quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Picture Puzzle #37

O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: A Cup of Coffee & A Book.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.

Puzzle #1
Pista: título de fantasia publicado em português; a autora tem outra saga publicada em português, por uma editora diferente da deste livro; autora australiana; segundo livro duma trilogia.

Puzzle #2
Pista: título histórico publicado em português.

Divirtam-se!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

The Diviners, Libba Bray


Opinião: E é assim que um livro sobre os anos 20 é escrito. A Anna Godbersen que me desculpe, mas achei que os seus livros sobre os anos 20 careciam de algo, e encontrei esse algo aqui com a Libba Bray. Apesar de todo o aspecto paranormal do livro, a Libba é uma autora talentosa o suficiente para tecer uma história muito bem fundada na realidade dos loucos anos 20. Uma época em que os novos hábitos colidiam com os velhos dogmas, em que os speakeasies prometiam festa e álcool ilegal toda a noite, e as facções mais conservadoras do país se refugiavam na condenação do novo estilo de vida.

É uma época fantástica para ambientar o mundo sobrenatural que a Libba cria, acho. Toda aquela evolução científica, tecnológica e social em contraste com o receio dessa evolução e o conservadorismo daí resultante, fazem com que soe tão plausível haverem pessoas com poderes sobrenaturais, fantasmas assassinos à solta e conspirações governamentais para criar super-soldados (bem, esta sou eu a deduzir... a Libba não nos diz literalmente que foi isso que esteve a acontecer).

O enredo principal foi bastante emocionante, a história do Naughty John manteve-me sempre a tentar adivinhar o que viria a seguir, e o que faria ele a seguir, para além do que estaria no seu passado que o levava a cometer estes actos no presente. O que me frustrou foram as meias-revelações da autora sobre os Diviners, o que fazem, e o que está para vir... há muita coisa por revelar, e com a perspectiva de esperar um ano ou mais pelo próximo livro, não é fácil ser paciente.

O elenco de personagens cativou-me. A Libba Bray consegue caracterizá-los de uma maneira muito satisfatória e criar uma série de pessoas muito interessantes. Adorei a protagonista, Evie, por ser uma rapariga independente, livre de problemas amorosos, que gosta de se divertir, e que não pede desculpas por isso. Mas por outro lado, ela tem os seus fantasmas (metafóricos), que podem explicar o seu comportamento despreocupado.

Vislumbram-se dois potenciais interesses amorosos, mas estes desenvolvimentos não se sobrepõem à história, o que é refrescante. Gostei muito mais do Jericho, acho que tem maior potencial como personagem devido a certas nuances - interessou-me a sua condição, e tem uma personalidade que me agrada, e que é bem divertida de contrapor à Evie. (Os opostos atraem-se, afinal de contas.) Enfim, o Sam também pode vir a ter o seu interesse. Apenas me aborreceu a sua atitude "eu sou o maior, eu sou um bad boy tão bad blablabla". Dou-lhe um desconto porque é minimamente divertido e porque acho que aquela atitude é maioritariamente fachada.

E lá vai mais um livro para os favoritos. Não sei honestamente porque é que ainda não li o resto da trilogia da Gemma Doyle, porque gostei do primeiro livro, adorei a escrita da Libba Bray, e ela consegue criar umas histórias originais e cativantes, cheias de mistério e de agridoce. Suponho que assim terei algo para me entreter enquanto espero impacientemente pelo segundo livro desta série.

Páginas: 592

Editora: Atom (Little Brown, Book Group)

domingo, 27 de janeiro de 2013

Deity (+ Elixir), Jennifer L. Armentrout

Opinião: Como mencionei na opinião do Opal, que cliffhanger. Má, má, má Jennifer L. Armentrout, sempre a fazer os pobres fãs sofrer... se não fosse o Elixir, que avança um pouco mais a narrativa, estava desde Novembro até Abril a torcer-me de curiosidade.

Gostei de acompanhar a Alex neste volume, creio que se nota que ela está um pouco mais crescida e ponderada, sem se atirar à doida para as situações. Agora pensa um pouco antes de agir, o que é bom sinal. Apreciei vê-la com o tio, o laço entre eles vai-se revelando e ela vai-lhe dando mais valor. O que lhe acontece no final deixa-me um pouco assustada, mas estou com esperanças que ela o possa ultrapassar. Gosto de a ver com o Aiden, são um casal bem giro e adorável, gostam muito um do outro, e neste livro fazem planos para o futuro, o que é bom sinal. Mas sempre tive receio de torcer por eles, aquilo que os separa é um preconceito enraizado na sua sociedade e ainda me partem o coração por causa disso.

O Seth... estava a achar-lhe piada, mas em Deity ele esconde certos factos da Alex, toma decisões questionáveis e faz coisas que acho imperdoáveis... sei que a Alex pensa que pode redimi-lo, e compreendo que ele estivesse deslumbrado com a adoração do Lucian, mas estava ciente dos seus actos. Matou e começou uma guerra entre os Hematoi e os deuses. Não posso fazer as pazes com ele, mas gostava de ver o que a Jennifer vai fazer com ele no próximo livro.

Como é possível ver, este é um livro que muda em grande magnitude muita coisa na série. Os actos do Seth e do Lucian levam a uma guerra aberta entre os céus e a terra, e muitos inocentes hão de ser apanhados no meio. Uma coisa curiosa nesta linha de enredo é ver que os deuses gregos caminham entre nós, e o modo como se apresentam é bem interessante de ver. É uma linha de enredo que gostava de ver desenvolvida, ainda que não traga nada de bom. Esperemos que a Alex na sua nova condição consiga manter-se fiel a si própria e resolver os problemas que se vislumbram no horizonte.

Páginas: 360

Editora: Spencer Hill

Que alívio poder ler mais um bocadinho da história, ainda que em tamanho de novela, depois do fim malvado do 3º livro, Deity. Os personagens estão a tentar lidar com o que ocorreu à Alex no fim do Deity, e sendo uma situação incomum, diria mesmo nunca experimentada, traz muitas dúvidas e indecisões associadas enquanto tentam perceber o que fazer.

Entretanto o Aiden (esta novela é no POV dele) mostra-se mais como personagem. Como os livros são do POV da Alex é difícil lê-lo e percebê-lo, sendo tão calado, contido e certinho, mas aqui revela-se. Adorei vê-lo com a Alex, o que pensa dela e o que faz para tentar ajudá-la e protegê-la. Temos mesmo algumas cenas emocionais e tristonhas. Estou a torcer por ele e pelo que está a tentar fazer.

Uma nota positiva para a capa, que é linda, ainda mais entre as várias capas da série. E não comete o erro do Deity em colocar aquele pedaço de anatomia duvidoso. Sempre achei que aquilo era um ombro e braço com um tufo de cabelo pouco atractivo ali metido (lol), mas foi a minha irmã que teve pena de mim e me esclareceu que aquilo era uma nuca, vista de um ponto alto. Não foi a melhor das fotos que podiam escolher.

Páginas: 80

Editora: Spencer Hill

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Em poucas palavras: BD

Superman: New Krypton vol. 1, Geoff Johns, James Robinson
Creio que é o primeiro livro editado pela DC que tenho nas mãos; o papel usado é mais fino que o normal (ou aquilo a que estou habituada), mas é suficientemente bom e não traz problemas à leitura. A encadernação em capa dura é boa e traz na parte da frente uma gravação do Super-Homem em pose semelhante à da capa. Não sei se é prática comum na DC, mas agrada-me o modo como organizaram as revistas desta "saga": cronologicamente, e não por título, o que permite acompanhar muito melhor a história.

Quanto à história em si, fiquei com a sensação que estamos ainda na introdução dos eventos principais. Não há muita acção, mas por outro lado o enredo é complexo , o que parece raro neste género de banda desenhada. Gostei disso. Estou vagamente familiarizada com o mundo do Super-Homem, mas não tive dificuldade em seguir a história, a maior parte das referências ao passado são auto-explicativas. Em termos de arte há uma variedade de artistas, e por isso de estilos, mas em geral agradaram-me, especialmente algumas ilustrações de duas páginas.

Uncanny X-Men: Fear Itself, Kieron Gillen, Greg Land
As grandes editoras de BD americanas e os seus eventos que abrangem múltiplos títulos. *suspiro* Neste caso, vale a pena ler, porque estou relativamente familiarizada com os X-Men, ainda que não com os acontecimentos que levam a esta história. A sinopse e a própria história dão contextualização suficiente.

O enredo desenvolve-se de modo satisfatório, com os X-Men a lutar para impedir uma ameaça a São Francisco. Tem alguns momentos bem-humorados, como a descrição dos planos para travar a tal ameaça e a classificação "ineficaz" quando não funcionam. (E também a reacção da Emma Frost à Hope Summers.) A história final do volume parece fechar um capítulo dos X-Men, na medida em que aparentam estar a abandonar São Francisco. É interessante pelo ponto de vista que apresenta, e pelo fechar de uma era no título.

Nota à edição, porque o hardcover é lindo. Verde esmeralda, com o símbolo da saga gravado na parte da frente.

Shadowland, Andy Diggle, Billy Tan
Esta saga tem (tinha ?) tudo para ser grandiosa. A queda de graça do Matt Murdock e do seu alter-ego, Daredevil, é um tema já explorado na história do personagem, mas possivelmente não neste sentido, o de o herói perder completamente o seu sentido moral e chegar a fazer coisas terríveis. (Não que eu tenha pena do Bullseye, que me parece um grandessíssimo psicopata.)

Acho apenas que perde um bocadinho por tentar ser uma saga grandiosa e abranger vários títulos da Marvel, quando a história funciona melhor confinada e algo claustrofóbica. O espaço onde a acção acontece é restrito (Hell's Kitchen), e os heróis envolvidos em travar o Demolidor são os "heróis de rua", quase nenhum voa ou trepa paredes, por isso o seu raio de acção é restrito. Não sei se esta ideia faz sentido, mas em suma, creio que a história se dispersa por estar distribuída entre tantos títulos, o que resulta em haverem demasiadas edições que coleccionam os números da saga.

Neste caso fez-me falta ler pelo menos o livro Shadowland: Daredevil, em que possivelmente se verá com mais pormenores a "queda" do Demolidor. Como disse, a ideia é muito boa, e a execução não é má de tudo, mas para ter um impacto emocional precisava de outra abordagem. (Este escritor não é definitivamente o Frank Miller.) Creio que vou apostar no livro mencionado em cima, para ver se tenho outra perspectiva.

Birds of Prey vol. 7: Perfect Pitch, Gail Simone, Paulo Siqueira, Robin Riggs
Nunca tinha ouvido falar deste título. Sei quem é a Oracle, e terei ouvido falar vagamente duma ou outra heroína deste título, mas estou muito menos familiarizada com a DC do que com a Marvel, e por isso conheço menos os seus super-heróis. Gostei de conhecer estas heroínas, pareceu-me um grupo a seguir através de outros livros que compilem as suas aventuras.

Não sei se é por ser escrito por uma mulher, mas tem alguns momentos bem engraçados e totalmente femininos. (Destaque para o momento em que a Black Canary rouba um beijo ao macambúzio Batman - um momento hilariante, mesmo.) O desenvolvimento das personagens parece-me credível e dei por mim cativada pelas suas aventuras. Há algumas menções a acontecimentos do passado e ocorridos fora deste título, mas nada que não fosse explicado ou subentendido. Estou super curiosa para ver mais deste grupo.

Ultimate Comics Iron Man: Armor Wars, Warren Ellis, Steve Kurth
Título da linha Ultimate, que funciona um pouco à parte da principal, é uma história bastante autocontida (à excepção de seguir um acontecimento trágico ocorrido noutro livro e mencionado neste) e fácil de seguir. O Tony Stark vê dados e tecnologia relacionados com a construção da armadura do Iron Man serem roubados e percorre meio mundo para os recuperar.

Não é uma história complexa, pois só se estende por quatro números, mas entretém. Tem algum humor e muita acção, com o Homem de Ferro a tentar ser versátil no modo como usa a armadura e muitas vezes a usá-la até à exaustão. Gostei da arte, mas fiquei a pensar se a coloração às vezes não atrapalha... pelo menos ao observar os esboços passados a tinta no fim deste livro fiquei com essa ideia - houve esboços que apreciei mais que a versão final.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Sangue Impetuoso, Charlaine Harris


Opinião: Achei este livro melhor do que o anterior, e gostei mais dele. Deixou a história num bom lugar e consegue justificar a evolução que a Sookie tem tido nos últimos livros, e que certamente terá no próximo, e último, livro. Consegue atar um monte de pontas soltas e dar uma história satisfatória.

Até acontece muita coisa, em termos de desenvolvimento de enredo, apesar de não o parecer. O mistério mencionado na sinopse consegue pegar nos lobisomens e as fadas, e possivelmente pôr um fim à intervenção de ambos na vida da Sookie. (Não esperava que um dos vilões fosse aquela pessoa. Mas até faria sentido com a sua personalidade. Suponho que a sua bela aparência nos tenha distraído...) Pelo meio, a Sookie vê-se entre uma série de coisas e tarefas mundanas, mas aqui concordo com a sua introdução. (Gostava que a Charlaine tivesse começado a desenvolver esta linha de raciocínio mais cedo, porque assim parece um pouco súbita.)

É que no meio de tantos casamentos, nascimentos, e ainda o seu próprio aniversário, Sookie vê-se confrontada com a sua mortalidade. Sempre soubemos que ela não estava inclinada para fazer parte do mundo sobrenatural, nem para se tornar vampira. E, apesar de esse mundo sobrenatural ter feito sempre um esforço grande para arrastar a Sookie para o mesmo, ela sempre fez um esforço ainda maior para ter um pé no mundo "natural". Ela paga as contas, tem um trabalho estável, vai às compras, cuida da casa, tem um círculo de amigos humanos ... Sempre fez um esforço para impedir que a sua própria capacidade sobrenatural a afastasse do mundo humano.

Por isso, a evolução do enredo que a afasta do Eric e dos vampiros faz sentido. E já disse várias vezes, a certa altura, alguns livros atrás, achei que ela ficava bem com o Sam, e não mudei de ideias. Sempre houve uma atracção ali, algum carinho e amizade, e no caso da Sookie, em que namorar com humanos é impossível, o Sam, como metamorfo, é o mais próximo da vida mundana a que ela poderia aspirar. Ou isso, ou terminar sozinha, coisa que a esta altura do campeonato não descarto.

Por outro lado, o Eric... ainda acho que os leitores ficaram demasiado focados no Eric que conhecemos no quarto livro, que é só uma parte da personalidade dele. Sempre houve um Eric com 1000 anos, habituado a fazer o que precisa de fazer para sobreviver, e um pouco manipulador. Que é uma parte dele que em retrospectiva até gosto, apenas não faz dele o melhor boyfriend-material para a Sookie.

Estive a rever alguns momentos-chave da relação deles e dei-me conta que o Eric perdeu alguma piada quando entrou numa relação oficial com a Sookie, por volta do 9º livro. A relação deles sempre esteve sob o escrutínio e tensão do mundo vampírico, e tendo em conta este livro duvido que sobreviva. Consigo ver algumas coisas que ainda possam virar a mesa a favor do Eric e da Sookie, mas muita água teria de correr para lá chegar. Será a Charlaine uma escritora suficientemente capaz para lá chegar? (Inclino-me para o não, mas se o conseguir, seria genial e far-me-ia reavaliar muito do que ela escreveu.)

Título original: Deadlocked (2012)

Páginas: 288

Editora: Saída de Emergência

Tradução: Renato Carreira

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

The Assassin's Curse, Cassandra Rose Clarke


Opinião: Assassinos? Com piratas à mistura? Pode ser uma premissa inusitada à primeira vista, mas faz todo o sentido. Era mesmo este o tipo de livro que queria ler quando me propus a explorar um bocadinho a fantasia épica no género YA. Aventura, magia, perigo, dois personagens que não se suportam com uma tarefa impossível entre mãos ... o que não há para gostar?

Agrada-me o que a autora fez aqui em termos de definição de cenário e worldbuilding. Ela descreve o suficiente para nos sugerir que este mundo tem uma base exótica, com desertos e oceanos à mistura, e um pouquinho de cultura árabe, mas descreve apenas o suficiente para conjurar uma imagem, que deixa o leitor preencher o resto com a sua imaginação. O mesmo se passa com o sistema de magia neste mundo. Sabemos que há tipos de magia (de sangue, aquática, por exemplo). Sabemos que que há maldições e todo o tipo de encantamentos. Mas a autora não se perde muito em explicações complexas sobre este aspecto. A magia apenas é. Que refrescante não nos perdermos em divagações.

Os personagens principais, bem, têm tudo para eu gostar deles. Tenho um fraquinho por histórias em que as pessoas começam por não se suportar, mas algo as obriga a lidar uma com a outra, e pelo caminho começam a dar-se bem, e quem sabe algo mais. Neste caso, os dois personagens principais, um assassino e uma pirata, ficam colados um ao outro porque ele tem uma maldição sobre si, que o liga a quem lhe salvar a vida, de modo que essa pessoa não pode morrer sem acontecer o mesmo a ele. Adivinhem quem activa a maldição?

Achei piada à Ananna, a nossa pirata. É um pouco impulsiva - foge de improviso no primeiro capítulo, de um casamento arranjado pelos pais. Simplesmente vê um camelo, e como a direcção das coisas não lhe estava a agradar, pega no camelo e aí vai ela. Não sei como é que não se mete em mais sarilhos com esta atitude, mas suponho que também consegue ser ponderada, e acima de tudo consegue tomar conta de si. Não anda sempre a espadeirar, mas sabe decididamente usar uma espada. Consegue tripular um barco tão bem como qualquer homem (até melhor que alguns marinheiros que encontram pelo caminho). E tem uma boa intuição - a parte em que conhece a Leila tem o seu quê de ciúmes, mas a Ananna consegue ler muito bem a situação e perceber as nuances da relação entre o Naji e a Leila.

O Naji (bem, duvido que ele se chame assim... creio que as palavras dele são "podes chamar-me Naji", o que implica que não seja esse o seu nome) é o assassino. A sua atitude ao longo do livro intrigou-me e fez-me um pouco de comichão, porque passou o tempo a esconder coisas e a não contar outras à Ananna, e era muito calado e sempre a cismar. Mas o ser tão fechado também torna as coisas mais divertidas no sentido em que é recompensador quando o leitor/a Ananna percebe alguma coisa. (Como quando a Ananna percebeu como ele se sentia em relação às cicatrizes ao vê-lo com a Leila.) E suspeito que o tipo de magia que alguém pratica esteja relacionado com o feitio da pessoa. No caso do Naji, magia do sangue (mais negra) leva a um feitio mais fechado. Com a Ananna, magia da água, e um feitio mais volátil mas adaptável.

O que esperar do segundo livro? Para já, que a Ananna e o Naji se empenhem nesta coisa de quebrar a maldição através das tarefas impossíveis. (Para depois se darem conta que afinal, não queriam mesmo separar-se... oh, a minha cabeça encheu-se de possibilidades quanto ao desenrolar do final do livro, cada uma mais dramática e provavelmente ridícula que a outra.) Achei divertido que a Ananna visse o quão facilmente podia resolver uma das tarefas, o que lhe deu esperança para as outras, mas acho que muita tinta ainda há de correr quanto a este assunto. Espero que seja uma boa sequela, com todos os ingredientes que me fizeram adorar este livro.

Páginas: 304

Editora: Strange Chemistry (Angry Robot)

Picture Puzzle #36

O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: A Cup Of Coffee & A Book.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.


Puzzle #1
Pista: título de ficção científica publicado em português.

Puzzle #2
Pista: título de suspense/thriller/whatever publicado em português.

Divirtam-se!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Opal, Jennifer L. Armentrout


Opinião: Bolas, a Jennifer L. Armentrout deve estar decidida a provocar um enfarte do miocárdio aos seus leitores. Não chegava o cliffhanger chatinho no fim do Deity, o terceiro livro da série Covenant, neste apanhei um cliffhanger horrendo, maléfico, traumático... bem, percebe-se a ideia. Não estou realmente zangada, porque o cliffhanger deixa a história (e a protagonista, Katy) num lugar muito interessante. Talvez um pouco arrojado, também. Outras autoras teriam invertido a situação da Katy e do Daemon.

É o que a autora tem feito com esta série. O primeiro livro podia ter uma premissa Twilight-like, mas a Jennifer conseguiu subverter um pouco o protótipo narrativo. A Katy nunca se deixou deslumbrar com o mundo paranormal em que tropeçou, sempre soube pôr o Daemon-armado-em-alfa no seu lugar, e soube distinguir entre atracção e amor.

Disto resulta que ao longo da série a relação entre eles tem evoluído duma forma bastante mais credível, e que me fez apreciar melhor os dois personagens. Sempre gostei imenso da Katy (ei, ela é uma book blogger), mas no início torci o nariz ao comportamento do Daemon (a tal coisa do armado-em-alfa). Fiquei a gostar mais dele ao longo dos livros, ao vê-lo com a Katy, o quanto gosta dela, e muito importante, o não tentar forçá-la a fazer o que ele quer. Eles arriscam as suas vidas durante os livros, e naturalmente ele preferia que ela não se colocasse em situações perigosas. Mas eles falam sobre o assunto, cada um explica as suas razões, e aceitam as posições um do outro. É um comportamento maduro, mas tão raro pelo género (YA paranormal), que eu faço uma festa ao vê-lo num livro. A capa deste livro irrita-me por contrariar este aspecto da relação deles, dá a sensação errada de que a Katy é uma damsel-in-distress e que precisa de ser levada ao colo.

Depois dos acontecimentos do livro anterior, a história começa um pouco sombria, e não perde o tom de que algo terrível vai acontecer até ao final. O grupo decide-se a fazer uma coisa quase impossível, e passa o livro a tentar preparar-se para essa coisa. A sensação que dá é que não acontece nada de monta, quando na verdade não é bem assim. É um livro de transição, daí essa ideia. Agradou-me a evolução das coisas, mas tendo em conta o cliffhanger estou muito animada para pegar no seguinte.

Gosto do cenário e do mundo em que os personagens se movem. O facto de envolver seres extraterrestres e de ter um toque de conspiração governamental para esconder a sua existência, combinando-o com um aspecto paranormal, sem faltar a parte romântica. (A Katy e o Daemon passaram o livro a ser interrompidos num momento interessante, o que gerou alguns momentos divertidos mas também alguma impaciência em mim... e bónus por a autora sugerir ali pelo meio uma cena de sexo um pouco menos convencional em YA.)

Coisas que gostava de ver no próximo livro: como é que a autora descalça a bota depois daquele cliffhanger, a Dee e a Katy a fazerem as pazes, o Dawson e a Beth juntos, a Ash um pouco mais simpática, o Blake a pagar finalmente por todas as coisas que fez.

Páginas: 400

Editora: Entangled Publishing

domingo, 20 de janeiro de 2013

Something Like Normal, Trish Doller


Opinião: Que pequena história tão refrescante. O narrador é um rapaz de 19 anos, Travis, um Marine que volta a casa para uma licença de um mês, vindo do Afeganistão. Só que aquilo a que ele chama casa já não é a mesma coisa: os pais estão em ruptura, o irmão roubou-lhe a namorada e o carro, e o Travis sofre de stress pós-traumático após a morte do melhor amigo, revivendo situações de guerra.

Apesar de tudo, não é um livro muito pesado. O caminho que o Travis tem de fazer para lidar com tudo o que lhe está a acontecer torna-se mais interessante de ler pela sua voz honesta e tipicamente masculina. Frustrado com as expectativas do pai, irritado com a necessidade do irmão de lhe "ficar" com as coisas, dividido entre a ex-namorada manipuladora e uma rapariga por quem ele sempre teve uma paixoneta...

Gostei de ver o Travis com a mãe. A senhora, neste ano em que o Travis tem estado no Afeganistão, tornou-se numa verdadeira Army Mom, inscrevendo-se em grupos de apoio e enviando-lhe encomendas com coisas que ele possa precisar. Mas a sua preocupação com o Travis levou à degeneração da relação com o marido, que se veio a "revelar". O Travis chega a casa num momento de ruptura, em que os pais estão à beira do divórcio, e gostei que ele estivesse lá para a mãe, e que reconhecesse que a adora. (E foi demasiado divertido vê-lo embebedar a mãe.)

Outra personagem que me agradou foi a Harper. Ela sabe lidar com o Travis, e pô-lo no seu lugar se assim for preciso. Mas também é a pessoa certa para ajudar o Travis a lidar com os seus demónios e apoiá-lo neste momento. Acho que eles formam um casal engraçado e com potencial, se bem que na idade deles não há finais felizes, mas gostava de os ver juntos num futuro próximo.

Um aspecto que me interessou na história foi o facto de o Travis servir nos Marines. Deu para ver um bocadinho por trás da coisa, como é que isso afecta a família e a comunidade. Fascina-me o apoio que os americanos dão às suas próprias tropas, e por isso gostei de ver um bocadinho da vida de um membro dos Marines.

Páginas: 224

Editora: Bloomsbury

2013 Don't Let It End Reading Challenge

Don't Let It End

Yes, I know, I fully intended not to enter any challenge this year, other than my own personal challenges. But (there's always a but) this challenge actually fits one of my personal challenges - to finish up a few series. And last year I entered a challenge hosted by the lovely Rachel @ Fiktshun, and it was so much fun. I was actually motivated to accomplish something with that challenge, and Rachel was such an awesome host.

So, I'll make an exception to my rule and join this challenge. There are so many series I follow whose last book will be published this year, and there are a few others that I plan to end this year, so this challenge fits perfectly with my reading plans. Though I anticipate it will be hard to say goodbye to a few series, I am excited and so curious to find out how they will end.

This challenge is hosted by Rachel @ Fiktshun and the sign-up post with the details is here.

These are some final books whose series I might finish:
  • Gates of Paradise, Melissa de la Cruz
  • The Iron Knight, Julie Kagawa
  • Endlessly, Kiersten White
  • Hidden, Sophie Jordan
  • Spell Bound, Rachel Hawkins
  • Sever, Lauren DeStefano
  • Requiem, Lauren Oliver
  • Spellcaster, Cara Lynn Shultz
  • The Elementals, Saundra Mitchell
  • Rapture, Lauren Kate
  • The Lucky Ones, Anna Godbersen
  • Shadows in the Silence, Courtney Allison Moulton
  • Jeff Sampson, Ravage
  • Dead Silence, Kimberly Derting
  • Isla and the Happily Ever After, Stephanie Perkins
  • With All My Soul, Rachel Vincent
  • Shades of Earth, Beth Revis
  • The Sweet Far Thing, Libba Bray
  • Fire Study, Maria V. Snyder

The funny thing is, with some of these series I'll have to read the penultimate book, then the last one. And then there are so many other series I'd like to finish...

sábado, 19 de janeiro de 2013

Orgulho e Preconceito, Jane Austen


Opinião: Este ano celebra-se o 200º aniversário da publicação deste livro. Nem me tinha dado conta, peguei nele porque estava com saudades duma história que adoro. Mas foi uma escolha oportuna, porque, entretanto, descobri uma coisa que me deixou meio histérica ao pesquisar esta história do aniversário da publicação. É que Orgulho e Preconceito foi publicado, há 200 anos... no dia em que faço anos. Ah, lol, é demasiado perfeito. :D

Bem, não sei que opinião é que devo dar quando já li o livro um monte de vezes. A este ponto conheço demasiado bem certas frases, e quase consigo ouvir os actores da minha adaptação favorita (a de 2005) a pronunciá-las. A certa altura dei por mim a ler uma fala da Mrs. Gardiner e a "ver" a Mrs. Crawley de Downton Abbey a dizê-la. Naturalmente porque é a mesma actriz nos dois papéis. Mas nunca me tinha dado conta disso até agora.

O que mais aprecio ao ler este livro é que descubro sempre novos pormenores, novas coisas ao reler. Que me fazem apreciar mais a história. É tão divertido ver o snobismo de alguns personagens no seio burguês, quando nenhum deles chega a ser nobre. O mais próximo que alguém está de ter um título é a Lady de Bourgh, filha e irmã de um conde, acho eu. (E todos sabemos o que isso faz pelo ego dela.)

Sempre achei tremendamente malandro da Jane Austen fazer um leitor menos avisado pensar que a Elizabeth Bennet tem o seu quê de interesseira ao se ver o seu interesse pelo Mr. Darcy aumentar depois de ver a magnificência de Pemberley. Na verdade, ela muda mais um pouco de atitude em relação a ele depois de Pemberley, mas isso tem mais a ver com o que intui da personalidade dele e da sua mudança de atitude depois das críticas dela.

Adoro o momento do pedido de casamento, com a Elizabeth a desancar no Mr. Darcy por ser um convencido e um metediço, mais a carta que ele lhe dá após este momento. (Aliás, sou fã do uso de cartas nos livros de Jane Austen.) Ao obrigá-la a reavaliar algumas coisas que tinha por certas, a carta opera uma mudança interior na Lizzy que a obriga a ver o Mr. Darcy com outros olhos. E as críticas que ela lhe fez não caem em saco roto, levando-o a adoptar uma atitude mais humilde.

É o que gosto mais ao ler um romance: ver ambos os elementos do casal a mudar a sua atitude na vida, a amadurecer, por causa do outro, mas não forçados. Creio que no caso destes dois, com feitios tão difíceis, semelhantes e compatíveis isto prolongar-se-ia pela vida fora. As discussões lá em casa deveriam ser algo de épico, mas acredito que chegassem facilmente a um consenso. Oh, e os filhos? Ah, gostava de ver a cara da Elizabeth ao ter uma filha como ela. :P

Uma última nota para a tradução, que imagino que já tenha alguns anos décadas. Nota-se pelo uso de palavras já em desuso hoje em dia, mas não me incomodou. Achei bem giro, há coisas que encaixam melhor com a história. De resto, mete os pés pelas mãos uma ou outra vez, em momentos em que a passagem soa menos bem. Mas tendo em conta as coisas que vejo hoje em dia em termos de traduções e revisões, não são erros particularmente chocantes.

Título original: Pride and Prejudice (1813)

Páginas: 360

Editora: Civilização Editora

Tradução: José da Natividade Gaspar

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Stolen Night, Rebecca Maizel


Opinião: Isto vai soar tão bizarro, mas... a minha parte favorita do livro é a página final com os agradecimentos. Porque se não fossem as menções da autora ao terceiro livro nos mesmos, o último capítulo deste livro tinha-me sufocado com a sua... sensação de finalidade e o epílogo matava-me com aquele cliffhanger mauzinho, que me fez pensar que a história tem continuação, mas ao mesmo tempo, sem confirmação da mesma eu fiquei à beira de um AVC. Muito semelhante ao fim do primeiro livro, na verdade. (Entretanto fica aqui a minha opinião do primeiro livro, Infinite Days. Está em inglês.) Já fui cuscar ao blogue da autora e parece que ela está prestes a entregar o manuscrito do terceiro, o que me dá esperança que antes do fim do ano eu possa ler o dito cujo.

Dito isto, vale a pena ler estes livros? Oh, se vale. Se só pudesse haver apenas um único livro/série de vampiros nas águas turbulentas que é o género paranormal YA, esta seria a série que escolhia. A Rebecca Maizel consegue cristalizar o ser um vampiro numa mistura de dor e vazio, violência e sangue. E apesar da personagem principal ter sido vampira, mas conseguido voltar a ser humana, as memórias do que fez atormentam-na e trazem-lhe consequências, até no presente, em que ela pensava estar livre de tudo isso.

Creio que a existência de um segundo livro é em si um spoiler, por ser a confirmação de que a personagem principal, Lenah, sobrevive a uma coisa que faz no fim do primeiro livro. E é seguro assumir que se ela sobrevive, outra pessoa que fez exactamente a mesma coisa também sobreviveu. Yup, esse mesmo. O que me deixou completamente esfuziante de alegria. O desejo e ânsia de estarem juntos que estas personagens transmitem são sentimentos tão doces e tortuosos, pelo impedimento que há a que isso aconteça. E aqueles capítulos finais, que determinam uma separação definitiva, apertaram e esmagaram o meu coração, pela ansiedade que causaram. Hei de sobreviver, com a promessa de um terceiro livro.

Não sei se é por ter lido o primeiro livro há uns 2 anos, ou se por inépcia da autora, mas o início deste livro soou-me... estranho. Como se tudo estivesse a acontecer demasiado depressa, e a ser atirado para cima de mim sem ter tido tempo de recuperar os acontecimentos do livro anterior. Acho que é a segunda opção. O enredo podia ter sido melhor trabalhado, porque grande parte da história consiste na Lenah a correr como um coelho assustado do vilão e a andar dum lado para o outro sem saber o que fazer. A sensação resultante é que a narrativa não tem um objectivo e não chega a lado nenhum. Mas na verdade, acontecem imensas coisas. Apenas precisavam de ser melhor construídas. Dou-lhe um desconto porque ainda tem grande parte daquilo que adorei no primeiro livro, e porque este foi um livro de parto difícil, mas espero que o terceiro livro esteja mais fluido.

Mesmo assim, fui surpreendida pela evolução da narrativa. Não esperava esta evolução da história ao terminar o Infinite Days, mas tornou-se interessante pelos dilemas que colocou à Lenah, e pelo passado que ela teve de enfrentar até chegar à conclusão que apenas uma coisa podia resolver tudo. Achei que ela se agarrou demasiado ao Justin, e ele a ela, mas isto acaba por ter uma explicação, tanto no caso dele, como no dela, já que o Justin significa a humanidade e a normalidade a que a Lenah se quer desesperadamente agarrar. Gostei muito de conhecer o Vicken, que é um personagem bem interessante e divertido ao adaptar-se à humanidade, e nesse aspecto um contraponto à Lenah.

Recomendo vivamente esta série, mesmo para os que estão fartos de vampiros, porque apresenta uma perspectiva bastante original sobre estes seres sobrenaturais.

Páginas: 432

Editora: MacMillan Children's Books

Colecção Heróis Marvel Série II #6-10

Dr. Estranho - O Juramento, Brian K. Vaughan, Marcos Martin, Stan Lee, Steve Ditko
O volume contém algumas histórias mais antigas do Doutor, sobre as suas origens, o que dá alguma contextualização do personagem, mas que não se destacam especialmente.

Quanto à história titular, a arte agradou-me, colorida e dinâmica. As origens do Dr. Estranho são recuperadas, para explicar o título e as suas acções ao longo da história. A ideia por trás é boa, se bem que convoluta, por vezes. O Dr. Estranho enfrenta um inimigo místico e ao mesmo tempo ambientado num mundo bem real, em que um elixir milagroso o faz pesar a vida um contra a vida de muitos, relembrando-o do seu juramento de Hipócrates.

Homem-Aranha - Reino, Kaare Andrews
Uma história sombria para o Homem-Aranha. Estranho, mas ao mesmo tempo faz sentido. O Homem-Aranha tem um sentido de humor hilariante, mas ao mesmo tempo um percurso de vida trágico, e sempre pus a possibilidade de o seu futuro ser um triste futuro. Não tão tenebroso, mas é uma história de futuro alternativo, com tendências distópicas, cativante.

É deprimente ver o Peter no estado a que chegou, velho, senil, preso no passado. As coisas mudam quando alguém do passado lhe traz a velha máscara. (A propósito, foi engraçado ver esse personagem ainda rijo e mal-humorado.) A piada da coisa é que mal põe a máscara, o Peter recupera o sentido de humor. (Fiquei traumatizada com o ter visto o Peter velhote de máscara e boxers, lol.)

O aspecto distópico e a arte sombria conjuram uma história com preocupações actuais que me agradou ler. É um volume que vale muito a pena, um dos melhores da colecção.

Demolidor - Renascido, Frank Miller, David Mazzucchelli
Uma magnífica história de redenção e renascimento para Matt Murdock, que depois de ter caído o mais fundo possível tenta voltar a erguer-se. Muito boa, foi terrível seguir as sucessivas tragédias que aconteciam ao Matt pela mão do Rei do Crime, cujo alcance chega a todo o lado. (O que é assustador de ver, na verdade, quantos cordelinhos o homem consegue puxar.) O próprio Rei do Crime é um personagem interessante de seguir, pela extensão vingativa com que persegue o Matt Murdock ao descobrir que este é o alter-ego muito incomodativo (para o Rei do Crime) Demolidor.

Outra personagem que me cativou, apesar de a odiar no início por ser ela a traidora que dá o nome do Demolidor a um tipo qualquer por uma dose de droga, é a Karen Page, que se redime pela tenacidade com que tenta voltar a Nova Iorque, para avisar o Matt da palermice que fez. Destaque ainda para a arte, que me fez esquecer o ano em que foi feita, e que repete alguns motivos que se relacionam com a história.

Wolverine - Arma X, Barry Windsor-Smith
Adoro, adoro a arte deste senhor. O uso das cores é fabuloso, especialmente numa época em que ainda havia alguma restrição nas mesmas devido à impressão. O trabalho para criar pontos de luz e sombras é fantástico.

Mais uma história que desvenda um bocadinho as origens do Wolverine, mostrando-nos exactamente o que lhe aconteceu no programa Arma X, como adquiriu o esqueleto de Adamantium, e as experiências a que foi submetido. Contado do ponto de vista dos cientistas, tem um ritmo lento e levanta mais perguntas do que dá respostas. Só me falta ler alguma coisa da ligação japonesa do Wolverine.

O fim do volume conta ainda com a republicação duma história do mesmo autor que já conhecia através da série Clássicos da BD do Correio da Manhã, mas aqui em tamanho original, e num volume de luxo. Gostei e pude relembrar partes da história que já me tinha esquecido.

Novos Vingadores - Guerra Civil, Mark Millar, Steve McNiven
Uma história produto do dias de hoje, que obriga os super-heróis a reflectir no seu papel no mundo e os põe em lados diferentes da barricada no que toca às suas liberdades e responsabilidades. É um evento que se expandiu por vários títulos do universo Marvel, para além de ter direito a revista própria, cujos números são reunidos neste volume.

A história aguenta-se bem por si mesma, mas por vezes fazem-lhe falta as histórias laterais, passadas nos títulos de cada super-herói. As decisões do Homem-Aranha durante a saga, em particular, parecem um bocado descabidas se não se for lendo as revistas do super-herói, o que pude fazer há uns tempos com as revistas da Panini brasileira. A narrativa levanta algumas questões interessantes, mas o fim foi algo anti-climático.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Uma imagem vale mil palavras: Guia para um Final Feliz

Moral da história: de louco temos todos um pouco. A diferença é que alguns de nós têm um diagnóstico.

Que filme tão refrescante. Primeiro, porque está a ser considerado uma comédia romântica, mas não o é no sentido convencional, e escapa a clichés na maior parte do filme. Segundo, porque é uma comédia romântica feita para mais do que encher o currículo do realizador, e foi feita com cuidado e qualidade, e isso vê-se na quantidade de nomeações para prémios e outros que tais. Terceiro, porque retrata doença mental duma maneira nada cliché, muito credível, e com momentos divertidos e peculiares, sem exagerar na dose.

Gostei do Pat. É uma pessoa com bipolaridade, acabada de sair do hospital, e a lidar com os problemas que o levaram lá: a infidelidade da mulher, Nikki, e a "explosão" de Pat ao descobri-la. A família não ajuda, tendo em conta que o pai está obcecado com os resultados do futebol americano e acha que o Pat é um amuleto de boa sorte para a sua equipa. É quando ele se cruza com Tiffany, uma viúva a recuperar da morte do marido, que a sua vida começa finalmente a melhorar.

Entre o Bradley Cooper, a Jennifer Lawrence e o Robert de Niro, temos um bom elenco de actores muito bons numa boa representação, dando corpo e personalidade aos personagens, com idiossincrasias e tudo. O que leva a alguns momentos bem dispostos e que arrancam gargalhadas à audiência. A doença de Pat, e o modo como ele reage a algumas coisas, leva a cenas engraçadas.

Aquela cena em que o Pat atira o livro pela janela porque ficou frustrado com o final é muito boa. Qual o amante de livros que nunca ficou frustrado com o fim de um livro? Também gostei da cena em que ele e a Tiffany trocam impressões sobre os medicamentos que já tomaram. Ou a cena em que a Tiffany dá uma abada ao pai do Pat com os resultados dos Eagles. (Eu sabia que havia uma razão para gostar daquela rapariga.) A cena final, com a dança, é hilariante.

Interessou-me ver como o Pat e a Tiffany se "curam" mutuamente de certos comportamentos doentios e de como o esforço para o número de dança os ligou e concentrou noutra coisa que não os seus problemas. O final pode ser ligeiramente cliché, mas não usa duma reviravolta excessiva e exagerada, típica das comédias românticas, para mudar a vida dos personagens, e não nos promete um "felizes para sempre", o que é bem inteligente.

Um filme que vos vai surpreender, divertir e deixar sair do cinema com um sorriso no rosto.

Picture Puzzle #35

O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Chaise Longue - #29, #30; A Cup of Coffee & A Book #9, #10.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.

Puzzle #1
Pista: título contemporâneo publicado em português.

Puzzle #2
Pista: título fantástico publicado em português.

Divirtam-se!

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Secrets of a Summer Night, Lisa Kleypas


Opinião: Levei um bocadinho a chegar a esta série, assumo, mas estava com receio de que a minha fabulosa experiência com a Julia Quinn "manchasse" esta leitura. Agora que passou quase um ano, acho que posso lançar-me à Lisa Kleypas.

Talvez não devesse ter receado tal coisa. A Lisa Kleypas é uma autora diferente, na escrita, no modo como desenvolve a história, naquilo que aborda. Fascinou-me a sua escrita mais elaborada e o retrato social que pinta desta época vitoriana precoce. (Sim, é 1843 e a rainha Victoria já reina.)

Achei interessante ver a classe nobre, tão fechada à penetração dos novos ricos - o Simon, um investidor filho de talhante, ou as americanas Lillian e Daisy, filhas de um industrial riquíssimo -, mas ao mesmo tempo afogada em dívidas e com propriedades gigantescas mal geridas. Bem, exceptuando o Westcliff, que parece estar a gerir a sua propriedade duma maneira mais inovadora e mais avisada.

Também achei curioso ver descritas as razões pelas quais uma mulher se podia tornar numa wallflower. A Lillian e a Daisy são americanas, e tendo em conta que os ingleses ainda não se aperceberam bem da vantagem do dinheiro americano para salvar as propriedades inglesas, ficam de lado, a não ser que tenham um patrono inglês que as apresente; a Evie é gaga, é tímida e nem o ser riquíssima a salva; e a Annabelle está desesperada para casar, pois a família está quase na penúria, mas o facto de nem ter um dote é o que a torna numa wallflower.

Gostei bastante das americanas, tão divertidas e extrovertidas, e com uma tendência para fazer desporto ao ar livre de roupa interior e chocar o Simon e o Westcliff. Também adorei a Evie, tão fofinha na sua timidez. A Annabelle foi a que menos me interessou das wallflowers, mas fiquei indignada com a sua situação e o facto de metade dos lordes estar apenas à espera que ela ficasse desesperada o suficiente para se tornar na amante de alguém. Gostei da sua personalidade determinada e do quanto se arriscou pelo Simon. O Simon pareceu-me um pouco alfa a mais, mas foi divertido vê-lo com a Annabelle.

Aquele final foi trepidante. Não estava à espera que as coisas fossem dar numa cena tão dramática, mas foi uma boa maneira, e dramática, de a Annabelle e o Simon se resolverem. Preferia que quase não se matassem no processo, mas pelo menos o Westcliff ultrapassou o seu preconceito ridículo contra a Annabelle. Até estou super curiosa para ver como ele e a Lillian se vão dar, porque estou a ver que vão saltar faíscas.

Páginas: 352

Editora: Piatkus