que os personagens mais novos usam no fim da série, do que com as perucas e cabelos compridos nos homens e os vestidos em balão com os penteados exagerados das mulheres, ambos vistos profusamente na geração mais velha.)

Uma série interessante para quem é fã de produções de época, especialmente para quem não esteja muito familiarizado com esta época em particular (1740-1800, sensivelmente).

Leitores Beta

A Liliana Lavado é escritora nos tempos livres e tem um blogue dedicado à escrita. Neste momento procura leitores beta para as suas histórias. Se estiverem interessados em ajudar, dêem uma olhadela neste post e contactem-na através do e-mail lclavado.pt@gmail.com.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Wicked Lovely - Frágil Eternidade, Melissa Marr


Opinião: Seria de esperar que, depois de Beira ter sido derrotada e Aislinn assumir o trono da corte do Verão, o equilíbrio entre as cortes féericas fosse restaurado. No entanto, as rivalidades entre as cortes estão ao rubro; e Aislinn e Seth lutam para fazer sentido da sua relação, agora que ela tem a eternidade e ele... bem, ele é apenas um frágil mortal.

Neste terceiro livro da série, as fadas de Melissa Marr continuam tão tortuosas e manipuladoras como sempre, que é o que me agrada nestes livros. Toda a política entre as quatro cortes (Verão, Inverno, Trevas e Suprema) fascina-me, o modo como os monarcas de cada uma são calculistas e medem aquilo que vão fazer ou dizer, apesar das fadas não podem mentir.

Gostei de poder ver mais um pouco das cortes do Inverno, e especialmente das Trevas, pois o Niall é um dos meus personagens favoritos. Não gostei da corte do Verão, do modo como afinal têm uma rainha mas está tudo desequilibrado à mesma. (Talvez porque têm uma rainha? Não estou a desmerecer a existência de uma rainha, mas todas as outras cortes têm apenas um monarca e não vejo como ter o poder dividido por duas fadas vai ajudar as fadas do Verão.)

Gostei de conhecer a Corte Suprema, é a primeira vez que aparece e achei a Sorcha bastante interessante. Gostei da relação que cria com o Seth quando este a procura, não é a típica relação fada-mortal. Adorei o Seth neste livro, vê uma oportunidade para ter o que quer e agarra-a.

A Aislinn, por sua vez, estava a irritar-me um bocado, dividida entre o Seth e os deveres para com a corte, e a ficar tão abatida quando o Seth "desaparece". Esperava que ela ganhasse algum do desprendimento das fadas, e não que ficasse mais fraca de espírito. Acaba por estar demasiado cega às manipulações à sua volta e por se deixar meter, a tola, numa situação indesejável com o Keenan - que por sua vez também está a exagerar um bocado no papel de playboy instável. Com as coisas que ele arma não sei como é que a Aislinn ou a Donia o aturam.

Quanto ao fim... estava mesmo a ver que a Aislinn ia fazer asneira. Ao menos o Seth terá agora modo de provar o seu valor. O final fica meio em suspenso, e é uma tortura pensar que as coisas só vão mesmo acabar no quinto livro, mas também estou curiosa para ver em que personagens se foca o quarto.

Adicionado a esta edição está também um dos contos da autora, Parar o Tempo, o que é de louvar, porque é difícil aceder a contos publicados pelos autores fora do formato físico do livro. Gostei mais do conto, porque revisita personagens do Tatuagem, que foi até agora o livro que mais gostei. O triângulo Niall-Leslie-Irial é bastante complexo e um que gostava de resolver, mas não vejo maneira de tudo terminar satisfatoriamente para todos.

Título original: Fragile Eternity (2009)

Páginas: 336

Editora: Saída de Emergência
Tradução: Maria João Trindade

sábado, 7 de janeiro de 2012

Steampunk Reading Challenge 2012


For the record, this challenge is entirely jen7waters's fault. I was reading her blog last night, and she had this post about the challenges she was going to enter... and this challenge was mentioned there. I started to realize I had a few steampunk books in my shelves, then I realized I had more books than I initially thought, and then I realized I might buy a few more this year. So I might as well cave in and sign up for this challenge, to make me actually read the books instead of just buying them.

This challenge is hosted by Dark Faerie Tales. The sign-up post is here and it contains a couple of links to get you started on what steampunk is, exactly. The sign-up post and this blog have a compiled list of a few steampunk works.

I'm going to choose the "Gaslight" level (6 books), since I own at least as many steampunk books as that level, but I might upgrade the reading level later on. The books I'm planning to read are:

  • Steampunk! - An Anthology of Fantastically Rich and Strange Stories, anthology edited by Kelly Link and Gavin J. Grant
  • The Map of Time, Félix J. Palma
  • The Court of the Air, Stephen Hunt
  • Pavane, Keith Roberts
  • Vaporpunk - Relatos steampunk publicados sob as ordens de Suas Majestades, Brazillian anthology edited by Gerson Lodi-Ribeiro and Luís Filipe Silva
  • Soulless, Gail Carriger
  • Steamed, Katie MacAlister

I may read the sequels to the above books whenever they exist. With a little luck, I might also read this year the following books, which are sequels to steampunk books I've already read:

  • Clockwork Prince, Cassandra Clare (and I'd like to re-read Clockwork Angel)
  • Goliath, Scott Westerfeld
  • The Subtle Knife, Philip Pullman
  • The Amber Spyglass, Philip Pullman

And this is my "wishful thinking" list - the books I'd like to explore, but probably won't have time to, this year:

  • The Mammoth Book of Steampunk, anthology edited by Sean Wallace
  • Dead Iron, Devon Monk
  • Tin Swift, Devon Monk
  • The Iron Duke, Meljean Brook
  • Heart of Steel, Meljean Brook
  • The Iron Wyrm Affair, Lilith Saintcrow
  • Corsets & Clockwork: 13 Steampunk Romances, anthology edited by Trisha Telep
  • All Men of Genius, Lev A.C. Rosen
  • The Girl in the Steel Corset, Kady Cross
  • The Girl in the Clockwork Collar, Kady Cross
  • The Greyfriar, Clay & Susan Griffith
  • The Rift Walker, Clay & Susan Griffith
  • Phoenix Rising, Philippa Ballantine and Tee Morris
  • Boneshaker, Cherie Priest
  • Clementine, Cherie Priest
  • Dreadnought, Cherie Priest
  • Ganymede, Cherie Priest
  • Steampunk, anthology edited by Ann VanderMeer and Jeff VanderMeer
  • Steampunk II: Steampunk Reloaded, anthology edited by Ann VanderMeer and Jeff VanderMeer

So enough of drooling over these titles, I'm going to sign up now.

Soul Screamers Reading Challenge

Soul Screamers Reading Challenge 

*sigh* I wasn't planning on entering any more challenges this year, but this came up, and I was already planning to read Rachel Vincent's Soul Screamers series this year, so it would seem the universe is trying to tell me something.

The Soul Screamers Reading Challenge is hosted by Rachel @ Fiktshun, and I'm sure it will be so much fun, since Rachel must be the biggest and most enthusiastic fan of these books. Seriously, if I hadn't read My Soul to Take last January, I might have started reading this series just because of her awesome posts about it.

The idea is to read and review each book in the series between January 15th to June 14th. The sign-up page is here, and if you are writing a participation post like I am, go here to leave the link.

I'm looking forward to this challenge. I read My Soul to Take (and the prequel novella, My Soul to Lose) last year, and I loved it, but for some bizarre, unknown reason I didn't get to read the rest of the books, so this is a welcome incentive to read the whole series in a row.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Aquisições - Natal 2011

Pois bem, as pessoas já me conhecem e sabem que basta um livro para me deixar feliz, por isso praticamente só recebo livros no Natal. Isso, e o aproveitamento de algumas promoções... deu para cravar alguns livros aos pais para o Natal.


- O Livro dos Dons: A Guarda Negra, de Jenna Burtenshaw, foi de uma amiga
- Frágil Eternidade, de Melissa Marr, foi da mana
- O Prestígio, de Christopher Priest; O Império do Medo, de Brian Stableford; Pavana, de Keith Roberts; A Dança dos Dragões, de George R.R. Martin (que também trazia um poster-mapa e marcadores das casas de Westeros); O Mapa do Tempo, de Félix J. Palma foram dos pais, aproveitando algumas boas promoções em Novembro.


- A Revolta, de Suzanne Collins, com a caixa promocional para a trilogia que a Presença enviava com este livro ou com a trilogia. Devo gabar as pessoas que tratam do envio de encomendas, pois para não danificar a caixa (que já vinha montada), no lugar dos livros 1 e 2 da trilogia colocaram um maço de folhas (que, na segunda imagem, está à esquerda do A Revolta).

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Em Chamas, Suzanne Collins


Opinião: Pouco tempo depois de ter vencido os Jogos da Fome, Katniss Everdeen prepara-se para o Passeio da Vitória, a ronda que o vencedor dos Jogos faz pelos vários distritos de Panem. Mas apesar de ter sobrevivido, isso não significa que esteja fora de perigo: a façanha que permitiu que a Katniss e o Peeta escapassem dos Jogos da Fome com vida está a ser interpretada pelas pessoas como um acto de rebelião, e o Presidente Snow ameaça-a pessoalmente para se comportar durante o Passeio. Mas quando toda a Panem está figurativamente a pegar fogo, será que a agitação vai parar?

Depois do quão absorvente foi Os Jogos da Fome, achei que não podia gostar tanto dos outros livros, mas enganei-me felizmente. Em Chamas começa com a Katniss e o Peeta no Passeio da Vitória, mas cedo podemos aperceber-nos que as pessoas estão inquietas, e que o barril de pólvora metafórico está prestes a rebentar. Achei bastante interessante ver como as coisas pareciam piorar de dia para dia para o Capitólio e como os sinais da rebelião vão aparecendo aos poucos. A Revolta (o título do terceiro livro) está aí a rebentar.

Os Jogos do Quarteirão foram uma das minhas partes favoritas. Temos uma certa sensação de repetição, porque já vimos como os Jogos funcionam no primeiro livro, mas os tributos escolhidos refrescam a situação. Acho que foi um erro tremendamente estúpido do Capitólio manipular as coisas de modo a que os tributos fossem vencedores passados. É que estes não são miúdos manipuláveis e assustados, são pessoas que já mataram e sobreviveram a uma provação terrível, sabem pensar por si próprios e fazer o Capitólio parecer mal-visto.

Aliás, como se vê nas entrevistas com o Caesar Flickman - os vencedores usam o circo mediático que o Capitólio constrói em torno dos Jogos da Fome para criticar o regime vigente. Adorei especialmente a maneira como o Cinna e o Peeta usaram este momento para "atiçar o fogo" da insurreição. A da Cinna porque foi muito corajoso desafiar o Capitólio e o presidente Snow daquela maneira e a do Peeta porque quase morri a rir quando ele larga aquela... bomba verbal dele. Não podia ter escolhido melhor maneira de lançar algum caos, até mesmo entre os habitantes do Capitólio.

Na arena... até tive pena de não poder conhecer melhor alguns dos vencedores. Deve ser um grupo interessante, pelo que vimos da Wiress e do Beetee, da Johanna e do Finnick, da Mags e até da Seeder e do Chaff. A arena desta vez é bastante engenhosa - assim como a maneira que o Beetee arranja para virar os Jogos contra si mesmos.

A Katniss... acho que a Suzanne Collins faz um excelente trabalho com ela. Consegue dar-lhe muitas nuances e construir uma personagem sólida. Todas as dúvidas, defeitos e inseguranças dela são as de uma pessoa real. Até a grande indecisão entre o Gale e o Peeta. Está a acontecer tanta coisa ao mesmo tempo que seria difícil a qualquer um focar-se na sua vida amorosa. Se bem que ainda não foi desta que consegui ver grande coisa do Gale ou perceber porque é que a Katniss gosta dele. O Peeta já nós sabemos que é awesome, uma pessoa bem resolvida, e (nas palavras da Katniss na arena) "o melhor deles todos" (os vencedores).

O fim... Suzanne Collins, não sabes fazer um fim minimamente fechado? Tens que incitar ardentemente a imaginação e curiosidade das pessoas? Se bem que acho que começo a compreender o que se vai passar no terceiro livro. Não sei os pormenores em específico, mas foi impossível ignorar os comentários e queixas das pessoas quando o livro saiu.

Honestamente, do que sei até agora, não me admiro nada. A Katniss é uma pessoa que vê as coisas "a preto e branco", que não gosta nada de manipulações e enganos, e é algo dada a guardar rancor, por isso as revelações das últimas páginas devem tê-la deitado abaixo. Apesar de ela ter reflectido neste livro a certa altura sobre ser um símbolo da revolta, acho que estava preparada para ser um símbolo morto, um mártir, não um símbolo vivo. Ela própria reconhece que não seria capaz de inspirar as pessoas.

Ainda mais irónico é ela e o mimo-gaio serem o símbolo da revolta. O mimo-gaio (mockingjay), um pássaro que foi originado pelo cruzamento entre uma ave selvagem e um palragaio (jabberjay), que por sua vez foi um animal manipulado duplamente pelo Capitólio e pelos rebeldes na primeira revolta. Tendo em conta isto, mais o facto de que a Katniss foge do sofrimento psicológico a sete pés, mais a maneira como ela se estava a tentar alhear nas últimas duas ou três páginas, mais a grande bomba que o Gale lança na última frase... oh, tenho a certeza que A Revolta vai ser um livro explosivamente dramático.

Título original: Catching Fire (2009)

Páginas: 268

Editora: Presença

Tradução: Jaime Araújo

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Daimon, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Novela em jeito de prequela ao primeiro livro da autora, Half-Blood, Daimon apresenta-nos a protagonista, Alex, que fugiu com a mãe há três anos do Covenant, uma organização que reúne os descendentes dos deuses. Ela é uma "meio-sangue" (Half-Blood), filha de um semi-deus (Hematoi) e de um humano, treinada para proteger outros semi-deuses. Achei interessante as regras por trás dos cruzamentos entre Hematoi e humanos, e imagino que no livro principal estas regras dêem alguns problemas à Alex.

Entretanto os Daimon, inimigos mortais dos Hematoi, encontram Alex, e esta dá por si em fuga... Achei a novela excitante, dando um gostinho da escrita da autora e do mundo em que a história se passa, no entanto soube-me a pouco, até porque acaba no melhor momento! Fiquei mesmo em pulgas para ver como isto evolui.

Páginas: 88

Editora: Spencer Hill Press