sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Este mês em leituras: Fevereiro 2014

E mais um mês termina! Curtinho, e cheio de trabalho, o que justifica uma actividade menor aqui no blogue. Tenciono recuperar e publicar algumas opiniões que me faltam em Março.

Opiniões no blogue


Os livros que marcaram o mês

  • Sonhos de Papel, Ruta Sepetys - um livro doce e fofinho, e gosto bastante da autora, por isso foi uma boa surpresa;
  • Cress, Marissa Meyer - as expectativas vão matar-me, porque eu adoro esta série e cada ano que passa entre livros parece isso mesmo, apenas o longo intervalo entre livros da série... céus, foi tão bom, diverti-me imenso, mas agora ando a sofrer pelo último livro - que está a um ano de distância;
  • World After, Susan Ee - porque me divirto imenso com este mundo, estes personagens e esta autora;
  • Lady Thief, A.C. Gaughen - ahhhh a Scarlet faz-me sofrer, mas é uma personagem das melhores, fabulosa, teimosa, dura, faz asneiras, aprende com os seus erros... uma adaptação interessante e singular de uma lenda bem conhecida.

Outras coisas no blogue


Aquisições

Sonhos de Papel, Ruta Sepetys
O meu obrigada, um abraço e muitos beijinhos para a Joana, a Patrícia e a Mafi, as fofinhas que ofereceram este belo conjunto para os meus anos, no fim do mês passado. Gosto tanto daquele marcador da flor, é tão giro... :)

Into the Still Blue, Veronica Rossi
Unite Me, Tahereh Mafi
Inside Divergent: The Initiate's World, Cecilia Bernard
Be With Me, J. Lynn
World After, Susan Ee
Lady Thief, A.C. Gaughen
Cress, Marissa Meyer
A Long, Long Sleep, Anna Sheehan
Manor of Secrets, Catherine Longshore
Split Second, Kasie West
Ignite Me, Tahereh Mafi
O Oceano no Fim do Caminho, Neil Gaiman
Tecnicamente, estes são para o meu aniversário, pois os livros em inglês foram adquiridos com algum dinheiro oferecido nos anos. E o livro do Neil Gaiman foi prenda da mana. :)

A Mecânica da Ficção, James Wood
Helena de Esparta, Esther Friesner
A Rainha das Trevas, Susan Carroll
O Jogo de Ripper, Isabel Allende
Nove Mil Dias e Uma Só Noite, Jessica Brockmole
Um Dia Esta Dor Vai Ser Útil, Peter Cameron
Entre o Agora e o Nunca, J.A. Redmerski
Fiquei tão curiosa pelo primeiro livro. Cada vez mais me interesso pela maneira como um livro "funciona" e por isso a sinopse deste livro interessou-me. O terceiro livro é de uma nova colecção do Círculo de Leitores. E os seguintes foram comprados com descontos e outros que tais, ficando a custo zero.

Pilha de BD do mês. Incluí a primeira reedição de Calvin e Hobbes que a editora Gradiva está a fazer, O Essencial de Calvin & Hobbes, que junta os primeiros dois livros destes personagens; e as revistas de banda desenhada Marvel que estão a ser publicadas em Portugal pela Panini... tenho seguido uma ou outra revistas das que são importadas do Brasil, mas já tinha saudades dos tempos em que lia revistas de BD da Devir. (Mais informação aqui.) Ali em cima está uma agenda que ofereceram no outro dia na Fnac quando fiz umas compras, mas não é que lhe possa dar grande uso - já tenho o que preciso de agendas este ano, e não estou propriamente perto de ir ler um livro do António Lobo Antunes, por isso não sou a audiência ideal.

A ler brevemente

Desta vez vou ser modesta, e decidir o que vou ler à medida que for lendo e me der vontade para uma coisa ou outra. Só digo que gostava de ler estes livros, que depois de alguns livros noutros géneros, me está a dar uma queda para o contemporâneo.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Picture Puzzle #79


O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Chaise Longue.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.


Puzzle #1
Pista: romance erótico em português.

Puzzle #2
Pista: título histórico em português.

Divirtam-se!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Colecção Super-Heróis DC Comics Série II - Volumes 9 e 10

Gavião: Aliados e Inimigos, Geoff Johns, Rags Morales, José Luis Gárcia-López
Ok, estou oficialmente intrigada. A história do Gavião parece muito interessante. Adoro este conceito de reencarnações, almas gémeas a reencontrarem-se vida após vida, e uma maldição através dos tempos... parece um conceito demasiado romântico para o típico comic americano, mas foi por isso que fiquei curiosa. Gostava de perceber como é que os autores têm explorado este conceito ao longo dos anos. (Uma breve espreitadela à Wikipedia faz-me pensar "não muito bem", porque aquilo parece-me uma salganhada, mas enfim.)

Dito isto, não sei se esta é a melhor história, ou conjunto de histórias, para apresentar o personagem. Fazem um trabalho decente a mostrar partes da mitologia do personagem, mas gostava de ter lido algo mais coeso. O segmento apresentado dá-me demasiado a sensação de que comecei a ler um livro a meio, li-o por um bocadinho, e depois pousei-o sem acabar. A história final é mais satisfatória nesse aspecto, mostrando a melancolia decorrente daquilo que o Gavião é.

Quanto à arte, gostei bastante do trabalho do desenhador principal, Rags Morales, mas achei o trabalho de cor demasiado simples - faltou-me alguma garra nas cores. Quanto à história final, com outro desenhador, tem umas sequências interessantes, como a sequência de luta; além do enquadramento das vinhetas, que também me agradou visualmente.

Super-Homem e Batman: Poder Absoluto, Jeph Loeb, Carlos Pacheco, Mark Verheiden, Kevin Maguire
O conceito da história tem tanto potencial... mas a maneira como a ideia dos mundos paralelos está explorada é tão, tão, tão confusa. Não me pareceu haver uma lógica interna no porquê destes mundos existirem, ou o que determinava as mudanças e os saltos de um para o outro. E eu queria tanto gostar da história! Mas não posso, com esta péssima execução. Uma história destas tem que ser muito bem construída para fazer sentido, e aqui não faz, ponto.

Há uma série de incoerências, de coisas que não fazem sentido, e de personagens que aparecem sem ser explicado o porquê de estarem ali. Exemplos: para que é que foram buscar o Tio Sam, dando-se ao trabalho de mostrar em pormenor o seu reaparecimento, se depois ele não tem consequência na história? Acho ridículo que o Batman, um tipo tão analítico, que me parece que mal dá um passo sem avaliar bem as consequências de pôr um pé à frente do outro, tenha decidido desfazer aquilo que é o cerne da existência dele sem piscar os olhos ou pensar duas vezes. E não acho que faça sentido nenhum o Bruce não-Batman lembrar-se "magicamente" das outras vidas paralelas. Etc., etc., etc.. Em suma, nada faz sentido. *resmunga frustrada*

Quanto à história final, tem uma premissa bem engraçada. A Caçadora e a Poderosa são "invadidas" pelas mentes do Batman e do Super-Homem devido à intervenção de um vilão, e gera umas situações engraçadas. Em termos de arte, não gostei, mete as heroínas numas poses do género "deixa-me lá mostrar o máximo de mamas e rabo que possa, mesmo que esta posição corporal seja absolutamente ridícula e impraticável". *facepalm* Um bocadinho menos de tempo dedicado ao peito das raparigas e mais a desenhar caras em condições tinha tornado o desenho mais agradável.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Nove Mil Dias e Uma Só Noite, Jessica Brockmole


Opinião: Tenho um certo fascínio por romances contados de forma epistolar, e como não me aparecem muitos à frente, agarrei este livro com unhas e dentes, curiosa para ver como a autora ia apresentar a sua história. Por um lado, posso dizer que foi bem sucedida. A história foi cativante o suficiente para me manter interessada, e o aspecto epistolar agradou-me. Por outro lado, durante a narrativa fui juntando uma série de coisas que me desapontaram no livro, e todas juntas ainda são algo significativo.

A história está dividida em duas partes que se intercalam. A primeira é a história de Elspeth e David, correspondentes no início do século XX, durante a Primeira Guerra Mundial, e que se aproximam através das palavras. A segunda é a história de Margaret, filha de Elspeth, que durante a Segunda Guerra Mundial tenta descobrir o que há no passado da mãe que a deixa tão triste.

Como mencionei, o decorrer da história atraiu-me, e foi bom o suficiente para manter o meu interesse. Uma história de amor em cartas, há lá coisa mais romântica? E gostei imenso de seguir Elspeth e David, especialmente mais para o fim, quando se conhecem em carne e osso. Há algumas ideias muito interessantes e palavras muito bonitas nas suas cartas, e posso genuinamente dizer que me diverti a lê-las.

A situação singular de Elspeth deixou-me vidrada na história, e achei fascinante o abandono a que se votou na relação com David, especialmente tendo em conta a época. Quanto ao David, adorei as suas peripécias académicas, e a visão mais descontraída que tinha da vida.

No entanto, há problemas na execução da técnica das cartas. Não consegui sentir a aproximação entre Elspeth e David, não percebi onde e como se foram apaixonando um pelo outro. A revelação parece que cai do céu, e podia ter sido melhor preparada nas cartas. Assim como a aproximação dos personagens podia ter sido melhor trabalhada.

Depois, um dos personagens faz uma piadinha sobre ter escrito uma carta demasiado longa, o que me fez torcer o nariz. Na minha opinião, as cartas são é demasiado curtas, especialmente para a época em questão. Uma carta ainda levava algum tempo a chegar, entre EUA e Escócia, e acho que valia a pena fazer render o peixe e escrever uma longa carta... às vezes, tudo o que os personagens trocam é uma frase, um parágrafo. Frequentemente, uma ou duas páginas, o que ainda acho pouco. Tenham lá paciência, mas parece-me que ninguém desperdiçaria selos desta maneira naquela época.

Outra coisa que questiono é o uso do enquadramento com a história da Margaret. Não só a transição entre os capítulos da Elspeth e da Margaret é algo abrupto, de início, como sinto que a história era a mesma se grande parte das cartas dos capítulos da Margaret não estivessem presentes. A "história de amor" da Margaret é bastante mais simples e desinteressante e não contribui nada para a narrativa. Meia dúzia de cartas escritas e trocadas em 1940 chegavam para ajudar ao desenlace da narrativa.

Falando no final, a razão pela qual os dois protagonistas foram separados é bastante ridícula. Mas plausível, suponho. Muitas vezes as coisas acontecem pelas razões mais estúpidas. Como reviravolta no enredo é algo frágil, no entanto, esta razão pela qual passaram mais de 20 anos afastados.

Outra coisa que gostava de comentar é o título. Parece que o foram buscar à edição italiana, que é a única outra que foge a ser fiel ao título original. É um título tão pateta, que me soa tão mal, e tão longo... ainda compreendo os Nove Mil Dias (é o período de tempo em que os protagonistas estão separados entre os dois blocos de tempo relatados na história), mas e a Uma Só Noite? Não faz sentido. David e Elspeth tiveram mais que uma noite juntos. Enfim... se calhar não é para perceber.

Título original: Letters from Skye (2013)

Páginas: 256

Editora: Presença

Tradução: Catarina F. Almeida

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Curtíssimas nada curtas: Radiant, Inside Divergent: The Initiate's World, Fracture Me

Radiant, Cynthia Hand
Há tanto tempo que li o último livro desta autora e série (obrigada por me deixarem pendurada tanto tempo, Saída de Emergência) que até tenho medo de não me lembrar de nada. Mas tenho confiança que mal comece o Boundless me vá relembrando dos pormenores (a maior parte das sequelas faz um bom trabalho em relembrar o leitor). E este Radiant já dá um empurrãozinho na direcção correcta.

A história passa-se cronologicamente entre o segundo e terceiro livros da série e apresenta o Verão de Clara e Angela, passado em Itália, a ver as vistas. (E não só.) E lendo este conto/novela, tenho a sensação de que está a preparar em grande o que vai acontecer no terceiro livro, apesar de superficialmente os acontecimentos parecerem ser de pouca importância... Gostei dele por causa disso, apesar da personagem em destaque me ter irritado deveras.

Não gostei da Angela. Acho que ao longo dos livros tenho-lhe sido indiferente, achando-a talvez bastante intensa. Mas aqui... céus, que miúda tão "eu, eu, eu. Eu, eu, eu, e eu. E ainda mais eu". Que falta de paciência para aturar personagens tão egocêntricas. Quer que a Clara lhe conte tudo o que se passa com ela em assuntos angélicos, mas depois esconde da Clara o que lhe acontece a ela própria. É tão pouco amiga da Clara, ao revelar coisas que não são dela para revelar. E, no fim... consigo compreender até certo ponto o seu desagrado com a interferência da Clara, mas até àquela altura foi tão egoísta e naquele momento insiste tanto na sua cegueira que, estou a ver, vai-se queimar. E não vou ter pena nenhuma.

Um livrinho pequeno e giro de introdução ao mundo de Divergent, o livro de Veronica Roth adaptado ao cinema, com filme prestes a estrear. Lê-se muito rapidamente e apresenta vários aspectos do mundo - as facções, as escolhas, os processos de iniciação; e até tem algumas fichas de personagens, para apresentar os jogadores mais importantes da trama.

O mais importante do livro, para mim, são as fotos: permitem apresentar pedaços do mundo, dos personagens e dos locais, e dar um cheirinho do que nos espera, como espectadores do filme. Duas coisas que me surpreenderam: um, os locais dos Dauntless parecem tão estéreis. Da maneira como a Tris descreve as coisas, achei que a base dos Dauntless fosse mais viva. Menos preto, branco e cinzento e mais laranja forte e castanho... menos cores mortas e mais cores vivas. Afinal há um gosto pelos pequenos prazeres da vida nalgumas coisas que os Dauntless fazem.

Dois, as roupas das facções. Imaginava os Amity com um vermelho e amarelo mais vivos, mas tendo em conta o seu modo de vida, até faz sentido que as cores sejam mais desmaiadas. Não devem usar corantes muito fortes. Os Erudite imaginava-os com um azul mais fraco, mas as suas roupas são tão vibrantes. Até gosto. Mas as roupas dos Candor! Fabuloso ver um mar de gente com roupas em preto e branco. Lindas, mesmo. (E sim, passei um parágrafo inteiro a falar de roupa. Sue me.)

Fracture Me, Tahereh Mafi
Basicamente este conto/novela entrega o jogo no que toca a triângulos amorosos e afins, porque depois disto não estou a ver como é que ela vai voltar atrás e mudar o que lemos. Mas, ei, já me tenho enganado em relação a esta série, portanto reservo o meu julgamento para depois de ler o terceiro livro.

Contado do ponto de vista do Adam, mostra-nos como viveu a parte final do Unravel Me, o segundo livro da série. É bom ver, finalmente, como é que ele pensa. O rapaz sempre me pareceu um bocado choninhas, mas aqui dá para perceber onde é que as prioridades dele estão. Prioridades louváveis, sem dúvida, mas não passam pela Juliette, e até que é um alívio. Os dois sempre me pareceram demasiado insta-love e dramáticos para o meu gosto...

Não gosto mesmo é da maneira como ele vê a Juliette. Sempre a pensar nela como frágil, incapaz. É tão degradante. Além de que tem uma imagem idealizada dela, e não sei se vê a Juliette verdadeira, a miúda meio louca, meio perigosa, com alma de poeta e espírito de destruição... tenho a sensação que ele sufocaria mais a Juliette do que a deixaria ser ela própria.

Dito isto, e pensando no outro lado do triângulo... Medo. Por um lado não era assim tão mau se o Warner e a Juliette se juntassem, porque como diz o ditado, só se estragava uma casa, e os dois são tão chanfrados da cabeça que até pode resultar. Por outro lado, pensar neles juntos só me dá vontade de marcar consulta no psiquiatra mais próximo para os dois. Ambos têm demasiados problemas pessoais para estarem saudavelmente com uma pessoa, e temo que juntos só alimentassem as neuroses um do outro.

Sei lá, tudo depende da maneira como a Tahereh escreveu o terceiro livro. Ela é que está ao leme, e vou confiar nela. Ainda assim, mantenho-me firmemente Team Juliette. A rapariga devia era terminar a história sozinha, lidar com os seus demónios em paz, à parte do drama amoroso. E vá, sou Team Kenji. Não para o juntar com a Juliette, credo, que não têm nada a ver, mas porque como personagem secundário é demasiado fixe e merece ser o protagonista da sua própria história.

A edição que li é a do Unite Me, que reúne esta novela e a anterior (Destroy Me) num só livro. Inclui ainda um bónus, o diário da Juliette que o Warner lê obsessivamente no Destroy Me. Já conheço a autora e o seu estilo, por isso foi uma leitura rápida mas cativante que mergulha na cabeça da Juliette naqueles meses de clausura.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O Oceano no Fim do Caminho, Neil Gaiman


Opinião: O Oceano no Fim do Caminho é um livro encantador e singular sobre a natureza da memória e o mistério da infância. Com uma estrutura original, a de um narrador adulto que navega nas águas da memória para recontar uma história da sua infância, acaba por se destacar por isso mesmo. A minha primeira experiência com o autor em ficção narrativa e a solo deixou por isso boas memórias, e provavelmente não será a última.

O narrador, encontrando-se numa encruzilhada da sua vida, dá por si a encaminhar-se para um local de infância onde tudo mudou, deixando uma marca indelével. E nesse local, o narrador revê um momento da sua infância, terrível e belo, que acabou por definir a sua vida a partir daí. Achei este enquadramento muito interessante, porque permite-nos questionar sobre a qualidade da memória. Sobre aquilo que nos lembramos da nossa infância e quanto dessa lembrança está colorido por uma série de factores.

Gosto do tom subtil de fantástico da história. Não é uma coisa óbvia, e faz parte do quotidiano. Não é alardeada nem nos bate na cara até reparamos nela. Simplesmente é. Apreciei a caracterização das Hempstock como a tríade mística da donzela, da mãe e da velha. E de conhecer coisas mais velhas que a própria terra, coisas que habitam os pesadelos e os recantos mais sombrios.

Outra coisa que apreciei é o retrato da infância. A sensação de liberdade e de impotência. O narrador vê-se numa situação complicada, e o pior é que não pode pedir ajuda aos adultos. Ninguém vai acreditar nele. Esse sentimento de impotência é muito interessante e dá uma maturidade ao rapaz de 7 anos que nos conta a história.

A sensação de nostalgia que a história deixa é significativa, mas também tenho a sensação que a conseguiria apreciar mais se fosse um pouco mais velha, se tivesse um maior distanciamento da minha infância. A história está construída como uma ode à nostalgia da infância, e não tenho ainda a idade suficiente para ter saudades da minha infância. Nesse aspecto, acho que gostaria de reler o livro daqui a uns bons largos anos, para ver se a minha perspectiva muda.

Título original: The Ocean at the End of the Lane (2013)

Páginas: 184

Editora: Presença

Tradução: Rita Graña

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Picture Puzzle #78


O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Chaise Longue.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.

Puzzle #1
Pista: título YA contemporâneo em português.

Puzzle #2
Pista: título adulto fantástico em inglês.

Divirtam-se!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Wicked Valentine’s Read-a-Thon Vol. 2 - Wrap-up Post

WVRAT

So another read-a-thon ends, and I find myself writing a wrap-up post. As I expected, I didn't have much time for reading, but I am happy with the reading I did this read-a-thon. Let's take a look at my goals:
  • I read every day, for at least an hour (I count Saturday 8th, where I read no book but I did read that day)
  • I entered some of the challenges (not all of them, due to lazyness and not being in the mood)
  • I updated my progress every couple of days, whenever I entered a challenge
  • I read 2 fiction books (The Ocean at the End of the Lane, Neil Gaiman; Cress, Marissa Meyer), and part of a third (Pivot Point by Kasie West), and 2 comic books

And that's it for me. I'd like to thank the hosts and everyone who hosted a challenge; it was fun.

Below are my posts for the read-a-thon, both the starting post as well as the update posts, which contain both my progress and my answers to the challenges.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Wicked Valentine’s Read-a-Thon Vol. 2 - Sunday and Monday (16th-17th)

Pages read:
Sunday: 152 pages
Monday: 304 pages

Pages read so far: 784 + 456 = 1240

Books read:
Sunday: 152/560 pages (27,1%) of Cress, Marissa Meyer
Monday: 152/152 pages (100%) of Gavião: Aliados e Inimigos, Geoff Johns, Rags Morales, José Luis Gárcia López
152/152 pages (100%) of Super-Homem e Batman: Poder Absoluto, Jeph Loeb, Carlos Pacheco, Mark Verheiden, Kevin Maguire

Books read so far:
Pivot Point by Kasie West (currently reading)
The Ocean at the End of the Lane (O Oceano no Fim do Caminho) [Portuguese edition], Neil Gaiman (finished)
Cress, Marissa Meyer (finished)
Gavião: Aliados e Inimigos [Portuguese edition], Geoff Johns, Rags Morales, José Luis Gárcia López (finished)
Super-Homem e Batman: Poder Absoluto [Portuguese edition], Jeph Loeb, Carlos Pacheco, Mark Verheiden, Kevin Maguire (finished)
 
Read-a-thon status:
And so it ends... I'm calling it a night. I feel satisfied with what I read for this read-a-thon. It's been a crazy, long, tiresome week, but I've had fun, and that's all that matters. As for the challenges that I haven't done yet, I don't think I will now. I like these kind of challenges a lot, but I'm not really in the mood to do them.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Wicked Valentine’s Read-a-Thon Vol. 2 - Thursday, Friday and Saturday (13th-15th)

Pages read:
Thursday: 115 pages
Friday: 105 pages
Saturday: 74 pages

Pages read so far: 490 + 294 = 784

Books read:
Thursday: 115/560 pages (20,5%) of Cress, Marissa Meyer
Friday: 105/560 pages (18,8%) of Cress, Marissa Meyer
Saturday: 74/560 pages (13,2%) of Cress, Marissa Meyer

Books read so far:
Pivot Point by Kasie West (currently reading)
The Ocean at the End of the Lane (O Oceano no Fim do Caminho) [Portuguese edition], Neil Gaiman (finished)
Cress, Marissa Meyer (currently reading)

Read-a-thon status:
I'm loving Cress, though I haven't had the time I wish I had to finish it. But it's been such a good read, the characters are awesome, both new and old acquaintances, and I love how the author incorporates the fairy tales' moments into her world.


Challenge: Mad Libs hosted by Chandra @ Unabridged Bookshelf
This is not your normal Mad Lib, for this Mad Lib you cannot just use any verb, noun, adjective to fill in the blanks, you must use a word from a book title. I thought it would tie in better with the Read-a-thon, and make more hilarious results.

Word List
1. Book Boyfriend/Girlfriend (List Title)
2. Verb (List Title)
3. Noun (List Title)
4. Verb (List Title)
5. Past Tense Verb (List Title)
6. Noun (List Title)
7. Plural Noun (List Title)
8. Adjective (ex: big, hot, beautiful, gloomy) (List Title)
9. Noun (List Title)

After you have your word list, Scroll Down and fill in the template below with your words.

Dear (#1, Book Boyfriend/Girlfriend)

I have (#2, Verb) but I have not had the (#3, Noun) to tell you, When I first (#4, Verb) your story, I (#5, past tense verb) in (#6, Noun). I hope you and I will someday be (#7 Plural Noun). I would love to give you a/an (#8, Adjective) (#9, Noun) for Valentine's Day. 

Yours Truly
(Your Name)
I'm working on it, but I think I'll answer this challenge and the next one in the next and last update.


Challenge: Book Spine Poetry hosted by Anya @ Starships and Dragonwings
Pick some books and make a poem (as pretty or random as you want!). If you have physical books around to use, take a picture and tweet/post it somewhere. If you don’t have physical books to use (because that is always me!) feel free to just grab cover images or titles instead, but still tweet/post it so that you can link it.
I'm also working on it, but I'm going to answer this challenge and the previous one in the next and last update. I love this kind of challenge, but I'm not in the mood for it right now.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Wicked Valentine’s Read-a-Thon Vol. 2 - Monday, Tuesday and Wednesday (10th-12th)

Pages read:
Monday: 113 pages
Tuesday: 71 pages
Wednesday: 114 pages

Pages read so far: 192 + 298 = 490

Books read:
Monday: 113/184 pages (61,4%) of The Ocean at the End of the Lane, Neil Gaiman
Tuesday: 71/184 pages (38,6%) of The Ocean at the End of the Lane, Neil Gaiman
Wednesday: 114/560 pages (20,4%) of Cress, Marissa Meyer

Books read so far:
Pivot Point by Kasie West (currently reading)
The Ocean at the End of the Lane (O Oceano no Fim do Caminho) [Portuguese edition], Neil Gaiman (finished)
Cress, Marissa Meyer (currently reading)

Read-a-thon status:
I think it's going well, given that I really have so little time to read. And I'm finally reading Cress!


Challenge: Cover Lover hosted by Kristen @ The Book Monsters
-
I said I loved this kind of challenge in the last update, but this particular challenge is kinda making me hate it too. I just can't figure out #6 and it's driving me nuts. Oh well, I'll sleep on it. I'll figure it out, I'm sure.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Picture Puzzle #77


O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Chaise Longue.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.

Puzzle #1
Pista: título em português de autora sul-americana.

Puzzle #2
Pista: título clássico de ficção científica em inglês.

Divirtam-se!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Wicked Valentine’s Read-a-Thon Vol. 2 - Friday, Saturday and Sunday (7th-9th)

Pages read:
Friday: 98 pages
Saturday: none (I did read, quite a lot actually,
but nothing that I'd count for the read-a-thon)
Sunday: 94 pages

Pages read so far: 192

Books read:
Friday: 98/352 pages (27,8%) of Pivot Point by Kasie West
Sunday: 94/352 pages (26,7%) of Pivot Point by Kasie West

Books read so far:
Pivot Point by Kasie West (currently reading)

Read-a-thon status:
Well, I really did a lot of reading on Saturday, mainly blogs, since I usually don't have time for that during the week. And I read a Disney comic magazine, but either won't count for the read-a-thon. Anyway, I don't mind taking a day off, even in the middle of the read-a-thon. I kinda needed it. I also wasn't sure what to read next, which was making me a little anxious and slump-y. Thankfully, that problem is solved.

I decided to change a bit the way I do these read-a-thon updates. Since there won't be daily challenges, only ones that run through the read-a-thon, I'll make an update every 2 or 3 days, with my reading progress and the answers to the challenges, if warranted.




Challenge: Jigsaw Puzzle Cover hosted by Pabkins @ My Shelf Confessions
Solve the cover puzzles for titles I am excited to read or have read and loved!
Fun challenge, really. An uncommon one, but I have a great time making the puzzles and trying to figure out which cover is it.


Challenge: Cover Lover hosted by April @ My Shelf Confessions
-
Really, this one is pretty much self-explanatory. Try to match the bits of covers to the right book. And I love with a passion this kind of challenge. I am a fan of pretty covers, and I am very much detail-oriented, so I revel in trying to figure out which cover the little bit belongs to.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Sonhos de Papel, Ruta Sepetys


Opinião: Sonhos de Papel é o segundo livro de Ruta Sepetys, e conta a história de Josie Moraine, uma rapariga que vive em Nova Orleães em 1950, cheia de sonhos mas presa às suas circunstâncias - filha de uma prostituta, vive uma vida simples e humilde, mas rodeada de tanta gente que lhe quer bem e gosta dela. Ao atender um cliente na livraria onde trabalha, que assume que é uma jovem universitária, Josie sonha com mais e melhor do que aquilo a que se tem permitido. Contudo, deixar para trás aquilo que conheceu durante grande parte da vida não vai ser fácil...

Mais uma vez, depois de Between Shades of Gray, a autora consegue criar um livro que não é vistoso nem dado a reviravoltas, mas intimista e focado nos personagens, simples e subtil, e muito bonito. A história de Josie fala-nos de sonhar mais alto e de não nos contentarmos com o que temos, de lutar por aquilo que queremos, mas também de aquilo que nos rodeia nos arrastar por vezes para baixo.

Josie é uma rapariga inteligente, que gosta de ler, tem um mundo interior rico e tem uma rede de pessoas que gosta dela e cuida dela, coisa que a pessoa que tem o título de mãe dela não faz. Mas Josie está por vezes presa ao carinho que tem pela ideia que tem da mãe, que não corresponde necessariamente à pessoa que a sua mãe é. E isso paralisa-a, impede-a de saber lidar com a mãe, e de virar as costas para se arriscar a fazer aquilo que mais sonha. É triste, mas também é um caminho que a Josie tem de aprender a fazer, e é recompensador acompanhá-la nesse caminho.

O elenco de personagens secundários é muito rico. Temos a Willie, a madame da casa de prostitutas, que é tão dura e tão difícil de lidar com, mas que gosta genuinamente da Josie (às vezes gostava que pudesse ter-se permitido ser mais carinhosa com a Josie). O grupo de prostitutas da casa também é muito engraçado, cada uma com a sua personalidade e idiossincrasias. E mais importante, a autora faz um bom trabalho em caracterizá-las, este grupo de mulheres meio liberalizadas e livres das amarras da sociedade, mas a lutar por conseguir algo melhor da vida do que aquilo que lhes foi dado.

O Cokie é adorável, tão sensível e preocupado com a Josie. O Charlie deixou-me mesmo preocupada com a sua situação. O Patrick tem uma história bonita e tem uma relação mesmo gira com a Josie, e apesar do que ela pensava inicialmente, a sua relação de amizade não precisava de evoluir para outro estado. E o Jesse tem o grau certo de misterioso e bom rapaz, e é óbvio para toda a gente menos a Josie que está de beicinho por ela.

Quanto à mãe da Josie, que mulher horrenda. Má, egoísta, despreocupada, insensível, não há adjectivos que definam o quão horrível é. Apenas direi que a detestei e que me deu vontade de a ver cair morta antes da história acabar, por tudo o que fez à própria filha.

A história, sendo tão orientada para uma personagem e o seu crescimento ao longo da narrativa, não é nada de grandioso. Mas deu-me gosto acompanhar Josie nos seus altos e baixos, sofrer com ela e sonhar com ela. (E sobretudo, partilhar com ela o gosto por livros.)

Quanto ao fim, gostei e não gostei que fosse tão em aberto. Gosto de fins em aberto, pelo menos da maneira como a autora os faz. Não preciso de saber como a história da Josie evolui a partir daqui - a parte importante, o crescimento dela e a sua aceitação das coisas e a tentativa de mudar o que pode, já tinha sido abordada. Não preciso de saber ao certo a resposta para algumas questões levantadas ao longo da narrativa. Mas gostaria de ter a certeza do destino de um par de personagens que tanto sofrimento causou à Josie. O que querem, tenho um lado justiceiro.

Título original: Out of the Easy (2013)

Páginas: 384

Editora: Asa

Tradução: Helena Ruão

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Sailor Moon Short Stories, Codename: Sailor V, Naoko Takeuchi

E depois de ter lido a série principal de Sailor Moon, decidi lançar-me nos livros "secundários" à história, nomeadamente os dois volumes das Short Stories e os dois volumes de Codename: Sailor V - este segue o percurso da Minako como Sailor Venus no ano anterior a conhecer as outras guardiãs.

São uns volumes engraçados. Gostei particularmente das Short Stories, que apresentaram umas histórias engraçadas e bem humoradas, e mostraram novas facetas das Sailors, mas o Codename: Sailor V também foi muito esclarecedor e interessante ao estabelecer a vida da personagem como Sailor antes das outras raparigas sequer sonharem com o seu papel como guardiãs. Em suma, pareceram-me boas adições à minha colecção e ao conjunto de histórias neste mundo das Navegantes.
Vou separar os comentários por histórias, pois parece-me a melhor maneira de poder abordá-las em condições.

Chibi-Usa's Picture Diary (Vol. 1)
Composta por três histórias mais pequenas, Beware of the Transfer Student, Beware of Tanabata, e Beware of Cavities. A primeira adorei, porque vampiros! em Sailor Moon, e é tão inesperado de ver que acaba por ser giro. Quero dizer, a autora faz os vampiros à sua maneira, e é um conceito bem integrado e enraizado neste seu mundo... acabando por ser uma pequena história de terror bem boa.

A segunda história acaba por não ser muito memorável, mas a terceira é deliciosamente fabulosa. É sobre as cáries que a Usagi e a Chibi-Usa apanham por comer muitos doces, e acabar por ser ao mesmo tempo informativa, e super divertida ao usar os conceitos dos doces e das cáries para criar o "monstro" que as duas têm de derrotar.

Exam Battle Stories (Vol. 1)
De novo três curtas histórias, The Melancholy of Mako-chan, Ami-chan's First Love, e Rei's and Minako's Girls School Battle. Focam-se nas quatro guardiãs, e exploram um pouco certos aspectos das suas personalidades. A primeira história no desejo da Mako de ter uma casa e uma família, pois são o que lhe foi roubado cedo demais. A segunda história é sobre a Ami e a sua paixão pelo estudo e o seu desejo de se superar e de ser a melhor. A terceira é basicamente sobre a Mina e a Rei a meterem-se em sarilhos, mas também sobre a inatingibilidade da Rei e os sentimentos de inadequação da Mina em relação a ela.

The Secret Hammer Price Hall (Vol. 1)
Uma historinha curta, e sem muita consequência, mas que teve alguns conceitos engraçados, como o das miúdas viciadas em marcas.

Princess Kaguya's Lover (Vol. 2)
Uma história com a Luna (sim, A gata, não O gato, como nos fizeram acreditar com a dobragem portuguesa... obrigada por me estragarem a infância, pessoas que fizeram a dobragem), e baseada num conto tradicional japonês que inspirou em parte os conceitos principais de Sailor Moon. Gosto da história por ser tão focada na Luna, por nos permitir vê-la em forma humana, e por ter uma história de amor e amizade bem bonita. Além disso, a história tem o bónus de pôr todas as Senshi, Outer e Inner, a trabalhar juntas.

Casa Blanca Memory (Vol. 2)
Adoro, adoro, adoro esta história. É a minha favorita do conjunto. Explica tão bem o carácter e a personalidade de alguém como a Rei, e ajuda a entender o porquê das suas acções e opiniões tornadas explícitas durante os livros principais. Apreciei conhecer não só os seus desgostos, mas também a sua posição na vida em relação a uma série de aspectos, posição essa que transmite uma certa maturidade e firmeza de carácter pouco usuais para alguém tão jovem.

Parallel Sailor Moon (Vol. 2)
Pronto, esta é a segunda favorita. Uma história muito curtinha, mas muito divertida sobre um mundo paralelo que decorre alguns anos após o fim da série principal. Apresenta-nos as filhas de todas as guardiãs, e que grupinho adorável. Diverti-me imenso a descobrir os paralelos entre mães e filhas, e a observar a dinâmica entre as meninas.
Não sei muito bem como comentar estes dois volumes. Codename: Sailor V é claramente um protótipo para Sailor Moon, usando o primeiro conceitos e formas de narrar que aparecem no segundo. Portanto, creio que vai ser uma opinião resumida, comparando-os e destacando coisas que apreciei nestes dois volumes.

Para já, estes livros seguem o esquema habitual: aparece uma novidade na escola -> está um monstro por trás dela -> Minako descobre-o -> enfrenta o monstro e derrota-o. Cada capítulo é muito formulaico, seguindo quase sempre esse esquema. Depois, a Mina é na verdade muito parecida com a Usagi: ambas preguiçosas, comilonas, más alunas, boas pessoas, curiosas, defensoras dos fracos e oprimidos. Mas os defeitos da Mina fizeram-me pensar no porquê de ela ser supostamente a líder das guardiãs. Sempre achei que a Rei encaixava melhor no perfil.

Há uma série de personagens que são parecidíssimas em ambos os livros. O caixa-de-óculos-cujo-nome-eu-nunca-me-lembro. O Artemis aqui irrita-se tanto com a Mina como a Luna com a Usagi. A melhor amiga da Mina, Hikaru, parece um clone da Ami tão bom que eu achava estar a ver mesmo a Ami. Há algumas diferenças na maneira como a Naoko as desenha, mas são subtis.

De todos os capítulos, acho que só vou destacar aquele em que a Mina conhece a mangaka que desenha e escreve o seu manga favorito, porque é um pouco meta e acaba por ser algo autobiográfico e autoreferencial no que toca à vida e trabalho de um mangaka. Tenho a certeza que a autora se divertiu a desenhar e escrever estas partes. E o manga que a autora deste capítulo está a criar é totalmente uma referência a Sailor Moon e às Navegantes, algo que me divertiu.

Outro pormenor que achei interessante e gostaria de destacar é o Phantom Ace, o equivalente ao Tuxedo Mask aqui nestes volumes, mas com um percurso e uma história diferentes. O que eu gostei mais foi como o Ace tinha ligação à reencarnação passada da Mina como Princess Venus, e gostei imenso de descobrir mais um bocadinho sobre esse passado.

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Ah, uma nota final, que se pode aplicar na verdade a todos os livros editados pela Kodansha desta autora - aprecio as notas de tradução, a sério. Mas
a) têm que mencionar as páginas certas, não duas páginas antes ou depois de onde realmente aparecem as referências;
b) deviam ser melhor usadas, porque há tantas referências que o(s) tradutor(es) não explicou(aram)... não é só para explicar as referências que vos apetecem, caramba;
c) a sério, colocar as notas de tradução que faltam na página da internet da Kodansha é preguiçoso... se não tinham espaço, basta meter mais páginas nesse livro (era o Short Stories Vol. 1, que até era fininho), e preencham-nas com arte da Naoko sobre Sailor Moon, que eu agradeço muito.