sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Este mês em leituras: Outubro 2014

Outubro termina agora, mês que devia ser outonal, um pouco mais frio, um pouco mais chuvoso, mas eu continuo a achar que o Outono esqueceu-se que devia ter começado em Setembro, e o Verão aproveitou, esticando-se um bocadinho mais. Nem parece que faltam dois meses para o fim do ano. De qualquer modo, foi um belo mês para leituras, variadas e abundantes, com boas e más surpresas.

Livros lidos


Opiniões no blogue


Os livros que marcaram o mês

  • Seconds, Bryan Lee O'Malley - repetindo-me em relação ao mês passado, não costumo destacar BD, porque não estou à vontade a availiá-la por aí além, mas achei que devia destacar este e os seguintes... este, porque é uma história bem gira em que a protagonista cresce um bocadinho e apende umas coisas importantes, com um artifício meio FC, meio fantástico, e uma arte que me caiu no goto, visualmente;
  • Hawkeye vol. 1: My Life as a Weapon, Matt Fraction, David Aja, Javier Pulido, Alan Davis - destaco este porque gostei mesmo do feitio do par de Hawkeyes e da relação que eles tinham, das histórias, da arte, das cores, em suma, de tudo;
  • Batgirl vol. 1: The Darkest Reflection, Gail Simone, Ardian Syaf, Vicente Cifuentes - e destaco este porque gostei muito da escrita e do percurso da personagem titular e protagonista;
  • Winterspell, Claire Legrand - um recontar de O Quebra Nozes que é sombrio, sensual, com uma história coming of age incomum e uma evolução muito interessante da protagonista no que toca a feminilidade, sexualidade e auto-estima;
  • Poisoned Apples, Christine Heppermann - este conjunto de poemas são tão giros (e eu nem costumo ler poesia), e uma boa base de reflexão de alguns estigmas e ideias que persistem na vida de uma jovem dos nossos dias;
  • Every Breath, Ellie Marney - este livro, bolas, encheu-me as medidas dum modo que poucos o fazem, simplesmente por conjugar uma série de coisas que gosto de ler... eu sei que me queixo muito disto, mas já estou a "comichar" pela sequela;
  • Unteachable, Leah Raeder - o tema é pesado, e difícil de fazer resultar, mas a autora conseguiu-o, escrevendo um livro assoberbante e fascinante, com uma escrita mesmo bonita e visual.

Outras coisas no blogue


Aquisições

Primeiro tenho de falar de uma coisa que me custou os olhos da cara em portes, e pela qual sou capaz de ter vendido a alma ao Diabo: The Body Electric, da Beth Revis. Encomendando pela livraria indie local da autora, a Malaprop's, podíamos receber imenso swag com a encomenda, visível na foto, entre marcadores, postais e autocolantes; além disso, encomendando numa certa altura na pré-venda, a edição era limitada e numerada - apenas 350 exemplares. (O meu é o nº 9.)

O conjunto de livros em inglês do mês, com algumas coisas muito esperadas e bastante adoradas - o Every Breath, o Winterspell -, uma boa surpresa - o Poisoned Apples -, uma edição ilustrada bem bonita das Fábulas de Esopo que estava na Fnac a uma pechincha, e uma outra bela surpresa, só que não pelas razões óbvias.

É que eu já encomendei e li o All Lined Up há que tempos. Nomeadamente encomendei-o no Book Depository em Maio, e a meio desse mês enviaram-me um exemplar. Passado um mês, quando o dito cujo não chegava, contactei-os e enviaram-me um novo exemplar. O segundo exemplar chegou em Julho e procedi a ler o livro. E não é que agora, a meio de Outubro, cinco meses depois do envio, chega-me aquele primeiro exemplar, o exemplar desaparecido?!

Eu não sei o que é que as pessoas responsáveis por este tipo de coisa andam a fazer, sejam os CTT, ou a alfândega, ou seja lá quem for que trata das encomendas vindas do Reino Unido, mas isto? Uma encomenda estar este tempo todo no Limbo, e chegar cinco meses depois? É completamente ridículo. Parece que estamos na Twilight Zone. Portanto, sim, minha gente, estão a fazer um *fantástico* trabalho. Sem dúvida alguma.

Em português, os dois volumes da colecção do Sherlock Holmes do jornal Público que faltavam; e os três livros seguintes ficaram-me a custo zero, com descontos em cartão. O primeiro dos três suscitava-me alguma curiosidade já na versão em inglês, e os dois seguintes são a modos que algumas novidades recentes ou não-tão-recentes que ficaram para trás.

Tendo em conta que ultimamente não tem saído nada de jeito em português - ou pelo menos, nada que me suscite o interesse por aí além -, achei que podia gastar esse dinheiro em cartão em novidades que não tive oportunidade de agarrar anteriormente. Ou no caso do livro da Lissa Price, é mesmo porque tenho grande alergia a livros com menos de 300 páginas e cujo PVP se aproxima dos 19 euros (18,85€, para ser precisa).

O segundo livro do Maze Runner e o da Patricia Cabot foram adquiridos com um vale da Wook que ainda me tinha sobrado, sendo que o primeiro dos dois já li este mês para um desafio, e o segundo vai ser lido em Novembro para outro desafio. E por fim, o livro da Susan Carroll é o último da série, editada pelo Círculo de Leitores.

Banda desenhada do mês, com a intromissão da revista Estante da Fnac. Temos revistas Disney, incluíndo o nº 100 da Comix (belo número, parabéns!); e temos as revistas Marvel em português. Temos mais livros da colecção Universo Marvel do jornal Público. E por fim, dois volumes que coleccionam as revistas de Batwoman - Batwoman vol. 1: Hydrology - e de Saga - Saga vol. 1.

Aliás, o Saga tem uma história hilariante associada. Ou não tão hilariante, dependendo do ponto de vista. Para mim não é, mas quem me esteja a ler pode rir-se um bocadinho, que eu não me importo. É que não passaram nem dois dias depois de eu encomendar o Saga em inglês para vir a descobrir que havia uma editora que tencionava editá-lo em português até ao fim deste ano (sai em Novembro, em capa dura, a 8,99 € *cai para o lado*).

Portanto, podemos concluir daqui que a) sim, o meu timing é sempre fabuloso, e que b) as editoras de BD não se escapam a fazer o mesmo que as outras em Portugal, que é divulgar as coisas em cima da hora para me pregarem partidas destas e perderem um possível cliente. *facepalm*

A ler brevemente

Tenciono ler o Batwoman e o Saga, claro, e já agora acho que vou aproveitar para ler um livro que tinha cá em casa sobre o evento Siege da Marvel, agora que já li a história principal. Por outro lado, não sou nada natalícia, mas estava a pensar em ler um ou outro livro adequado à época que se aproxima, já que tenho alguns livros temáticos da época, e para me precaver com as leituras e as programações das mesmas, bem que podia pegar já no My True Love Gave to Me e no Let It Snow.

Para o meu projecto Meg Cabot espero ler dois livros muito distintos, Proposta Indecente, romance histórico, e O Ídolo na Escola, Young Adult contemporâneo. O primeiro porque saiu há pouco tempo e não quero deixar para trás coisas da autora que vão saindo, e o segundo porque é stand-alone, não fazendo parte duma série, por isso posso emparejá-lo livremente com o primeiro, para cumprir o desafio de ler dois livros da autora por mês.

Gostava de ler o The Body Electric, porque estou curiosa com a premissa de ser um livro que conta o que se passa na Terra durante a trilogia do Across the Universe; e de ler o Stone Cold Touch, porque há uma votação online sobre com quem os leitores querem que a heroína fique (isto já parece uma telenovela, com os espectadores a escolher o fim).

Não é que eu tenha preferência particular sobre qualquer um dos dois rapazes da história, mas estou intrigada, porque isto sugere que a autora vai tentar dificultar a vida ao leitor e à protagonista no que toca à escolha. E tendo em mente que o primeiro livro parecia ir numa direcção, estou curiosa em ver como o segundo livro vai defender a outra direcção.

Fora isso, espero receber e ler All Broke Down, da Cora Carmack, o segundo livro sobre uma equipa de futebol americano do Texas. A autora é sempre divertida e imaginativa, portanto tenho alguma curiosidade em ver como é que ela vai dar a volta a um personagem que no primeiro livro era tudo menos um santo.

Também espero pôr as mãos em Mortal Heart, o terceiro e último da respectiva série, e cujas opiniões me têm atiçado tanto a curiosidade; e em The Bane Chronicles, finalmente, que eu não tenho paciência para ir comprando um livro aos bocadinhos (originalmente os contos saíram um a um, em e-book e audiolivro), e então preferi esperar pela edição compilada e completa.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Every Breath, Ellie Marney


Opinião: Este livro foi tão… fofo e adorável e excitante e devorável e divertido. O que é que se passa com as autoras australianas para me deixarem completamente louca? Bem, australianas (Jessica Shirvington ao palco, por favor, vem lá fazer companhia à Ellie Marney) e neo-zelandesas (Juliet Marillier, não penses que te escapas). Ou seja, alguém nos (quase-)antípodas anda a pôr alguma coisa na água que faz estas pessoas escreverem coisas que me deixam animadíssima. É a única explicação.

Contudo, isso não interessa nada. O que interessa é que nem o livro tinha acabado - estava naquele final stressante de fazer roer as unhas, na verdade - e eu já me estava a lamuriar pela sequela. Nem consegui esperar pelo fim do livro para começar a suspirar por esse momento longínquo em que porei as mãos no Every Word (a dita sequela)… estamos bem, estamos.

Suponho que devia começar pelo início. Ou pela parte mais distintiva para quem não o leu, que é a comparação deliberada com o cânone Sherlockiano. Suspeito que seja difícil equilibrar as referências a uma personagem tão icónica sem afogar a própria história, mas a Ellie Marney consegue vencer esse desafio, limitando-se a espalhar uma pitadinha ou outra de referências, e deixando os seus personagens e a sua história falarem por si próprios.

Aliás, ela lida com isto bastante bem. Esta história passa-se no mundo real, o nosso mundo, o Arthur Conan Doyle existiu, e escreveu sobre um detective chamado Sherlock Holmes, e os nossos protagonistas estão familiarizados com os mesmos. O que quer dizer que pegam nisso e na ligeira semelhança de nomes e circunstâncias para brincar que são o Watson e o Holmes um do outro, mas sem ficar fixados nisso. Suponho que a "coincidência" os inspirou a meterem-se a investigar um crime, mas é só até aí que o cânone se intromete na história.

Gosto muito da narradora, Rachel Watts, porque é inapologeticamente ela mesma. A família perdeu a quinta para o banco e tiveram de se mudar para a cidade; mas a Rachel ama o campo, e morre de saudades, e passa um bom bocado furiosa com a situação. Contudo, isso não a cega, não a impede de fazer amizades, de fazer a sua vida ali, e de eventualmente aceitar que a cidade também tem os seus atractivos (e um deles chama-se James Mycroft, ehehe). É corajosa e discreta, responsável e portadora duma boa dose de bom senso, o que dá sempre jeito.

Já o protagonista masculino, James Mycroft, é feito dum molde diferente, assombrado por uma tragédia familiar envolta em mistério - a morte dos pais num acidente de carro difícil de explicar. Isso acaba por dirigir a maneira como ele vive a vida. Por um lado um certo sentido auto-destrutivo, bem adolescente, bem centrado em si mesmo, sem vandalizar ou meter os outros em sarilhos. Por outro lado, um lado criativo brutal, em que canalizou a tragédia pessoal para um interesse por química, ciência forense e criminalidade, publicando artigos informativos online. É um personagem interessante de explorar, e senti compaixão pelo seu percurso de vida, porque é basicamente um miúdo negligenciado, desde que perdeu os pais, e que nunca teve rumo, mas que exibe alguma maturidade invulgar devido às suas circunstâncias.

Agora, a parte melhor do livro… são os dois juntos. Para já porque fazem um belo par de detectives, sempre a meter-se em sarilhos e determinados a resolver o mistério do livro. Depois, porque têm uma química e um entendimento mútuo inegável, e é fascinante vê-los juntos. Basicamente conhecem-se há quatro meses e meio e lidam um com o outro como se se conhecessem há uma vida inteira. (O que me lembra, matava para ler sobre como se conheceram e se tornaram amigos. Há de ser uma história divertida, imagino.)

E por fim, porque a química e a tensão estão lá, e acho que até eles estão cientes disso, apenas levam muito tempo a decidir fazer alguma coisa, o que é em parte torturante e em parte delicioso. E pronto, esta conjunção de características dos personagens e da sua relação fez-me torcer por eles como se não houvesse amanhã.

O mistério apresentado na história é complexo o suficiente para manter o interesse, e simples o suficiente para ser credível que um par de adolescentes consiga resolvê-lo, suponho. O vilão principal não é completamente óbvio, mas também não é difícil de adivinhar, apesar de as suas motivações me deixarem na dúvida. Existem tipos destes? *arrepio* Achei bem mais realista o vilão secundário, que é aquele que acaba por impelir a narrativa, e que tem os motivos mais credíveis.

Acho que a equipa Watts-Mycroft teve uma sorte brutal ao descobrir um certo pormenor, porque nada lhes dizia que aquilo tinha alguma relação com o crime, a não ser um palpite que se revelou certeiro… mas de resto, a investigação é feita com os recursos que têm à mão, que não são muitos, e com uma bela dose de engenho adolescente bem engraçado (e às vezes perigoso).

O elenco de personagens secundários dá um bom suporte à história, e não houve ninguém que não me deliciasse conhecer. A Mai e o Gus, amigos dos protagonistas (e fãs número 1), que os incitam na investigação. A família da Rachel, cujas tensões presentes pela mudança para a cidade são bem credíveis. Até o Dave, o sem-abrigo que morreu e que era amigo do Mycroft e da Watts.

E também o Detective Pickup (este nome é hilariante por alguma razão) e o Professor Walsh, que imagino que venham a aparecer no futuro, provavelmente a cruzar-se novamente com o Duo Dinâmico numa investigação. Oh, e o director da escola, Conroy, porque tenho quase a certeza que é um fã do Mycroft, apesar de ter de lidar com demasiadas confusões armadas pelo Mycroft. Coitado do homem.

A escrita agradou-me, por ser bem humorada mas não fugir a abordar aspectos menos felizes, por ser realista e criar um par de adolescentes credíveis, nem demasiado maduros, nem demasiado infantis. É uma altura da vida complicada, em que não se é nem carne nem peixe, e encontrar o equilíbrio a escrevê-la não é fácil. Além disso, diverti-me a descobrir os coloquialismos Australianos. São palavras e expressões que são fáceis de perceber pelo contexto, mas que são usadas de novas maneiras, e isso ajudou-me a imergir no cenário.

Enfim, estou a escrever isto e a dar-me conta como às vezes tenho uma sorte macaca e fantástica, por as estrelas ou os planetas se alinharem, ou coisa parecida, e um livro conseguir juntar e conjugar uma série de coisas que separadas me agradam, mas que juntas me deixam felicíssima da vida, e tremendamente entusiasmada; e ao mesmo tempo desgostosa porque, pronto, lá fiquei viciada em mais uma série, e enfim, o que é mais um bocadinho de sofrimento pelo próximo livro de uma série? Não é nada a que eu não esteja habituada, e sempre tenho outros livros de outras séries para me entreter pelo meio.
Páginas: 352

Editora: Tundra Books (Random House)

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Wonderfully Wicked Read-a-Thon 2014 - Wrap-Up Post

My Shelf Confessions
And the Wonderfully Wicked Read-a-Thon 2014 comes to an end... it's sad because it's over, but it was a fun week period of 11 days, and I always enjoy having some time to dedicate myself to reading and to celebrate reading.

Let's take a look at my goals and how I did:
  • To read every day, and to read for at least an hour (two if possible) - I did so, counting the stuff I wasn't reading for the read-a-thon (it was reading, nonetheless);
  • To enter some challenges, if not all of them - I entered all of them;
  • To update my progress every day, or most likely, every day I enter a challenge - I did the second option, I updated every 2 or 3 days, whenever I entered a challenge, and when there were no more challenges left I updated every 3 days;
  • To read 3 or 4 fiction books, and mix it up with some graphic novels, manga books, short stories, or novellas (whatever floats my boat) - I read 4 fiction books and 3 comic books.

Statistically:
  • I read 4 fiction books - Haunted by Meg Cabot, Twilight by Meg Cabot, Rebel Angels by Libba Bray, Every Breath by Ellie Marney;
  • I read 3 comic books - Vingadores: Cerco [Siege] by Brian Michael Bendis, Olivier Coipel; Thor e Capitão América: A Essência do Medo [Fear Itself] by Matt Fraction, Stuart Immonen; Homem-Aranha e Vingadores: Contos de Fadas Marvel [Marvel Fairy Tales] by C.B. Cebulski, Mindy Owens, Ricardo Tércio, Niko Henrichon, Nick Dragotta, João Lemos, Nuno Plati;
  • I read 2096 pages, a bit better than the last WWRAT, and an average of 190,5 pages per day, way better than my average daily count of 136 pages this year;
  • The longest book I read was Rebel Angels with 560 pages, and the shortest one was Marvel Fairy Tales with 168 pages;
  • The books I read were a bit longer than the average page length this year, and I read more books per week than the average for me this year.

And that's a wrap-up for this read-a-thon. Thank you to the hosts and everyone who hosted a challenge; thank you for the effort in organizing this.

Below are my posts for the read-a-thon, both the starting post as well as the update posts, which contain both my progress and my answers to the challenges.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Wonderfully Wicked Read-a-Thon 2014 - Saturday, Sunday and Monday (25th-27th)

Pages read
Saturday: 198 pages
Sunday: 208 pages
Monday: 78 pages

Pages read so far
2096 pages

Books read
Saturday:
23,6% (132/560 pages) of Rebel Angels by Libba Bray
18,8% (66/352 pages) of Every Breath by Ellie Marney

Sunday:
59,1% (208/352 pages) of Every Breath by Ellie Marney

Monday:
22,1% (78/352 pages) of Every Breath by Ellie Marney

Books read so far:
Vingadores: Cerco [Siege] by Brian Michael Bendis, Olivier Coipel (finished reading)
Thor e Capitão América: A Essência do Medo [Fear Itself] by Matt Fraction, Stuart Immonen (finished reading)
Homem-Aranha e Vingadores: Contos de Fadas Marvel [Marvel Fairy Tales] by C.B. Cebulski, Mindy Owens, Ricardo Tércio, Niko Henrichon, Nick Dragotta, João Lemos, Nuno Plati (finished reading)
Haunted by Meg Cabot (finished reading)
Twilight by Meg Cabot (finished reading)
Rebel Angels by Libba Bray (finished reading)
 Every Breath by Ellie Marney (finished reading)

Read-a-thon status:
Every Breath is so, so cute. The main characters are totally adorable and
I want to hug them both. I'm basically fangirling here, because I rooted for
Watts and Mycroft the whole way through. Besides, the book was very 
engrossing and fun, and I loved how Ellie Marney writes, Australian
colloquialisms included. What is it about Australian writers and
their witching ways of making me love their books?

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Wonderfully Wicked Read-a-Thon 2014 - Wednesday, Thursday and Friday (22nd-24th)

Pages read
Wednesday: 152 pages
Thursday: 108 pages
Friday: 136 pages

Pages read so far
1612 pages

Books read
Wednesday:
27,1% (152/560 pages) of Rebel Angels by Libba Bray

Thursday:
19,3% (108/560 pages) of Rebel Angels by Libba Bray

Friday:
24,3% (136/560 pages) of Rebel Angels by Libba Bray

Books read so far:
Vingadores: Cerco [Siege] by Brian Michael Bendis, Olivier Coipel (finished reading)
Thor e Capitão América: A Essência do Medo [Fear Itself] by Matt Fraction, Stuart Immonen (finished reading)
Homem-Aranha e Vingadores: Contos de Fadas Marvel [Marvel Fairy Tales] by C.B. Cebulski, Mindy Owens, Ricardo Tércio, Niko Henrichon, Nick Dragotta, João Lemos, Nuno Plati (finished reading)
Haunted by Meg Cabot (finished reading)
Twilight by Meg Cabot (finished reading)
Rebel Angels by Libba Bray (currently reading)

Read-a-thon status:
Rebel Angels is taking a while to read, but Libba's writing demands I pay
attention, so I can't complain, I expected to take my time to read it.
Which is funny, since I'm reading it for a read-a-thon, but
I'm cool with my choice. I'm enjoying it.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Haunted, Twilight, Meg Cabot

Haunted, Twilight, Meg Cabot
E chega ao fim esta série da Mediadora. Se bem que agora que descobri que o sétimo livro foi adiado para Fevereiro de 2016, bem que gostava de ter seguido o meu primeiro instinto e ter começado o meu desafio Meg Cabot com os Diários da Princesa, que ainda hão de ser publicados a meio de 2015... assim, quando chegar a 2016, já não me lembro de nada.

Estes dois últimos livros da série fogem um bocadinho ao esquema geral do enredo que os anteriores tinham, por duas razões. Uma é que exploramos melhor aquilo de que os Mediadores são capazes, pelas mãos do bad boy de serviço, Paul Slater, e o acesso inédito que ele dá à Suze ao conhecimento de um Dr. Slaski, que teorizou sobre as capacidades dos Mediadores.

É uma parte do enredo muito interessante, porque mostra algo que sempre pensei, que a Suze era capaz de mais, muito mais. E por isso gostava que este aspecto tivesse começado a ser desenvolvido um pouco antes. Valia a pena tê-lo explorado melhor, apesar de a própria Suze já ter apanhado algumas coisas ao longo dos anos. Além disso, é difícil não pensar que a exploração deste tópico é algo interesseira, pois vai ter preponderância no desenlace da série. Suponho que gostava que esta Chekov's gun tivesse sido plantada mais cedo.

A segunda razão é o próprio Paul Slater e o turbilhão que gera na vida da Suze. É um personagem complicado, no mínimo, e aprecio a nuance que a autora lhe atribuiu. É alguém a quem poderíamos chamar mau, porque se opõe à heroína, e porque usa métodos muito pouco morais ou éticos; mas há algumas coisas que aponta e que tem razão em defender que sejam assim, porque alguém que estivesse de fora da vida da Suze pensaria o mesmo.

É arrogante, charmoso e inteligente, mas há uma espécie de sombra que o segue, um quê de solidão e de isolamento auto-infligido. Às vezes fez-me pensar que o comportamento dele é mais uma maneira de afastar as pessoas do que realmente algo que ele faz porque acredita que está a proceder de acordo com os seus interesses. Portanto, boa caracterização, e mais uma vez gostava que a Meg o tivesse apresentado mais cedo, para o conhecermos melhor.

Já o disse aqui uma vez, e volto a dizê-lo. Gosto muito da Suze arrogante, teimosa e com atitude e garra, mas também me divirto quando ela perde a cabeça e anda à toa. Isso acontece-lhe novamente no sexto livro, Twilight, e por causa de quem? O Jesse. Admito que é uma situação complicada, e uma que deixou a Suze do lado errado do que está certo e errado porque estava a pensar com o coração, mas também fico contente por ela depois ter compreendido o que estava em jogo.

Aliás, ao longo da série (e destes dois livros), ela tem tido uma evolução interessante. Uma jovem que estava tão habituada a cuidar de si, e encontrou uma rede familiar e de amigos tão boa. O padrasto Andy e os três meio-irmãos já são como família, e como tal, portam-se todos como família, eles, ela e a mãe, com as discussões, problemas e castigos, mas também o carinho, as piadas, a preocupação uns com os outros.

Para além disso, gosto de ver a Suze apoiar-se mais no padre Dominic, e finalmente pedir-lhe conselho, ainda que não seja aquele que ela quer ouvir. O padre, coitado, não sei como a atura, tendo em conta as loucuras dela e os sarilhos em que se mete. E tenho de mencionar a CeeCee, que é toda analítica e científica, mas que (ou talvez por causa disso) dá um tiro certeiro no mistério do Jesse e percebe o que realmente se está a passar ali.

Ainda tenho de mencionar o Paul no que toca à Suze, porque lhe coloca um dilema curioso. É muito claro quem é que ela ama (o Jesse), mas é interessante ver que isso não a impede de sentir atracção por outra pessoa. É bastante realista e gosto de ver a Suze a ser obrigada a lidar com o problema, especialmente porque essa atracção deriva de um impedimento de ter uma relação normal com o Jesse, e de um afastamento que não é emocional mas físico.

O final da série e a solução da autora são a coisa mais intrigante de todas. Quando comecei a ler a série, há muito, muito tempo, não imaginaria que terminasse assim. E quando cheguei ao fim dela, há uns anos, fiquei impressionada com a conclusão. É bastante cor-de-rosa, e podia ser extendida mais um pouco para explorar as possibilidades, mas é uma solução relativamente simples e elegante para o problema que dominou a série. (Não quero pensar no contínuo espaço-tempo e nos problemas que o fim deve ter dado. Prefiro viver feliz e ignorante, satisfeita com o fim.)

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Wonderfully Wicked Read-a-Thon 2014 - Sunday, Monday and Tuesday (19th-21st)

Pages read
Sunday: 244 pages
Monday: 288 pages
Tuesday: 32 pages

Pages read so far
1216 pages

Books read
Sunday:
68,1% (196/288 pages) of Haunted by Meg Cabot
14,3% (48/336 pages) of Twilight by Meg Cabot

Monday:
85,7% (288/336 pages) of Twilight by Meg Cabot


Tuesday:
5,7% (32/560 pages) of Rebel Angels by Libba Bray

Books read so far:
Vingadores: Cerco [Siege] by Brian Michael Bendis, Olivier Coipel (finished reading)
Thor e Capitão América: A Essência do Medo [Fear Itself] by Matt Fraction, Stuart Immonen (finished reading)
Homem-Aranha e Vingadores: Contos de Fadas Marvel [Marvel Fairy Tales] by C.B. Cebulski, Mindy Owens, Ricardo Tércio, Niko Henrichon, Nick Dragotta, João Lemos, Nuno Plati (finished reading)
Haunted by Meg Cabot (finished reading)
Twilight by Meg Cabot (finished reading)
Rebel Angels by Libba Bray (currently reading)

Read-a-thon status:
The last two books from the Mediator series were so much fun! And a bit heartbreaking
too, I guess. If I didn't know another one is coming, I'd be so sad for being unable to keep
up with Suze and the gang. But that ending... when I first read it I had no idea how Cabot
was going to solve things, and it was quite impressive, such a neat and clever solution.
Though the seeds could have been planted a bit earlier... As for today, I did read, only
it was a quick, skimming/re-read of A Great and Terrible Beauty. So, though I did
spend quite a bit of time reading, I won't count it for my yearly tally, for the
read-a-thon or for my reading challenges. I'm not sure if I'll be able to start
Rebel Angels tonight, but if I do, I'll update here tomorrow.


Challenge: Scavenger Hunt hosted by Kimberly @ Caffeinated Book Reviewer
I am excited to be a host for the #WWreadathon. It’s time to dust off your Holmes hat, break out your Nancy Drew compass and grab your Scooby snacks. We are going on a Bookish Scavenger Hunt. Your task is to find as many of these objects on book covers as you can. Each item gains you an entry, and one winner will be chosen at random. Open internationally the winner will receive a book of their choose valued at 10.00 US dollars or less. Good luck and happy hunting!

a bird | bitten fruit | a lion | dominoes | shoes | fedora | a headless couple | crown/tiara | a sword | tree roots | a green dress | almost smooching | a cowboy | a witch | zombie | creepy house | an eye | a cat | large letters | blood

Have fun! To give you a little clue I found all of these items on Goodreads.  If you share your results on your blog leave a link below so I can see what you have found. Please do not leave book titles in comments. We want everyone to find their own titles. Remember to enter the books you found in the giveaway tool. Happy Hunting and reading!
Phew, this was slightly exausting. I mean it in a good way, because the cover hunt was fun, and many were quite easy to find... but it was maddening to look at so many covers to find one whose tree roots or fedora hat were just right. (What can I say, I'm a perfectionist. Small details wouldn't be able to be seen, so I wanted to pick a cover where these were a bit more obvious.)

Some of these are a bit more subjective, like the creepy house, so I chose one that looks creepy to me. Also, it's interesting how sometimes we never notice the details on covers. I'd never registered until now that this The Book Thief's cover has dominoes in it, and I must have seen it a hundred times. Well, here are my picks:


a bird | bitten fruit | a lion

dominoes | shoes | fedora

a headless couple | crown/tiara | a sword

tree roots | a green dress | almost smooching

a cowboy | a witch | zombie

creepy house | an eye | a cat

large letters | blood

Wow! Quite a variety of covers here... Well, that's it for the day. Happy reading!

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Colecção Universo Marvel #13, #14 e #15: Vingadores, Thor, Capitão América e Homem-Aranha

Vingadores: Cerco, Brian Michael Bendis, Olivier Coipel
Acho que gosto mais destes "eventos" que juntam vários heróis e que ocorrem transversalmente ao universo Marvel se não forem muito longos. O Vingadores: Para Sempre engonhou ao ponto que se tornou um pouco aborrecido, o Invasão Secreta era só uma desculpa para pormos os heróis a dar porrada em versões Skrull de si próprios... Cerco tem o tamanho suficiente como história, e por isso pareceu-me uma narrativa bem mais dinâmica, a que não é alheio o facto de a premissa ser bem mais interessante e a arte captar bem a atenção.

Cerco vem no seguimento de outros dois eventos da Marvel, Guerra Civil e Invasão Secreta e até, suponho que posso dizer assim, no seguimento das histórias que começaram em Thor: Renascido. O primeiro é importante porque os resultados que teve no universo Marvel ainda se fazem sentir; o segundo porque colocou o Norman Osborn à frente da HAMMER, a substituta da SHIELD; o terceiro porque colocou Asgard a flutuar em plenos EUA, o cenário da acção da narrativa.

É uma premissa engraçada de seguir, especialmente porque mal o Osborn mete na cabeça que tem de atacar Asgard, desse lá por onde desse, eu já estava a pensar que aquilo lhe ia rebentar na cara. Mas as ramificações e as intrigas de bastidores e todas as pequenas influências que puseram os personagens na posição em que estavam, bem, são interessantes de acompanhar. E assim que a batalha começa existem reviravoltas suficientes para tornar a coisa cativante, mas nada confusa de acompanhar.

Gostei de ver os Vingadores reunidos, incluindo os personagens de equipas secundárias, a trabalhar por um objectivo comum, e gostei de ver retomar o status quo. Foi engraçado ver a dualidade do Capitão América, com o Steve Rogers e o Bucky Barnes a lutar lado a lado. Apreciei ver explorados alguns personagens mais desconhecidos para mim. (E apreciei que o Homem-Aranha continue a lançar bitaites palermas a torto e a direito.)

A arte de Olivier Coipel é dinâmica, cativante para o olho, e improvisa de vez em quando com o planeamento das vinhetas, o que gera um belo visual. Também gostei dos artistas do prólogo, pelo estilo mais "pintado", é bem bonito. Por outro lado, é vergonhoso é que este edição tenha todo o capítulo 3 de Cerco com uma péssima qualidade, grande parte das imagens está pixelizada, especialmente nos contornos, o que quer dizer que pegaram em imagens de pior qualidade e "esticaram-nas" - é inadmissível.

Thor e Capitão América: A Essência do Medo, Matt Fraction, Stuart Immonen
Outro "evento" cuja premissa e execução acabam por ser cativantes. Gosto muito da ideia de haver entidades a semear o medo pelo planeta fora, e que esse medo seja fundado numa atmosfera sombria bem real, tirada das parangonas dos jornais. Aprecio o uso de mitologia nórdica, porque acho curiosa a apresentação que a Marvel lhe tem dado. E é fascinante a ideia de as coisas ficarem tão más que até os heróis desanimam, prestes a desistir.

Aqui nota-se um bocadinho mais a falta de leitura de revistas laterais aos eventos, porque, por exemplo, os "Dignos" são sete e parece-me que apenas seis são apresentados nestas revistas do evento principal (pelo menos fartei-me de passar páginas para a frente e para trás a contá-los, e não encontrei o sétimo). O Digno em falta aparece em Paris, creio eu, e por um comentário de passagem do Homem de Ferro foi ele que o enfrentou, e deve ser na revista dele que esse Digno aparece. Mas não custava nada uma mísera vinheta a apresentá-lo na história principal; é o que acontece com outros Dignos, por isso a falta deste é estranha.

Fora isso, adoro a atmosfera evocada, o medo, a ideia que o mundo vai para o inferno e ninguém consegue fazer nada. Não sou fã da atitude dos Asgardianos, principalmente de Odin, que acha que a maneira de resolver as coisas é esconder-se na toca a criar um exército, deixar o inimigo ganhar poder, e deixar lixar a Terra... custava muito enfrentar o inimigo? Afinal, se ele desse o peito às balas era capaz de ter poupado o filho. Digo eu. Portanto, fiquei ainda menos fã do Odin, e foi divertido ver o Steve Rogers e o Tony Stark darem-lhe uma valente descasca em ocasiões separadas.

Aprecio o crescendo final, em que a maré parece finalmente virar, e se vê pequenos momentos de esperança no meio do medo pelo mundo fora. E gostei de ver os looks novos que alguns super-heróis ganham. Não sou fã das mortes que acontecem, porque já sei que hão de ser desfeitas mais à frente, e lendo a história sabendo isso tira-lhes o interesse, a tragédia dos sacrifícios feitos. (Fiquei particularmente chocada com a primeira, que não estava à espera.) Em termos de arte, já conhecia de All-New X-Men, já gostava, e encontrei aqui razões para continuar a gostar.

Homem-Aranha e Vingadores: Contos de Fadas Marvel, C.B. Cebulski, Mindy Owens, Ricardo Tércio, Niko Henrichon, Nick Dragotta, João Lemos, Nuno Plati
Ok... para começar, acho extremamente frustrante pegarem nas histórias de Spider-Man Fairy Tales e Avengers Fairy Tales, e escolherem colocar neste livro os números 1, 2, e 4 de cada título, mas não os números 3. Se eu quiser ler as outras histórias, vou ter de andar à mesma à caça dos livros que juntam ambos, porque falta uma história de cada um. (E nem sei como, porque os livros estão indisponíveis e out-of-print.)

Sei que a ideia era destacar os autores portugueses que participaram nesta iniciativa; mas também sei que os livros nesta colecção Marvel têm tido um número irregular de páginas - uns mais, outros menos - e gostava que este tivesse sido um dos casos do "mais páginas". E se era para juntar uma salganhada de histórias, preferia que pelo menos uma das histórias de um desenhador que não os portugueses (provavelmente a de Nick Dragotta para o Homem-Aranha) saísse, e que aparecesse pelo menos uma história de X-Men Fairy Tales. Esta colecção do Universo Marvel tem tido tanto peso nos Vingadores e nos "eventos", e apesar de eu apreciar ler eventos recentes no universo Marvel, estou a achar falta de mais um volume ou outro para os X-Men.

Enfim... apreciei as histórias no geral. Gosto muito de ver adaptações de contos de fadas, e creio que fizeram um bom trabalho com os mesmos e com a sua integração com os personagens Marvel. É bom ver pormenores do conto e da mitologia do super-herói retratado a integrarem-se mutuamente, criando um todo bem giro.

Das histórias do Homem-Aranha, gostei mais das duas primeiras. Fora do Caminho é uma adaptação do Capuchinho Vermelho, com uma boa mensagem, de como a Mary Jane e o Peter são iguais e derrotam o lobo juntos. A arte de Ricardo Tércio é incomum, mais geométrica e cartoonesca, mas do meu agrado. Os Espíritos da Amizade identifica o Homem-Aranha com o deus africano Anansi - parecem tão afastados, mas acabam por ter algumas coisas em comum. E o estilo artístico é detalhado, mas bonito, e combina bem com as cores.

Aquilo Que Se Deseja é uma adaptação da Cinderela que coloca o Peter nesse papel, e o pior do conjunto. A arte tenta emular o estilo clássico, o que não é mau em si, mas destoa num conjunto de estilos mais modernos. Além disso, apesar da inversão de papéis, a Gwen (a princesa) volta a cair no papel de vítima e de boneca do destino, sem direito a mais poder de decisão do que o homem com quem quer casar. Acaba por não trazer nada de novo.

As histórias com os Vingadores acabaram por me agradar todas. Era Uma Vez... reconta Peter Pan e visualmente é tão bonita. O estilo de João Lemos é incomum, sim, mas é o que mais se destaca neste livro, e é fantástico, adequa-se à história. Gosto da ideia dos Vingadores nos papeís principais, particularmente o Capitão América como Peter, porque há alguns paralelismos nas respectivas histórias.

Criados Iguais reconta Pinóquio com o Visão como protagonista, e usa algumas coisas da sua história e da do Hank Pym de maneira inteligente. A arte de Nuno Plati é um pouco peculiar, mas visualmente cativante e adequada ao lado mecânico da história.

A última história reconta O Feiticeiro de Oz com a Mulher-Hulk como Dorothy, o Thor, o Homem de Ferro e o Capitão América como os seus companheiros, o Feiticeiro como Magneto, a Feiticeira Escarlate como Bruxa Má do Oeste. É curioso ver os paralelismos entre os personagens da Marvel e do conto, e ver um momento importante dos mutantes recontado ("acabaram-se os mutantes").

Destaque ainda para as páginas finais, que recolhem alguns esboços e impressões dos desenhadores portugueses que trabalharam nestas histórias.

domingo, 19 de outubro de 2014

Maze Runner - Provas de Fogo, James Dashner


Opinião: Eu sou masoquista. E um bocado parva, de certeza. É a única explicação para eu ler os livros desta série, passar o tempo a ranger os dentes porque o autor faz um conjunto de coisas de que eu não sou fã, e no fim, ainda me sujeitar a mais uma dose disto, porque caramba, eu preciso de saber que há um objectivo por trás de tudo na história, ou atiro os livros da janela. (Eu moro bem alto. A viagem até lá abaixo não vai ser bonita.)

Acho que depois do primeiro livro já estava mais ou menos mentalizada para encontrar outra vez as coisas que não gostei no mesmo, porque a história de Provas de Fogo fluiu melhor. Ou talvez seja porque desta vez, ninguém sabe que raios se está a passar, por isso fui poupada às primeiras 200 páginas de Correr ou Morrer, em que o Thomas anda dum lado para o outro a tentar perceber o que se passa no Labirinto, e ninguém lhe explica. (Talvez porque era divertido gozar com a cara do caloiro? Não faço ideia.)

Enfim, os jovens que saíram do Labirinto são manipulados e colocados novamente numa situação que exige que passem por uma série de provas arbitrárias e aleatórias, só para a CRUEL, essa organização misteriosa e cujos propósitos se mantêm obscuros, retirar uma qualquer informação não revelada ao leitor, a não ser por meias palavras e palavreado vago. Quero dizer, a este ponto eu consigo fazer uma estimativa do que se está a passar, lendo nas entrelinhas, mas não é por falta de tentativas do James Dashner de me manter no escuro. O homem parece que se diverte com deixar o leitor frustrado.

A escrita também não melhorou. Já bem basta o facto de o autor não saber dosear revelações e novas perguntas que coloca (muito peso nas últimas, e não põe peso que chegue na primeiras); um livro deve bastar por si próprio, digo eu, na história que apresenta, percorrendo um arco que coloca questões, responde-as, e coloca mais questões, em jeito de gancho para manter o leitor interessado no livro seguinte.

O problema é que em termos de técnica o autor não é muito bom. Há muito dizer-nos como o Thomas se sente, em vez de nos mostrar como ele se sente. (Show, don't tell.) Alguém diz alguma coisa, o autor diz-nos como o Thomas se sente. Alguém diz outra coisa, o autor diz-nos novamente o que o Thomas sente em relação a isto. Bah.

Além disso, há muita repetição de acções que nada contribuem para a narrativa. Perdi a conta às vezes em que o Thomas adormeceu no livro; às vezes, acordava a meio da noite, só para nós termos o prazer de voltar a vê-lo adormecer. E pior, muitas vezes o adormecer era o que fechava o capítulo. Muitos autores preferem colocar no fim de um capítulo um acontecimento inesperado para agarrar o leitor e fazê-lo continuar a ler; o James Dashner prefere terminar o capítulo com o Thomas a adormecer, para nos matar a vontade de continuar a ler e nos dar vontade de adormecer também.

Vale a pena acompanhar alguns personagen secundários, penso eu. Gosto bastante do Minho, que não tem queda para choradeiras e incita toda a gente a continuar a andar e a esforçar-se para chegar ao fim, apesar de inicialmente estar relutante em assumir a liderança. O Newt também me parecia interessante no primeiro livro, mas aqui o coitado não tem muito tempo de antena, e demonstra outra das fraquezas do autor, que é criar personagens memoráveis, credíveis e tridimensionais.

O autor é mais enredo que personagens, o que não é a minha preferência, mas desde que fosse bem escrito, não me importaria. É um bocado triste quando os personagens estão ali mais para encher - o próprio autor o reconhece, quando depois dum evento particularmente mortal o Thomas pensa algo do género "ai ainda bem que não foi alguém que eu conhecesse (e gostasse)".

Acho curioso o caminho que a Teresa tem que tomar, e compreendi as razões e o pensamento dela, bem melhor que o tolo do Thomas, diria eu. Fiquei intrigada com alguns dos personagens novos: o Aris e as raparigas, um paralelo do Thomas e dos rapazes, por exemplo, e que eu gostaria de conhecer melhor, de saber o que aconteceu com eles. O Jorge também é marginalmente interessante, pela sua linha de pensamento meio doida, se bem que podia ser um pouco menos estereótipo do latino.

A Brenda, bem, não sei que dizer. Por um lado gosto dela e da sua atitude, e acho interessante e credível o modo como o Thomas se sentia em relação a ela. Por outro, a tentativa de introduzir um triângulo amoroso é um bocado batida e patética. Quero dizer, o Thomas e a Teresa não têm memórias, e não se lembram do que se passou entre eles antes do Labirinto, o que já de si é complicado (e nas mãos de alguém mais habilidoso, daria pano para mangas), e ainda há as coisas que acontecem neste livro, que também não ajudam nada, e ainda precisamos mesmo dum terceiro elemento a complicar mais? A sério?

Um problema de manter os desígnios da CRUEL no escuro é que é muito difícil perceber a lógica do que andam a fazer. A este ponto, começo a achar que têm a tortuosidade e os requintes de malvadez dum Jigsaw Killer, dos filmes Saw, nas "provas" a que submetem os miúdos. Quero dizer, se a ideia parece ser estudar o maior número de indivíduos, e escolher os melhores, num género de selecção artificial Darwiniana, não compreendo o que é que coisas como aquela bola metálica estão ali a fazer. A bola metálica não era apresentada a toda a gente do grupo, e não lhes foi dado verem o que fazia para tentarem livrar-se dela, estudando-se aí quem era mais "capaz"; portanto, qual o propósito?

E espero que a reacção dos miúdos a algumas das coisas seja parte da sua importância. Neste livro e no outro, ninguém fica assustado, acagaçado com as porcarias que lhes acontecem. Há quase que uma falta de reacção; e depois limitam-se a continuar. Além disso, a este ponto qualquer outra pessoa ter-se-ia revoltado contra a CRUEL e recusado a fazer o joguinho deles; estes miúdos continuam ali, como ovelhas. Sei que há um incentivo neste livro para que eles continuem a fazer o que lhes dizem, mas seria expectável pelo menos mais revolta.

A parte final é exactamente igual à do livro anterior. Uma luta contra bichos estranhos e bizarros (pela descrição do autor, imaginei uma coisa parecida com um dos Anjos de Evangelion, o que pelo menos é um melhoramento em relação às lesmas gosmentas dos Magoadores); e uma recolha pela CRUEL, com a promessa de respostas (finalmente), mas ainda não é neste livro que as receberemos. Meh. Até gostei do truque que o Thomas tentou arranjar para ajudar a Brenda e o Jorge, apesar de aquilo quase ir resultar mal.

O fim é entre intrigante e frustrante. Acho curiosa a coisa que acontece no sonho que o Thomas tem... mas o que vem a seguir é tão patético. Está o Thomas a prometer-se que não vai fazer o jogo da CRUEL... e depois faz exactamente o que eles querem que faça. Quero dizer, ele sabia que eles queriam que se sentisse assim no fim de tudo, e esquece-se disso? Não lhe passa pela cabeça que a atitude que teve era precisamente a que eles queriam? Que esquecer, e tentar compreender e perdoar era talvez mais de acordo contra fazer o joguinho da CRUEL? Enfim, eu já não espero muito da inteligência destes miúdos.

E sim, sou capaz de me sujeitar a um pouco mais de tortura e ler o terceiro livro; ainda quero ver o que o autor tem em mente para este mundo e os desígnios dos personagens. Há a promessa de pelo menos algumas respostas, mas não vou ser optimista e esperar que ele me diga tudo. Quero dizer, há duas prequelas para a trilogia. Uma já publicada, sobre como o mundo ficou assim; e outra prevista para 2016, sobre os personagens da trilogia antes de irem parar ao Labirinto. Assumo que seja aí que estão as respostas que realmente quero. *suspiro* Se isto não é uma tentativa óbvia de fazer dinheiro à conta dos leitores, não sei que seja. Ainda mais agora, quando o filme teve algum relativo sucesso...

Título original: The Scorch Trials (2010)

Páginas: 368

Editora: Presença

Tradução: Marta Mendonça