quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Os destaques de 2013

Era só o post que me faltava escrever e publicar acerca das leituras e balanços de 2013.

Tencionava publicar este post mais cedo, idealmente na primeira semana do mês, mas entretanto o read-a-thon em que tencionava participar começou, e achei que o post se ia perder no meio do mesmo. O resultado: fui adiando e adiando, pois ainda não estava terminado (acho que dá para ver porque é que me levou tanto tempo). Pois bem, agora é um momento tão bom como os outros. Aqui vão as minhas alegrias e desilusões do ano que passou.

Porque eu tenho sempre que arranjar maneira de fazer batota nestas coisas. O que é que querem? É muito difícil reduzir as boas leituras do ano passado a apenas 10. Aqui vão, sem ordem de preferência, ordenados por data de leitura.

The Diviners, Libba Bray - Só esta autora para me combinar anos 20 com misticismo e paranormal e fazê-lo resultar. Foi uma leitura devoradora, adorei descobrir os pequenos detalhes desde mundo, estive completamente imersa na história do princípio ao fim e só me queixo porque soube a pouco, no final, e na altura em que o li a sequela estava à distância de mais de um ano.

A Voz, Anne Bishop - Já nem me lembrava, mas adorei a mensagem que a autora transmitiu aqui. Acerca das mulheres, e do seu papel no mundo. E como conseguiu transmitir tão bem os conceitos do seu mundo Efémera, sobre o modo como aquilo que pensamos, sentimos, ou queremos, molda o mundo.

Clockwork Princess, Cassandra Clare - É capaz de ter sido um dos livros, senão O livro, mais antecipado por mim. Tive que me esconder do Tumblr para não ser spoilada. E o resultado acabou por ser mais e melhor do que esperava. A autora fez aqui uma coisa inesperada, mas que faz tanto sentido. É o final que eu não sabia que queria.

With All My Soul, Rachel Vincent - A Rachel é das minhas autoras favoritas, pelo modo como cria e desenvolve as suas histórias, e como transmite tão bem as emoções dos personagens. A Kaylee mostra-se aqui uma protagonista tão valorosa e generosa, fazendo tudo pela família e pelos que ama. Aquele final apertou-me o coração.

Estrada Vermelha, Estrada de Sangue, Moira Young - Saba, não mudes! Adoro heroínas resmungonas e mal-humoradas como ela. Fiquei vidrada na história, e adorei o tom da mesma. A construção deste mundo fascinou-me, e deixou-me a chorar por mais.

Espera por Mim, Gayle Forman - Outra autora que me faz sofrer. A história do Adam é tão crua, tão dura, e tão cheia de dor pura. Custou-me horrores vê-lo no estado em que estava, mas fui recompensada pelo trilho que ele percorre em direcção à cura.

Crown of Midnight, Sarah J. Maas - Mais um livro muito esperado, e que não desapontou; pelo contrário, foi mais do que esperava, e trouxe muita coisa surpreendente. O caminho da Celaena é espinhoso e cheio de dificuldades, mas não consigo deixar de torcer por esta assassina que adora ler, vestidos bonitos e cachorrinhos adoráveis. E pronto, ela e o Chaol fazem-me sofrer. Parece que o caminho para o meu coração é um livro fazer-me sofrer.

Endless, Jessica Shirvington - Esta senhora tortura-me, tanto, tanto mesmo. As coisas nunca correm bem para a pobre da protagonista, a Violet. E eu ando há tanto a torcer para que finalmente algo lhe corra bem. Este volume é o meu favorito da saga pelas questões de sacrifício, amor, e solidão que apresenta.

A Quinta dos Animais, George Orwell - Com este livro cheguei à conclusão que sou capaz de ter encontrado um autor favorito novo, o que é particularmente difícil nos clássicos. Gosto muito da sua voz, algo sarcástica e boa observadora da natureza humana, e dos temas que aborda.

Wait for You, Trust in Me, Jennifer L. Armentrout (como J. Lynn) - Este vou considerar como um só livro porque é basicamente a mesma história doutra perspectiva. Gostei muito do desenvolvimento da relação entre a Avery e o Cam, que foi evoluindo aos poucos de um conhecimento para uma amizade para amor. E achei muito interessante a maneira como a Avery se relacionava com o mundo, tendo em conta o que tinha acontecido no passado. Foi um(uns) livro(s) excepcionalmente bom(bons) duma autora que em geral me põe a devorar os seus livros.

Porque não podia só destacar aqueles 10 livros (e meio), também achei por bem destacar algumas séries que li o ano passado... e por séries quero dizer que li mais do que um livro da mesma durante o ano de 2013. Era para ser um top 5, mas por alguma razão dei por mim a escrever sobre estas séries todas, só para chegar ao fim e dar-me conta que eram 6 e não 5. Fica assim. Novamente, estão por ordem de leitura (do primeiro livro).

Cinder, Scarlet, Marissa Meyer - Ah, quem diria que eu ia ficar fascinada com estes livros... mas a autora consegue juntar aqui uma série de coisas que aprecio, e melhor, fazê-las funcionar. O recontar dos contos tradicionais tem pontos absolutamente geniais, adoro as heroínas, e os personagens secundários compõem um excelente elenco, vilã incluída.

Shadow and Bone, Siege and Storm, Leigh Bardugo - Esta série nem sei explicar. É que nem sou propriamente fã do Darkling, um dos atractivos da série para a maioria dos leitores. Mas adoro a Alina e o caminho que tem percorrido para ajudar Ravka. Gosto imenso deste mundo, algo inspirado na Rússia czarista. E vale a pena mencionar o Sturmhond, que é um persongem secundário apresentado no segundo livro, e é um personagem tão divertido.

Dearly, Departed, Dearly, Beloved, Lia Habel - Aqui, um pouco como com a série do Cinder, a autora junta uma série de coisas - steampunk, um mundo pós-apocalíptico, zombies - distintas, mas que a escrita da Lia Habel faz resultar. Tenho um fascínio por este mundo, adoro a Nora e o Bram como casal, e só tenho pena que a autora não tenha planos para continuar a escrever neste mundo.

Losing It, Faking It, Keeping Her, Finding It, Cora Carmack - Este é o culpado disto ser um top 6 e não um 5. Porque a Cora tem um sentido de humor impecável, mas consegue abordar as suas histórias de modo completamente distinto em cada livro. Cada personagem é a sua própria pessoa, e apreciei seguir o seu percurso.

Matched, Crossed, Reached, Ally Condie - Admito, parece-me que é uma série que pode dividir as pessoas. Mas adorei a escrita, mais contemplativa. O mundo, que acho uma verdadeira homenagem a algumas distopias clássicas do século XX. O amor pela palavra escrita. A viagem de descoberta de Cassia, Ky e Xander, em direcção a um mundo melhor.

For Darkness Shows the Stars, Across a Star-Swept Sea, Diana Peterfreund - Este é outro dos casos em que eu fiquei virada no mundo que a autora criou, pós-apocaliptico, e as sociedades que apresenta. Nos dois livros conhecemos duas sociedades muito diferentes, e que até têm visões bem distintas do acontecimento apocalíptico que as criou. Além disso, a autora consegue integrar nisto tudo, de maneira maravilhosa, as histórias que se propõe recontar.

Este é o top mais difícil de definir. Ler é uma actividade altamente subjectiva, na minha opinião, e por isso não acredito em dizer que acho estes livros maus. Em muitos casos, até consigo perceber o que têm que os possa tornar agradáveis para outrém. Apenas não consegui sentir-me ligada a eles. Não consegui sentir aquela sensação "estou a adorar ler este livro". Apenas consegui passar o tempo a reparar nas coisas que não me agradavam na história, precisamente porque a leitura não estava a ser cativante.

Sobre alguns tinha determinadas expectativas, que acabaram por não corresponder à realidade. Outros introduzem coisas na narrativa que na minha opinião só enfraquecem a história. Um ou dois detestei, mesmo, mas acho que é óbvio pelos textos que se seguem. Porque quando não se gosta, às vezes temos que nos justificar o dobro do que se tivéssemos gostado, e por isso os textos também são mais longos.

E, outra vez, dou por mim a fazer batota e a fazer um top 11 em vez de top 10. Acabei por adicionar uma série que me desiludiu ao longo do ano, é o bónus do top. Volto a repetir, estão por ordem de leitura durante o ano, não por ordem de (des)favoritismo.

Em Parte Incerta, Gillian Flynn - Intelectualmente, consigo compreender o apelo do livro, e porque agradou a tanta gente. Reconheço que a autora tem umas boas ideias, escreve duma maneira viciante, e que os twists são bons, e seriam fabulosos se estivesse a ler outro livro (ou o mesmo, escrito de forma diferente). MAS. Tenho uma aversão ao modo como a autora decidiu escrever e abordar certos aspectos da narrativa, e por isso nunca vou poder considerar que foi uma boa leitura. Reconheço que um livro que um ano depois ainda me põe a debater para encontrar palavras para o descrever é qualquer coisa de extraordinário, mas aqui não é no bom sentido. (Sobre o descrevê-lo, finalmente encontrei alguém que o fez muito melhor que eu. Encontrei há pouco tempo a opinião das The Book Smugglers sobre o livro, e subscrevo, especialmente a parte da Ana, que descreve EXACTAMENTE como me senti. Haja alguém que me compreende.)

A Laranja Mecânica, Anthony Burgess - Este tem um problema semelhante ao do anterior: não suporto pseudo-psicopatazinhos que acham que eu devia ter pena deles. Não concordo com o que o autor está a tentar dizer sobre a juventude. (Basicamente, vão levar este mundo para o Inferno. O livro foi escrito há 50 anos. Ainda aqui estamos.) Não concordo com o que o autor está a tentar dizer sobre a psicopatia e sobre a violência. (Basicamente, que crescemos e se vai embora. Isto está tão errado.) A única coisa boa que tenho a reconhecer é a tentativa de debate sobre bem e mal e a nossa capacidade de livre arbítrio. Mas uma questão tão boa está embrulhada num pacote tão mau.

O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald - Este é um caso de desilusão e de expectativas desencontradas. Não esperava aborrecer-me com a história, nem com os personagens. E não esperava ficar com a sensação de que o Fitzgerald estava demasiado apaixonado pela própria escrita para prestar atenção à história que estava a escrever.

Dead Silence, Kimberly Derting - Kim, querida, porquê? Porque é que tinhas que escrever um livro que repete os temas do livro anterior? E pior, escrever um livro que é o último duma série e não transmite nada a sensação de ser o final? Não precisava dum fim fechado, um aberto serve perfeitamente (dependendo da história), mas precisava de uma sensação de encerramento, de término. Não tive direito a ela.

Matadouro Cinco, Kurt Vonnegut - Expectativas, expectativas, expectativas. Estava à espera que o livro fosse fabuloso (até que gosto de narrativas desenquadradas), mas não me cativou. Estava à espera que me emocionasse (é um livro sobre a 2ª Guerra Mundial, bolas, e nem uma lágrima!), mas não aconteceu.

Requiem, Lauren Oliver - Acho que o pior deste livro foi a traição emocional que senti ao terminá-lo. Adorei a Lena (a protagonista) no segundo livro, Pandemonium, mas aqui ela regride, e pior, parece que não aprendeu nada. A maneira como ela se comporta é a coisa mais egoísta que eu já vi. Não consigo acreditar que uma autora que tinha umas coisas tão interessantes a dizer acerca do amor termine a trilogia com a moral: o amor é egoísta e mesquinho. Simplesmente não consigo. É por isso que enquanto me lembrar desta experiência não sei se vou conseguir pegar noutro livro dela. (Bem, tenho cá por casa o Antes de Vos Deixar, por isso se calhar ainda vou ter de morder a língua. Mas lá que não estou com muita vontade de comprar mais livros dela, ou sequer tentar interessar-me pelo que ela vai publicar a seguir, não estou.)

O Pistoleiro, Stephen King - Um caso de expectativas, que acredito que me tenham colorido de maneira negativa a leitura. E o facto de isto ter sido escrito originalmente pelo autor quando tinha 19 anos (a acreditar no que li algures) - ainda que pelo meio tenha existido muita reescrita e edição - também não ajuda, porque todo o livro me soou a incompleto, imperfeito, como se as ideias não estivessem bem assentes. Não importa que a série melhore para a frente. O livro devia valer por si próprio, não por ser parte duma série.

The Falconer, Elizabeth May - Isto tinha o potencial para ser tão bom. O mundo - Edimburgo do século XIX, ligeiramente steampunk, ligeiramente paranormal - e o conceito - uma menina de sociedade é uma assassina devotada de seres féericos - são fabulosos. Mas a execução deixa a desejar. A evolução do enredo é escrita de forma desajeitada, e o desenvolvimento dos personagens é péssima. E aquele fim. Ugh. Nem sequer é um cliffhanger, parece apenas que se esqueceram de publicar o último capítulo do livro.

O Homem do Castelo Alto, Philip K. Dick - Queria mesmo gostar do livro. Suponho que apenas não tinha as expectativas no lugar certo. Mas não sou fã da sensação de randomness que a leitura me transmitiu. O fim é demasiado aberto, e não consegui gostar de nenhuma das personagens. Não houve nada que no fim me fizesse dizer "uau, foi uma boa leitura". Boas ideias não fazem um livro interessante.

Fahrenheit 451, Ray Bradbury - Também é um caso de expectativas mal colocadas, provavelmente. Tudo o que tinha ouvido falar do livro fez-me pensar numa coisa completamente diferente do que obtive. E dei por mim a revirar os olhos quando o autor se punha com aquelas metáforas. Ugh, que exagerado. Não me ajudou a levar a história a sério.

Imperfeitos, Perfeitos, Especiais, Scott Westerfeld - Junto os três num porque os li durante o ano e são uma só história, ainda que em três livros. Mas foram a modos que uma desilusão. O autor tem boas ideias, tem sempre, e aqui tinha uma oportunidade muito boa para falar de beleza e de como é subjectiva. Mas perde-se completamente. O fim do Especiais é especialmente ridículo nesse aspecto. É principalmente a sensação de que podiam ser tão melhores que me faz considerá-los uma desilusão.

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Em jeito de despedida, prefiro focar-me nas coisas que gostei de ler em 2013, e esquecer-me das que menos me agradaram. E espero que 2014 seja ainda mais recheado de boas leituras. (A julgar pelo mês de Janeiro, está no bom caminho.) Se ainda estão a ler isto, muito obrigada pela vossa atenção.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Picture Puzzle #75


O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Chaise Longue.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.

Puzzle #1
Pista: título clássico em português.

Puzzle #2
Pista: título fantástico em português.

Divirtam-se!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

How to Be Popular, Meg Cabot


Opinião: Ando há tanto, TANTO, tempo a projectar comprar e reler a backlist (isto é, os livros todos da autora publicados no passado) da Meg Cabot, pelo menos os que não tenho (que são todos menos os publicados em português... incluindo as séries que ficaram penduradas), mas até agora tenho falhado em começar a trabalhar nesse objectivo. Pois bem, essa procrastinação acabou. Declaro oficialmente aberta a época de caça à backlist da Meg até eu ter lido tudo, tudinho mesmo. Não importa quanto tempo demore. Parece que tenho mesmo muitas saudades de ler os livros dela.

Já tinha lido How to Be Popular no passado, e foi por isso que o escolhi. Tinha boas memórias dele. A protagonista da história é Stephanie Landry, e Steph tem um problema: um incidente com uma colega há cinco anos levou a que a expressão "dar uma de Steph" (quando alguém faz uma asneira) se tornasse parte do vocabulário das pessoas da cidade. Agora Stephanie tem um plano: aplicando os ensinamentos do livro How to Be Popular, vai tomar a escola de assalto e tornar-se na rapariga mais popular, deixando o malfadado acidente e a terrível expressão para trás.

As razões pelas quais gosto do livro sobrepõem-se com as razões pelas quais gosto da escritora. A escrita é muito fresca, os livros lêem-se num instante (menos de um dia para este), e as protagonistas têm a combinação certa de drama adolescente, neurose, e humor. Há sempre um conflito, geralmente criado pela própria, ou até apenas "percebido" pela própria. E uma resolução, em que a protagonista resolve o conflito e aprende qualquer coisa, e/ou cresce um pouco. Admitidamente, os livros dela são um pouco formulaicos, mas é a maneira e o humor como ela escreve, e as coisas que introduz na história, que acabam a fazer a diferença para mim.

Gostei muito da Steph como protagonista. Tudo o que ela estava a tentar fazer era ultrapassar a fama que tinha ganho, graças à forma de tortura que a colega, Lauren, criou para gozar com ela nestes 5 anos. E de certo modo resultou. As coisas que ela fez são muito simples, até óbvias - participar mais, dar boas ideias, mostrar iniciativa -, e resultam. O que acontece é que nem toda a gente tem paciência e feitio para "ser popular", e a Stephanie vai descobrir que ser popular dá mais trabalho do que vale a pena.

Os personagens do grupo popular são um tudo-nada cliché, aparentemente, mas a autora consegue dar ali a volta aos clichés dumas maneiras giras. A miúda gira e burra que tem imensos rapazes à volta é mais esperta do que parece. A entourage da menina má está farta de ser torturada por ela. O rapaz-estrela bonzinho é na verdade um manipulador. Há uma série de preconceitos sobre "o grupo popular" e sobre a popularidade que são desmontados, algo que é muito interessante de ler.

Destaque ainda para duas coisas. A primeira é o avô da Steph. Gosto da relação que a Stephanie tem com ele, no seu gosto mútuo por contabilidade e queda para fazer dinheiro. Acho piada ao avô ir casar-se novamente, com uma senhora que tentou impressionar ao construir um observatório astronómico na terra - só porque o neto dela gosta de astronomia!

A segunda são os amigos da Steph, cheios de idiossincrasias e pequenos detalhes que os tornam reais. A adorável e tímida Becca, que anda um pouco desorientada quanto à sua vida amorosa. E o Jason, que a Stephanie conhece desde sempre. É deliciosamente nerd mas parece que também ficou bem giro nas férias (palavras da Steph). Adoro a relação que eles têm, sabem tudo um sobre o outro (bem, quase tudo), são melhores amigos, trocam piadas, entendem-se como ninguém... e estão secretamente caidinhos um pelo outro. Que fofinhos.

Só me falta mencionar o final, que é a razão porque este livro é tão memorável para mim. Acho perfeita a frase - aliás, a cena toda - com que a autora revela os sentimentos do Jason, e depois os da Stephanie. Simplesmente adorável. Merecia ser feito um filme só para eu poder ver a cena no ecrã.

Ponto extra ainda para a maneira como eles lidam com "o grupo popular" no fim. Inverte um pouco as coisas, e pode ser que isso traga alguma mudança. Ah, e a última entrada no "diário"/relato da Steph também é bem engraçada, com uma bela ideia do Jason à mistura.

Primeira experiência na caça aos livros da Meg Cabot: um sucesso. Venham lá mais desses livros.

Páginas: 320

Editora: HarperTeen (HarperCollins)

domingo, 26 de janeiro de 2014

Paixão Proibida em Summerset Abbey, T.J. Brown


Opinião: Depois do fim inesperado e surpreendente de As Mulheres de Summerset Abbey, Paixão Proibida em Summerset Abbey continua a história de três jovens mulheres na época que antecede a Primeira Guerra Mundial, a época edwardiana.

Estes livros deixam-me uma sensação curiosa. Não os acho nada de especial, a escrita da autora não é deslumbrante, o desenvolvimento da história não é excitante, e há por vezes demasiadas coisas nos personagens que me deixam frustrada... mas tenho gostado de os ler. Aprecio o modo como a autora tem mostrado vários aspectos da vida de uma mulher nesta época, pois tem-no feito de modo cativante e credível. E as três protagonistas dão comigo em doida com algumas das suas atitudes, é certo, mas tenho denotado uma evolução nestas jovens e tenho gostado de a ver.

Rowena começou o primeiro livro mostrando-se frágil e fazendo uma asneira quase imperdoável, mas acabei por me compadecer dela e gostar desta rapariga triste e em luto pela perda de uma parte da sua vida. Neste segundo livro, o seu romance com Jon, o piloto de aviões conhece alguns desenvolvimentos, e devo dizer que não previa o modo como as coisas se encaminharam, mas acabam por fazer sentido. E sobretudo, gostava de ver onde o engano perpetuado por ela e pelo Sebastian vai parar. Outra coisa que gostei é o crescente interesse dela pela aviação. A Primeira Guerra está a chegar, calculo que apareça no terceiro livro, e fico animadíssima só de pensar que ela pode vir a ter um papel nela.

A Victoria, já o disse na outra opinião, parece ser a personagem mais fácil de gostar, pelo seu idealismo. Mas detesto com todas as minhas forças a sua ingenuidade extrema, que roça mesmo a estupidez. É que ela comete aqui uma série de erros que me deram vontade de bradar aos céus... *suspiro* Enfim, ainda assim posso destacar da sua história alguns aspectos que apreciei ver abordados, como a sua tentativa de ser publicada numa revista científica, e a questão das sufragistas. Estas acabam por não ter um papel muito abonatório na história, mas como em tudo, há pessoas boas e há pessoas más. Aqui a autora aproveita para mostrar alguns erros que as sufragistas cometeram na sua luta por um objectivo admirável. E enfim, a Vic acaba por passar por uma experiência difícil, mas que espero que a ajude a crescer e a ter dois dedos de testa no futuro.

A Prudence é a personagem com a história de vida mais interessante, mas aborreceu-me ocasionalmente com tanto queixume sobre aquilo que deixou para trás e sobre a escolha que tomou. Minha querida, já ouviste falar daquele ditado sobre deitarmo-nos na cama que fizemos? (Aqui, com aplicação muito literal.) Ainda acho que foi uma escolha precipitada, mas adorei ver as suas consequências. O Andrew é um doce de pessoa e é divertido ver as peripécias por que a Prudence passa para aprender a ser uma dona de casa. E gosto de ver a sua relação, que não começou exactamente por amor (pelo lado da Pru, pelo menos), mas tem evoluído duma forma carinhosa e adorável.

Em termos de personagens secundários, desta vez gostaria de falar um pouco dos rapazes da narrativa. Primeiro, o Jon, do qual eu até gostava bastante, mas que nunca propôs à Rowena algo sério, e que no fim acaba por ter uma reacção ridícula e execrável. Tenho pena, mas prefiro que a sua intervenção na história termine por aqui. Já o Sebastian tem-se mostrado uma surpresa agradável. A suspirar de desgosto graças a um coração partido, tem-se mostrado um apoio e um bom amigo para a Rowena. Acaba por representar a questão de um primeiro amor frustrado, e quem sabe uma segunda tentativa não dará melhores frutos.

O Andrew, já disse, é um jovem adorável, adora a Pru, determinado em melhorar as suas condições e em estudar para se tornar veterinário. Gosto muito de o ver com a Prudence, e agora acho que teria um desgosto se a autora se lembrar de o enviar para a guerra e ele morrer lá. Para mim representa a possibilidade de um segundo amor para a Prudence, se apenas ela se abrir à possibilidade. Já o Kit é tão sarcástico e descomplicado, e por isso adorei vê-lo como uma abelhinha à volta da Victoria, completamente caidinho. É um bom amigo para ela, mas gostava de os ver juntos. Acho que uma parte importante da questão da independência da Victoria como mulher é o poder escolher, mas também o aperceber-se que às vezes pode escolher duas coisas e fazê-las funcionar em conjunto. Não vejo porque é que o casamento a haveria de impedir de fazer as coisas que sonha fazer.

Sobre a família em Summerset, ainda detesto a tia Charlotte, mulher manipuladora e mesquinha. Já o tio Conrad mostrou ali no fim um bocadinho de personalidade, gostava de ver mais no próximo livro. A Elaine não sei o que está ali a fazer, coitada, parece uma bengala para as outras personagens usarem, sem ter consequência no enredo ou história própria. Adorava ler mais sobre a Katie, por exemplo, a jovem secretária que foi criada dos Buxton, ou sobre a Eleanor, a enfermeira compassiva.

Sobre as sufragistas, bah, não gostei das personagens que nos foram apresentadas, por razões óbvias. Logo no início desconfiei do modo como estavam a tratar a Victoria, e acho que foi extremamente estúpido o que lhe fizeram. Queimaram ali uma oportunidade de obter apoio para a causa e no fim não conseguiram nada com o que aconteceu à Vic, por isso acho ridícula esta parte do enredo.

Como referi ali em cima, o livro em si não é nada de extraordinário, mas a autora consegue dar-lhe alguns pontos que o redimem e lhe conferem interesse. O retrato da época, que é bastante abrangente e mostra muitos detalhes diferentes sobre classe, a posição da mulher na sociedade, e a vida encantada antes da Primeira Guerra. O enredo, que por vezes me frustra, mas nunca aborrece, com as suas reviravoltas - e melhor, está a ir por direcções inesperadas que contudo me deixam muito animada por ler o terceiro e último livro. Espero que não demore.

Páginas: 296

Editora: Noites Brancas (Clube do Autor)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Angelfall, Susan Ee


Opinião: Ser leitora também é isto: encontrar um livro que nos encha as medidas, para logo a seguir ficarmos insatisfeitos porque nos soube a pouco, e queremos ler mais, tipo, já, agora, imediatamente, para ontem, se for possível, antes que a curiosidade nos mate.

E sim, é o caso deste livro. Angelfall passa-se no nosso planeta, num momento em que o apocalipse chegou há 6 semanas, pelas mãos de anjos. Seres que trazem a destruição e o caos à Terra, seres maus e bons e violentos e poderosas e corruptíveis e terríveis. E só isto já me deu vontade de abraçar o livro e a autora. Se é para termos um Apocalipse bíblico, é assim que eu o quero ver. Caos! Destruição! O fim do mundo como o conhecemos! Anjos absolutamente aterradores! (Bem, depende do anjo.)

Gostei de ler sobre o aspecto pós-apocalíptico da história. A sobrevivência é o aspecto mais importante na mente da personagem principal e da sua família, vê-se no que fazem e dizem (mais a Penryn). Acho fascinante ler sobre os edifícios abandonados, sobre os gadgets electrónicos descartados e usados para fazer muros, sobre a incursão por casas abandonadas para aproveitar o que for possível.

Quanto à Penryn... que caixinha de surpresas e dualidades. É uma jovem que foi forçada a tornar-se responsável pela mãe louca e pela irmã doente, cheia de recursos e determinada. Toda ela está focada na sua sobrevivência e na da família, mas às vezes nota-se que faz o luto pelo mundo que já não existe e pela vida que não teve. Tem os seus momentos de doçura e compaixão, mas também tem o seu quê de malícia e manipulação. É um pacote completo, e gosto muito dela como protagonista.

Quanto ao Raffe, é um pouco mais impenetrável, porque a história é contada do ponto de vista da Penryn; mas dá para deduzir algumas coisas do que faz e diz, e da sua interacção com outros anjos. Tem um certo sentido de humor que me agrada, e tem definitivamente mais do que se lhe diga. Achei as cenas finais mais esclarecedoras... para não falar dum certo acontecimento, que promete mudar o status quo. Intrigante. Estou com muita vontade para ver como a autora vai desenvolver as coisas a partir daqui. Há muita coisa na política entre os anjos, e na maneira como eles fazem as coisas, que me deixa curiosa. (Para não falar do que alguns andam a tramar. Vi por ali umas coisas arrepiantes.)

Quanto à Penryn e ao Raffe como par, gostei de ver a sua evolução. Começam naturalmente por uma aliança insegura por terem objectivos que se complementam, mas à medida que viajam encaminham-se para uma confiança e uma boa parceria. Até funcionam bem como equipa, o que me surpreendeu, e têm mais em comum que provavelmente admitiriam. E a parte romântica está lá, mais subtil, o que me agrada, porque a aproximação nasce duma convivência forçada mas também dum encontro de personalidades compatíveis. É delicioso ver a lealdade mútua que têm no fim, e a determinação em lutarem juntos, e um pelo outro.

Quanto ao enredo e à evolução da história, não deixa quase respirar. As coisas sucedem-se em catadupa, o livro lê-se depressa (também é curtinho), e quando dei por mim estava no fim. Parte da história é mais survivalista, enquanto a Penryn e o Raffe se deslocam para o seu destino, mas a segunda parte é mais acção pura, à medida que os protagonistas tentam atingir os seus objectivos. A recta final é viciante, não me deixava mesmo largar o livro, e fiquei vidrada naquele fim. Ah... tantas perguntas por ver respondidas, tanta coisa por ver resolvida.

No entanto - e esta é a parte que me soube a pouco - cheguei ao fim com a sensação de a história não ter mesmo terminado. Como se faltasse um bocadinho do livro. Não sei explicar... mas é desconcertante. Talvez aconteça porque este é a primeira parte de cinco que a autora tem planeadas, e parte de algo maior.

Páginas: 288

Editora: Skyscape

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Colecção Super-Heróis DC Comics Série II - Volumes 6, 7 e 8

Liga da Justiça e Sociedade da Justiça: Virtude e Vício, Geoff Johns, Stephen Sadowski, David Goyer, Carlos Pacheco, Don Kramer
Este volume reúne um conjunto de três histórias que aborda a reunião de duas equipas de super-heróis da DC, a Liga da Justiça (JLA) e a Sociedade da Justiça (JSA). A primeira história funciona como uma espécie de prequela à história principal, Virtude e Vício, estabelecendo o conflito nessa história, mas acaba por não ser muito necessária para o efeito, na minha opinião. Talvez fosse mais útil para quem segue frequentemente os comics e os personagens. Apesar disso, tem alguns momentos giros, como o jogo de hóquei, em que o Homem-Hora estraga o final aos companheiros, ou a conversa entre a Poderosa, a Sideral e a Mulher-Maravilha sobre o Super-Homem.

A segunda história, Virtude e Vício, tem uma premissa muito engraçada. Os heróis das duas equipas estão reunidos para o dia de Acção de Graças, quando um ataque à Casa Branca e ao presidente (Lex Luthor, o que é uma ideia interessante) leva a que sete dos heróis sejam possuídos pelos demónios dos sete pecados mortais. Gostei da premissa, mas gostaria ainda mais se as características dos demónios e dos pecados fossem mais e melhor exploradas. Teria sido divertido ver os heróis dominados pelos pecados e a encarná-los verdadeiramente. O modo como se mostra quais são os pecados que eles representam é mais show que tell. Ainda assim, é uma história divertida, que como bónus permite ver mais um bocadinho de alguns personagens que já conhecia.

A terceira história, Virtude, Vício e Tarte de Abóbora, pega na mesma premissa (heróis reunidos durante a Acção de Graças), e sendo mais curtinha, explora adequadamente aquilo a que se propõe: sarilhos quando os heróis se reúnem (o Batman é que tinha razão). Foi divertido ver os vilões irromper no meio do jantar e ficarem surpreendidos com a quantidade de gente que afinal tinham de enfrentar. Além disso, as rivalidades e piadinhas trocadas entre heróis também são engraçadas de ler.

Super-Homem: Herança Vermelha, Mark Millar, Dave Johnson
Esta história é qualquer coisa de genial. Adoro a premissa de o Super-Homem aterrar na meio da URSS, em vez de nos EUA. (Não é coisa que não me tivesse passado já pela cabeça, o Super-Homem ter crescido e sido educado noutro local que não os EUA.)

E a execução é muitíssimo interessante. Gostei imenso de ver como a historia ao longo do século XX acabou por evoluir com esta pequena alteração, como uma coisa tão simples tem um impacto tão grande. Acho interessantíssima a inversão de papéis entre o Kennedy e o Nixon, e como os autores usaram a situação em Roswell para criar a história de origem de outro herói da DC. (O Hal Jordan é um pouco assustador aqui, depois do que sabemos que lhe aconteceu para o tornar merecedor do anel do Lanterna Verde.)

Há coisas que não mudam, no entanto. O Super-Homem continua a tentar fazer o bem, e ajudar quem pode, e os seus motivos são relativamente bons. (Não quer ganhar o mundo pela força, por exemplo.) Mas acaba por deixar-se ser um pouco uma marioneta do mundo em que se insere, deixar-se corromper absolutamente pelo poder absoluto que lhe é colocado nas mãos. É um ponto de vista interessante sobre o personagem.

Há outros personagens que têm uma vida completamente diferente, graças a esta mudança de eventos. A Lois está casada com o Lex Luthor. O Jimmy Olsen é um agente ao serviço da CIA que acaba a trabalhar com o Lex. E o próprio é um cientista obcecado com as suas invenções e com derrotar o Super-Homem (bem, aqui, nada de novo).

Adorei o fim da história. Acaba por ter uma qualidade cíclica intrigante, e fiquei fascinada com a evolução do planeta após a saída de cena do Super-Homem.

Batman: Contos do Batman, Tim Sale, James Robinson, Alan Grant, Darwyn Cooke
Li este volume com uma certa sensação de cansaço. A este ponto da colecção, já se torna aborrecido ler o milionésimo volume do Batman. Parece hilariante, mas sim, as escolhas dos responsáveis da colecção tornaram-me o Batman aborrecido. O Batman! *facepalm*

Continuo a queixar-me da falta da variedade da colecção, parece que quase metade dos livros é só Batman e Super-Homem, e valha-me Deus, estou a ficar enjoada dos dois. Acho que não precisávamos duma extensão da colecção se era só para enfiar mais Batman e Super-Homem. A Mulher-Maravilha, supostamente a terceira figura mais destacada da DC, a seguir a estes dois, só tem direito a um livro, o que na minha opinião é injusto. Por favor, quando até o Joker teve direito a um volume!

Muitos poucos heróis da DC, fora o núcleo/duo central, têm destaque e direito a volume próprio, e gostava de ter lido qualquer coisa com o Aquaman, porque nada sei dele a não ser o que vi no Justiça. Talvez também o Martian Manhunter. Ou a Catwoman, também acho que merecia um volume, já que o Joker mereceu, porque tem tanto ou mais protagonismo que ele. E também gostava muito de ver o Capitão Marvel e a sua, hã, família esclarecidos num volume próprio, porque a dinâmica daquela equipa é um pouco confusa para mim. E gostava que a Canário Negro, ou talvez as Birds of Prey, tivessem tido direito a um volume, acho que teria sido interessante de ler.

Bem, vou parar de me queixar. Mas lá que não li este volume com a mesma vontade, não li, que tanta repetição (até já tivemos um volume com "contos" do Batman na série I desta colecção, o Outros Mundos) já chega.

A primeira história, Lâminas, conta duas histórias em paralelo. O que narrativamente não faz muito sentido, porque acaba por desviar a atenção do Batman do que realmente importa, e os dois enredos nem sequer estão ligados, a não ser pelo próprio Batman. Mas se pensar nas duas histórias em separado, encontro bastantes coisas que me agradam. A obsessão do Batman pelo criminoso Sr. Lime, e de como ela quase o impede de descobrir quem anda a cometer os crimes. A teatralidade do Cavaleiro e as referências a filmes, o seu cavalheirismo e a sua necessidade de proteger uma jovem desesperada. (Fez-me lamentar o final, apresar de compreender a opção tomada.)

A segunda história, Os Marginais, é aquela que me deixou mais indiferente. Os vilões são de segunda categoria, pouco reconhecíveis. (Acho que não conhecia nenhum.) O que mais me interessou aqui na história foi o rapto do Bruce, com o Gordon e o Mayor, que o impediu de vestir o manto do Batman, e foi a história do Nimrod, que estava apenas à procura de justiça.

A terceira história, aMor Cego é muito curta mas muito satisfatória, e bem divertida. (Pontos bónus para o título, que consegue exprimir um trocadilho tão bem como o título original, apesar de não ser uma tradução literal ou fiel do título.) O Batman e a Catwoman enfrentam-se, mas em certos momentos parece mais um encontro que outra coisa. E acho piada ao modo como a Catwoman lida com o Batman, especialmente no final. Muito engraçada.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Picture Puzzle #74


O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Chaise Longue.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.

O puzzle #2 não foi adivinhado a semana passada, por isso está de volta esta semana, com mais umas pistas e uma nova imagem para a segunda imagem, a ver se ajuda... ;)

Puzzle #1
Pista: título histórico em português.

Puzzle #2
Pista: título adulto contemporâneo em português; é o segundo terceiro livro da autora publicado em Portugal, e o segundo de uma série. Pista para a segunda imagem: o verde é a cor da ...?

Divirtam-se!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

These Broken Stars, Amie Kaufman, Meagan Spooner


Opinião: Que desgraça, este livro foi o primeiro que li em 2014 e só agora estou a escrever a minha opinião. Mas tenho uma boa razão para isso, tenho andado distraída e ocupada com outras coisas, e quero mesmo escrever uma opinião em condições, que faça jus ao livro, e isso pede tempo e dedicação. Vamos lá ver se consigo fazer alguma coisa de jeito.

These Broken Stars é uma pequena caixinha de surpresas de bombons - começamos por comer só um, mas depois são tão bons que quando damos por nós lá se foi a caixa inteira. (Ups.) O livro tem imensas facetas, algumas que pareceria que não têm ligação possível, mas as autoras fazem um trabalho fantástico em juntar tudo sem parecer que temos ali um patchwork mal costurado de vários tecidos diferentes.

Gostei imenso da junção de vários tipos de história num. Primeiro começamos com a premissa "Titanic no espaço" - e eu era um pouco céptica em relação à parte do Titanic antes de ler, mas sim, muita coisa no início me recordou do Titanic, e o melhor é que é uma referência que ficou bem ancorada, e funciona mesmo bem dentro deste mundo. A Lilac e o Tarver vêm de lados opostos da escala social, e a tensão daí derivada é muito interessante. Por outro lado, aprecio a referência mitológica feita com o nome da nave - Icarus. É um nome mitológico (como o Titanic também o é), e fala-nos de hubris e de uma nave grandiosa construída com a arrogância do Homem (bem, de um homem, o Sr. LaRoux) que acaba por ser castigada pelos deuses e arrancada dos céus (ou do mar, no caso do Titanic).

Depois a história agarra noutro tipo de enredo para continuar - uma combinação de uma história survivalista, com alguns pós de exploração de um local inóspito, e uma boa dose de romance. A Lilac e o Tarver, os protagonistas, são os únicos sobreviventes após o despenhamento da Icarus, e o resto da história segue-os enquanto tentam sobreviver ao planeta onde aterraram, tentam encontrar uma maneira de voltar para casa, e tentam descobrir os mistérios deste planeta. Adorei conhecer melhor o planeta e perceber, juntamente com os protagonistas, que raios se passa com este planeta, terraformado e pronto para receber colonos, mas sem ninguém à vista. Onde os sussurros no vento quase nos fazem pensar que estamos loucos.

É claro que um enredo que junta duas pessoas sozinhas no meio de nenhures vai sem dúvida dar algum destaque ao evoluir da sua relação. E foi uma coisa que me deu gosto acompanhar. A Lilac e o Tarver começam a sua relação com o pé esquerdo, para o qual contribuem alguns preconceitos acerca das suas posições na sociedade... e no entanto, é isso que é cativante. Vê-los perder os preconceitos e chegarem a um entendimento mútuo. São duas pessoas muito diferentes que descobrem que têm algo em comum  - e não, não é só estarem presos num planeta inóspito: ambos são definidos pela sua posição social e acções, e a ambos é concedida uma liberdade inesperada ao encontrarem-se neste planeta. Deu-me prazer torcer pelos dois e como eles, quase desejei que não pudessem voltar para a civilização, que acaba por ser uma ameaça ao que construíram entre os dois durante a estada no planeta.

Por falar nos protagonistas... gostei mesmo deles. A Lilac é uma miúda mimada, a filha do homem mais rico do universo, mas também sabe navegar os mares tempestuosos da sua sociedade com uma maturidade impressionante. É tão casmurra e orgulhosa (a insistência dela em caminhar pelo planeta fora com aqueles sapatos horrendos e o vestido lindíssimo mas pouco prático é divertida), mas é muito corajosa e resistente. O Tarver já tem as ferramentas (tanto físicas como psicológicas) para sobreviver num ambiente destes, mas a Lilac não. É um testamento à sua personalidade forte que continuasse a caminhar e não se enroscasse num canto para morrer.

O Tarver é um personagem giro. Mais calado e com uma veia artística, muito paciente (ele teve que arrastar uma herdeira de saltos altos pela selva, vamos dar-lhe algum crédito), algo estóico. Ao início fica fascinado pela Lilac e interessa-se genuinamente por ela, mas a maneira como ela lhe responde abafa-lhe o interesse e leva-o a exasperar-se com ela. É o Tarver o responsável pela sobrevivência dos dois, porque a sua formação assim o permite, mas curiosamente é a Lilac a responsável em primeiro lugar por estarem os dois vivos e abandonados no planeta.

E à medida que a história evolui a Lilac acaba por se sentir mais à vontade no planeta e torna-se tão responsável pela sobrevivência dos dois como o Tarver. Gosto disso, que não se estabeleça um desequilíbrio na sua relação, porque é um aspecto importante da mesma, que os preconceitos e aparentes superioridades ou inferioridades sejam postos de lado e que os dois sejam parceiros iguais.

Gostei muito da escrita. Nunca se nota que foi escrito por duas pessoas, o que é um bom sinal - de que o seu trabalho se complementa. O estilo resultante agradou-me, é um tipo de escrita bonito. E apreciei o enquadramento que as autoras dão à narrativa: entre capítulos temos excertos de uma entrevista ao Tarver, presumivelmente após os eventos ocorridos no planeta, feita por uma entidade desconhecida. E torna-se fascinante perceber as discrepâncias entre o que acontece e o que o Tarver conta, o que subentende que algo de errado se passou entre os dois momentos... deixou-me com ainda mais vontade de continuar a ler.

Quanto ao planeta e ao seu mistério... muito intrigante. Havia algo de errado com aquele local, desde o início que era óbvio. E fiquei mesmo empenhada em perceber o que se estava a passar. Há um certo twist ali mais para o fim que me deixou abismada, traumatizada, e pronta a arrancar cabelos, um pouco à semelhança de um dos personagens... mas depois as coisas dão ainda mais uma reviravolta, que me deixou completamente assombrada. Reagi um pouco como o Tarver, primeiro desconfiada, depois uma crente... As ramificações e consequências do que estava a acontecer eram um pouco perturbadoras, mas também me deixaram curiosa em perceber como as autoras iam resolver a situação. (Posso dizer que fiquei satisfeita com a solução dada e o seu resultado.)

Um ponto que tenho mesmo de mencionar é o fim... sei que as autoras têm uma trilogia planeada, e que cada livro se foca num casal diferente, e por isso a história da Lilac e do Tarver fica aqui fechada (e bem fechada). Contudo, não deixo de ficar com vontade de ver como será a reintrodução à sociedade depois do que aconteceu. Adorava que as autoras escrevessem umas cenas bónus para mostrar isso. (Ou, sei lá, mostrar um bocadinho disso no livro seguinte.)

O outro aspecto do fim que quero mencionar é o pai da Lilac, o Sr. LaRoux. Um homem arrepiante (mas ele quer que a filha viva fechada numa gaiola? para não falar do que estava a acontecer no planeta...), e aparentemente o vilão não só deste livro mas também dos seguintes (a publicidade da trilogia fala de três histórias, mas um inimigo). E eu estou muitíssimo curiosa em ver o que as autoras têm em mente para a evolução da trilogia, e para o papel deste homem na mesma. Depois do que vi li aqui, tenho muito boas expectativas acerca destas autoras e desta trilogia.

Páginas: 384

Editora: Disney Hyperion

domingo, 19 de janeiro de 2014

Frigid, J. Lynn/Jennifer L. Armentrout


Opinião: Um curto romance fofinho, Frigid conta a história de Sydney e Kyler, amigos desde sempre e secretamente apaixonados um pelo outro, mas incapazes de se declarar por uma série de razões. Só que durante umas mini-férias na neve, em que ficam presos devido a uma tempestade, vão dar (finalmente) voz a uma série de sentimentos escondidos, e o resultado é explosivo.

A premissa é em si bastante cliché, friends-to-lovers, mas apreciei o modo como a autora a executou. Os protagonistas têm uma série de razões válidas para evitar revelar os seus sentimentos, mas se isto fosse escrito por outra pessoa era capaz de ter arrastado as cenas e desentendimentos entre os protagonistas, e usado excessivamente essas "razões" como motivo para engonhar a progressão da narrativa. O que aqui não acontece, e estou contente que não tenha acontecido. É uma das principais razões para me aborrecer com um romance.

Gostei da Sydney. Era um pouco neurótica, e houve ali uma altura em que se irritou pelas razões erradas, mas adorei quando ganha coragem para puxar pelo Kyler. Foi muito divertido. Aprecio que tenha coragem para pedir o que quer, ainda que de início não tivesse sido completamente honesta em relação ao que queria mesmo. E gosto dela só por ser uma leitora. (Até acho que sei o que é que ela estava a ler em certa cena.)

Quanto ao Kyler, bem, revirei um bocado os olhos com o modo que ele tinha de lidar com os sentimentos pela Sydney, mas, ei, cada maluco com a sua mania. Apesar disso, achei o seu percurso relativamente interessante, e gosto que não seja apenas uma cabecinha bonita. Mete muito as mãos pelos pés, coitado, mas gosta imenso da Sydney, por isso vou dar-lhe um desconto.

Como disse anteriormente, gostei bastante que a autora não arrastasse a situação entre os dois, porque assim levou a história por um percurso algo inesperado. Apesar de ser óbvio para toda a gente, menos para eles, de que têm sentimentos um pelo outro, ambos acabam por se envolver sem haver propriamente uma, hmm, declaração de sentimentos, o que complica e descomplica ao mesmo a relação entre ambos. O envolvimento físico acaba por dar-lhes um empurrão na direcção correcta, e no fim só lhes falta reconhecer o sentimento mútuo. (A propósito, achei alguma piada às intromissões, ou ajudas, que a Andrea e o Tanner deram. Gostava imenso que estes dois tivessem um livro para eles, porque parece que há ali uma boa história para contar.)

O pequeno mistério da história foi bastante óbvio desde o início para mim, mas deu um toque de perigo a uma situação que de outro modo podia tornar-se aborrecida e repetitiva. E claro, deu o mote para o Grande Desentendimento - todos os romances têm um, em que o casal se zanga por uma razão absolutamente parva para depois se reconciliarem numa cena altamente romântica e/ou grandiosa. Bem, de todos os Grandes Desentendimentos, este nem é dos mais parvos, apenas fruto da irritação do momento. E deu uma cena final gira, que eu já estava totalmente à espera que acontecesse, por um pequeno detalhe da infância dos dois ter sido revelado anteriormente.

Páginas: 272

Editora: Spencer Hill Contemporary