quarta-feira, 31 de julho de 2013

Este mês em leituras: Julho 2013

Como tinha previsto no post do mês anterior, um mês muito mais calmo em leituras e aqui no blogue. O meu horário actual até me permite ler bastante, mas estou muito tempo fora de casa e chego ao fim do dia mesmo cansada. Dou por mim a ler uns blogues mas sem energia para conjugar meia dúzia de ideias e escrever um post, adiando para o dia seguinte, e depois para o dia seguinte ao dia seguinte. Portanto, tenho tido menos tempo disponível para dedicar ao blogue, mas estou a esforçar-me para conseguir conjugar as coisas, porque não tenciono deixar de postar aqui regularmente. Será apenas um bocadinho menos regular e um bocadinho menos frequente.
 

Opiniões no blogue


Os livros que marcaram o mês

  • Espera por Mim, Gayle Forman - um livro pequenino, mas tão cru e bonito. O Adam e a Mia passaram por tanta coisa má que merecem um recomeço. Recomendaria esta série a toda a gente. (Bem, suponho que devia dizer: toda a gente que não se importe de chorar baba e ranho com o primeiro livro, pelo menos.)
  • Requiem, Lauren Oliver - marca pela negativa. Não gosto de dar demasiado peso às opiniões que leio em geral, porque as pessoas são diferentes umas das outras e gostam de coisas diferentes, e há sempre a possibilidade de eu vir a gostar, mas as opiniões que li quando o livro saiu fizeram-me pensar que não ia gostar. E essa sensação foi certeira. A Lauren Oliver fez exactamente aquilo que eu estive a rezar estes meses todos que não fizesse. E odiei o livro por isso.
  • Watchmen, Alan Moore, Dave Gibbons - pessoal que não costuma ler banda desenhada, estão convocados para ler isto, porque vai fazer-vos mudar de ideias. Adorei ler e aperceber-me dos pequenos pormenores da história, e reflectir sobre as ideias que nos apresenta.
  • Dracula, Bram Stoker - finalmente li o clássico que dá razão de existência a todas as palermices sobre vampiros que existem hoje em dia na literatura. Apesar de ser um bocadinho datado, é delicioso pelas múltiplas referências que transbordaram para a cultura popular, pelo tom gótico e de mistério, e pela narrativa epistolar.
  • Siege and Storm, Leigh Bardugo - acho que toda a gente já me ouviu leu queixar-me que nem uma pateta sobre a ausência de chegada deste livro. Quando *finalmente* chegou até dei pulinhos de alegria. E apesar de toda a expectativa, a Leigh não me desiludiu, pelo contrário, foi fabuloso, lindo, maravilhoso, torturante... e agora dei-me conta que vou ter de esperar UM ANO para saber o que acontece a seguir. *facewall*

Outras coisas no blogue


Aquisições


Angelologia, Danielle Trussoni
Angelópolis, Danielle Trussoni
Aproveitei uma promoção na Wook que envolvia a oferta do primeiro na compra do segundo. Uma pechincha, ainda mais porque o segundo livro é bem mais barato que o primeiro, e esta série deixou-me curiosa desde o início.

A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo, Stieg Larsson
O Beijo Encantado, Eloisa James
O Quarto de Jack, Emma Donoghue
As Quatro Últimas Coisas, Paul Hoffman
 
Comprados numas promoções do Continente. Os primeiros dois com uns 40% de desconto, para continuar a ler a respectiva série e porque tenho ficado curiosa com a autora nos livros que ele tem escrito a meias com a Julia Quinn. Os dois últimos numa promoção do tipo leve 2 pague 1, um porque sempre me suscitou curiosidade e outro para continuar uma série.

Inferno, Dan Brown
É aquela edição em capa dura das pré-vendas, conseguido com 20% de desconto. Nem quero saber que é um livro do Dan Brown, porque leio os livros dele esperando pouco, a não ser entretenimento. Mas é um livro em capa dura. Em português. Não é muito comum, tirando o Círculo de Leitores, que faz este tipo de edição com frequência, por isso achei que ia ser uma boa aquisição para a minha biblioteca.
 


The Immortal Rules, Julie Kagawa
The Hunger Games, Suzanne Collins
Catching Fire, Suzanne Collins
Mockingjay, Suzanne Collins
Rivers of London, Ben Aaronovitch

E viva as 24 horas de promoções do Book Depository. Consegui a trilogia dos Jogos da Fome por 10€. Ando há algum tempo a pensar em ler o trilogia em inglês. O Immortal Rules e o Rivers of London são outras duas promoções desse dia.

Siege and Storm, Leigh Bardugo
Dearly, Beloved, Lia Habel

O primeiro dispensa apresentações, tendo em conta a úlcera que quase me provocou por nunca mais chegar. Tive de contactar o Book Depository, e eles enviaram-me outro exemplar, os queridos. Pedi para mandar para casa dos meus pais, e chegou às minhas mãos mais rápido que chegaria se tivesse enviado aqui para Lisboa, curiosamente.
 

 
Como bónus, posso mencionar estes dois caderninhos, comprados também nas promoções do Book Depository, e cujas capas pertencem a dois dos livros da English Penquin Library.



 

Chamo a este conjunto "o Verão em que todos os jornais e revistas decidiram vender livros também". Temos a colecção de livros eróticos do Correio da Manhã, mais os livros de bolso das Crónicas de Gelo e Fogo da Visão (estou a comprá-los para coleccionar), passando pela colecção de BD dos heróis DC com o Público, e ainda um livro dos que vinham com a Caras. Felizmente no local onde os compro não preciso de comprar o jornal/revista correspondente. E ainda temos aqui alguma BD Disney - a Hiper mensal, a Hiper especial dos exploradores e ainda um especial de Verão.

A ler brevemente 

O Perfeitos, do Scott Westerfeld, e o For Darkness Shows the Stars, da Diana Peterfreund, são certezas para o próximo mês, pois são para leituras conjuntas. Fora isso, lerei também com uma boa dose de certeza os livros que for adquirindo da colecção de BD dos heróis DC.

Para além desses, talvez o Inferno, e o A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo. E tenho encomendado alguns livros que saem em Agosto, se me chegarem a tempo também devo lê-los, pois são lançamentos muito esperados. E como possibilidade tenho ainda o Faking It, da Cora Carmack, que também está encomendado e foi uma autora que me interessou quando li o primeiro livro.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Uma imagem vale mil palavras: Wolverine (2013) + bónus

Ok, os pontos altos desta sessão de cinema foram o trailer do City of Bones e a cena extra final do filme. (Estou a brincar. Mais ou menos. Pensando bem, nem por isso.) Da cena final falo mais para a frente. Do trailer do City of Bones, bem, eu tenho chateado quem quer que me ouça (normalmente, a minha irmã, coitada) que queria ver um trailer do City of Bones no grande ecrã, e finalmente o grande ecrã decidiu fazer-me a vontade. E tive oportunidade de fangirlar durante dois minutos e meio e não há mais nada a acrescentar a isso. (Excepto que foi um dos pontos altos da sessão. E sim, afinal estou a falar a sério.)

E porque é que os pontos altos não foram o filme em si? Porque o filme em si foi aborrecido. A sério. Como é possível fazer um filme do Wolverine aborrecido? Pois bem, conseguiram-no. Houve cenas, algumas mesmo de acção, em que eu senti a vontade de fechar os olhos e deixar-me dormir. E não é por estar cansada. Durante a semana tinha visto outro filme e esse não me deu sono, muito pelo contrário. (Sou capaz de falar desse mais adiante.)

O problema com este filme é que não sabe o que quer ser quando for grande. Primeiro começa por ser uma análise psicológica do Wolverine, num momento pós-X-Men 3. E creio que esse aspecto foi muito interessante de explorar, perceber o estado de espírito em que o Wolverine estava depois de todas as coisas que teve de fazer. Tem alguns momentos inspirados, e um subtexto inteligente. (Por exemplo, imagino que a razão pela qual o Wolverine aceita, no presente, a espada com que o Yashida ia cometer suicídio, no passado, é porque também ele estava preparado para morrer.)

E depois enveredamos por uma série de intrigas e cenas de acção meio confusas, e em parte desnecessárias para construir um enredo com sentido. Quando chegámos à cena final eu estava a perguntar-me o porquê de estarmos naquele ponto. E se precisei de perguntar, é porque as coisas não estavam claras. O aparecimento duma, er, terceira facção atravessa-se no meio do enredo com a segunda facção e, não sei, a transição pareceu-me muito pouco orgânica. E já agora, a cena a que chamarei "almofada de alfinetes" é engraçada visualmente, mas, a sério, o Wolverine ser derrotado assim?

Enfim... estava curiosa acerca da "fase japonesa" da história do Wolverine, mas não foi este filme que me satisfez, já que em termos de enredo e de evolução da narrativa é bem confuso. Contudo, não foi completamente desapontador, e tem um elenco de actores muito interessante. Adorei a actriz da Yukio (e a personagem também). As aparições da Jean têm o seu interesse. E o cenário é cativante, e gosto do ângulo do estrangeiro numa terra desconhecida para ele, mas podia ter sido melhor explorado.

Quanto à cena final... (E nunca mais me apanham a sair duma sala de cinema dum filme da Marvel sem me certificar se há cena final, podem crer.) Bem, ponto muito alto do filme. Foi super animador ver os dois personagens que aparecem nesse momento. E é um óptimo teaser para o Days of Future Past. Para esse, sim, estou com algumas expectativas.

Como bónus, recomendo antes que vão ver o Pacific Rim (Batalha do Pacífico). Esse sim, vale a pena. Fui ver em 3D e IMAX, e adorei. (E estou a falar do ponto de vista duma pessoa que desconfia ao máximo da utilidade do 3D.) Mas as cenas de batalha entre Jaegers e Kaijus estão impressionantes. Li por aí que a animação por computador foi feita directamente em 3D, em vez de haver uma conversão 2D-3D, como nas cenas live-action, e imagino que isso fez toda a diferença. É para aí o único filme em 3D que não me deu vontade de chorar o meu rico dinheirinho. A chuva! Parecia realmente que estava a chover na sala.

Outras razões para ver o filme, mesmo em 2D: o puro prazer geek de ver robôs e monstros gigantes à porrada não chega? Nunca vi o Godzilla, mas sou fã de Evangelion, e imagino que o filme apele a fãs dos dois. O elenco é bem interessante e gostei mesmo dos personagens e da história, e o filme tem uma qualidade muito característica deste realizador que me lembra de outros filmes dele. Uma história simples, mas deliciosa.

domingo, 28 de julho de 2013

Dracula, Bram Stoker


Opinião: Esta é uma leitura curiosa e algo ingrata para se fazer no século XXI, em que pedaços da história e da sua mitologia transbordaram para a cultura popular. Qualquer pessoa que leia o livro vai ter um século e meio de ideias e preconceitos sobre a figura do vampiro para colorir a leitura, e é capaz de ser difícil separar as águas.

Tendo dito isto, achei francamente divertido estar na posição de leitor conhecedor, que à medida que o relato do Jonathan Harker avança, sabe, com um sorrisinho sobranceiro, o que realmente se está a passar. Reconhecer os sinais ("oh, ele não aparece no espelho? nem aparece durante o dia? e tem uma reacção bizarra ao teu sangue e ao crucifixo? hmmmm") e saber o que significam, quando o Jonathan está às aranhas, a tentar perceber o que se passa, é uma sensação estranha. Mas consegui ler tendo em mente o quão este livro era uma novidade na altura em que foi publicado, e acho que consegui separar as coisas e apreciá-lo das duas perspectivas: a novidade e o livro com quase 150 anos que já gerou muita bagagem desde então.

O livro está escrito numa forma epistolar, cheio de entradas de diários, memorandos, notas, mensagens, telegramas, recortes de jornal e sei lá mais o quê. Agrada-me este formato. É um formato que abranda o ritmo de leitura e do enredo, mas é mais intimista e permite "entrar" na cabeça dos personagens. E a história tem mesmo um ritmo lento, mas não me custou que o fosse. Avancei devagar pelo livro, é verdade, mas isso também se deveu à falta de tempo. (Levei uma semana para ler o livro! Uma semana!)

E também é um pouco pelo inglês. Ler em inglês do século XIX é algo de extraordinário. O modo elaborado como o Bram Stoker escreve também pede atenção. (A chegada do Dracula a Inglaterra, no navio amaldiçoado, é algo de fabuloso.) O modo como o professor Van Helsing fala, sendo holandês, é algo atravessado. E temos a transcrição fonética de um par de personagens secundárias, cuja falas têm mesmo de ser lidas em voz alta para se perceber o que estão a dizer.

Apesar de ser um personagem que está ausente uma boa parte da história, a sombra do Dracula estende-se por toda a narrativa, criando uma atmosfera ominosa e influenciando acontecimentos mesmo quando não está presente. Gostei imenso quando as duas linhas narrativas (a do Jonathan e a da Lucy) se juntaram e quando *finalmente* os personagens começam a deslindar as coisas. O aspecto religioso é prevalente durante a narrativa, mas faz sentido, tendo em conta o período em que foi escrita, e transmite a questão mais geral do bem contra o mal, e da natureza do mal.

Como pontos fracos, posso apontar algo que também é um produto da época em que o livro foi escrito. A atitude machista e vitoriana, degradante das mulheres, e inerente em grande parte da história pôs-me a revirar os olhinhos sempre que podia. Podia apontar o subtexto da Lucy voluptuosa vs. obediente, e em como a primeira é a vampira maléfica sugadora de sangue e a segunda é a que recebe três pedidos de casamento no mesmo dia, a que tem a alma pura e que merece ir para o céu.

Ou o facto de estarem a apontar sempre a Mina como corajosa e inteligente e louvável (como se fosse algo de extraordinário! uma mulher inteligente, valham-nos os céus!), mas depois terem aquela ideia parva de a deixar de fora para a "proteger", o que, era óbvio, ia dar asneira. Se bem que a maneira como ela ignorou certos sinais, que àquele ponto, sabendo o que eles sabiam, eram óbvios, me deixou de pé atrás. É no que dá a política da compartimentalização, que ainda por cima aqueles palermas tentam aplicar uma segunda vez. (E que felizmente é varrida para baixo do tapete rapidamente.)

Entre os vários personagens, fiquei intrigada com o Renfield, um dos pacientes do Dr. Seward, e vítima do Dracula. A obsessão dele com consumir vida, derivada daquilo que o Dracula faz, é muito interessante. Também gostei de seguir a narrativa do Dr. Seward, acho que é um bom personagem. O professor Van Helsing traz uma perspectiva interessante, já conhecedor do mal que enfrentam, mas desejava que não tivesse mantido durante tanto tempo o segredo do que estavam a enfrentar, porque acho que não ajudou nada. Também gostei de seguir as entradas do diário da Mina, porque apesar do que apontei, acho que ela faz o melhor que pode dadas as suas circunstâncias.

Quanto ao fim, pode ser algo anticlimático, mas para mim funcionou. Apesar de todo o poder do Dracula, e da sua capacidade para o mal, há uma certa vulnerabilidade na personagem, devido aos limites do que pode fazer. E o fim explora isso. E dá a esperança que um grupo de pessoas a tentar fazer o bem consiga enfrentar o mal e vencer. O fim é algo moral, nesse aspecto, especialmente pelo sacrifício que exige.

Páginas: 368

Editora: Canterbury Classics

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Colecção Super-Heróis DC Comics - Volumes 1 e 2

Desde o ano passado, com a publicação da Colecção Heróis Marvel (Série I e Série II) pela parceria Levoir/Público, que ficou a expectativa de se fazer uma colecção semelhante para a DC. Que chega agora às bancas, à Quinta-feira, para apresentar uma série de histórias seleccionadas de vários personagens da editora. Estou bastante curiosa, conheço muito menos a DC e espero que esta colecção ajude um pouco a preencher essa lacuna.

Em jeito de primeiras impressões, parece-me que a qualidade de edição se mantém. A capa dura, o papel (que é tão bom que me cortei nele, coisa que nunca me acontece), e a impressão parecem-me igualmente bons. Nota-se uma diferença no número de páginas - ambos os livros que já li (e comentarei a seguir) têm talvez umas vinte páginas a menos que a média da colecção da Marvel. Calculo que é uma escolha calculada para manter o preço de capa (8,90€) e não ter de o subir.

Nota-se mais algum trabalho nas capas (algo que já se via na Série II, acho eu), com o uso de imagens "por trás" do fundo a cores e a preto. (Se bem que passava sem esse artifício no fundo preto. Pelo menos na lombada, onde fica estranho.) Tenho é saudades do símbolo do herói que colocavam nas lombadas da colecção da Marvel. Acho que aqui também podiam tê-lo feito. Não sou a maior fã do fundo azul para ambas as capas, pela repetição da cor e pelo símbolo da DC, que já é azul e se "perde" um bocado no meio da capa.

E agora sobre o nome da colecção - para a Marvel o ano passado eram "heróis", este ano para a DC são "super-heróis"? Mas isto  aqui há filhos e enteados ou alguém está aqui a tentar compensar alguma coisa? (LOL) Fora de brincadeiras, isto não me incomoda por aí além, mas fiquei intrigada com a mudança. Talvez tenha algo a ver com exigências da editora? No blogue de um dos organizadores da colecção há uma referência a exigências da DC quanto ao que podia ser abordado nos editoriais, por isso imagino que hajam outras directivas que tenham condicionado a produção da colecção.

Liga da Justiça - Terra Dois, Grant Morrison, Frank Quitely, Ed McGuinness
Gostava que tivesse havido alguma homogeneidade no uso da expressão "Terra Dois/2" ao longo do volume. Compreendo que o original em inglês é "Earth 2", e também compreendo que tenham preferido ter o 2 no título por extenso para evitar confusões com as histórias que estiverem divididas por dois volumes, e que são distinguidos com os numerais. Mas então que ficasse "Terra Dois" pelo livro todo, bolas, que confusão. É que fica a sensação que se está a falar de dois conceitos diferentes.

Gosto muito da premissa desta história, porque apresenta as histórias de super-heróis e as noções duais de bem e mal sob uma nova perspectiva. É muito interessante ver a inversão de papéis e acontecimentos entre as duas Terras, as reviravoltas que ocorrem devido a nesta outra Terra o mal vencer sempre, em vez do bem. Quis ler mais sobre este mundo, soube-me a pouco e acho que seria fascinante conhecê-lo.

Sobre a arte, não sou a maior fã do desenhador. Reconheci-o da série Novos X-Men e não gosto muito da maneira como desenha as caras. Faz os olhos muito pequenos, desproporcionais para o tamanho da cara, e não têm expressividade nenhuma. Os olhos dos personagens parecem-me todos iguais e dão a sensação que estão sempre todos zangados.

Sobre a segunda história, JLA: Classified, não me captou tanto a atenção. Gostei da ideia de conhecer uma equipa de super-heróis que não a JLA, mas senti que estava a começar a história in media res e que não havia suporte suficiente para um leitor ocasional se aperceber de certas coisas. De onde veio esta equipa? De onde veio o vilão? A situação que tem de ser resolvida é apresentada de forma desconexa e não ajuda a perceber as coisas.

Por outro lado, gostei muito da arte, particularmente do dinamismo do desenho e do trabalho com as vinhetas e a sua orientação na página. Lembro-me de uma página em que as vinhetas eram as faces dum cubo em perspectiva isométrica. Ou uma em que as vinhetas eram o símbolo do Batman. Ou umas páginas com 4x4 vinhetas.

Batman - Herança Maldita, Grant Morrison, Neil Gaiman, Andy Kubert
A história titular, Herança Maldita, acaba por ser outra que me deu a sensação de lhe faltar um bocadinho de trabalho expositivo e de começar a história a meio. Achei a história apressada e que podia ser melhor desenvolvida. É uma ideia interessante, a do Batman ter um filho. Mas nem sequer vemos grande reacção do Batman a isto.

A história é só basicamente o puto a arranjar sarilhos, dar cabo do Robin e no fim o Batman aperceber-se dos motivos ulteriores da mãe do miúdo. E fim. Quero dizer, acontece uma coisa séria ao Robin, mas a história rapidamente varre-o para baixo do tapete e não há impacto emocional nenhum. Por outro lado, em termos de arte, gostei do trabalho de sombras e de algumas vinhetas de página inteira.

No entanto, adorei a segunda história, O Que Aconteceu ao Cavaleiro das Trevas?. É uma ideia tão, tão boa - apresentando na mesma história uma reflexão sobre a mortalidade do Batman, a natureza cíclica das histórias de super-heróis, e como a diferente perspectiva das pessoas forma memórias diferentes. As histórias contadas no funeral são fascinantes de seguir (especialmente a do Alfred, o mordomo). Uma história mesmo boa, 5 estrelas.

A arte agradou-me, aqui também pela projecção das vinhetas na página e do uso das silhuetas do Batman. A coloração tem em geral um tom escurecido, mas adequa-se à história.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Picture Puzzle #58


O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Chaise Longue; A Cup of Coffee and a Book.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.

Puzzle #1
Pista: título fantástico publicado em português.

Puzzle #2
Pista: título YA paranormal em inglês.

Divirtam-se!

domingo, 21 de julho de 2013

2013 Don't Let It End Reading Challenge - Finished

Don't Let It End

And thus finishes the Don't Let It End Reading Challenge, hosted by Rachel @ Fiktshun, whose goal was to get us reading some end-of-the-series books. It was a fun challenge, and since it already alligned with one of my goals for this year (to end a few series), I decided I should enter it. It was fun, and Rachel is always a great host.

I read 9 books that were the last of its series, almost 2 per month, so I'd say this was successful. I intend to keep on ending another few series till the end of the year, so I guess I could say this challenge doesn't end here for me, though it officially ended last week.

Below are the books I read for the challenge, and the remaining books that I might have read for the challenge, but haven't. (Though a few will likely be read before the year ends.)

Books I read for the challenge:

Books I might have read for the challenge:
  • The Iron Knight, Julie Kagawa
  • Endlessly, Kiersten White
  • Hidden, Sophie Jordan
  • Spell Bound, Rachel Hawkins
  • Sever, Lauren DeStefano
  • Spellcaster, Cara Lynn Shultz
  • The Elementals, Saundra Mitchell
  • Rapture, Lauren Kate
  • Ravage, Jeff Sampson
  • The Sweet Far Thing, Libba Bray
  • Fire Study, Maria V. Snyder

sábado, 20 de julho de 2013

Watchmen, Alan Moore, Dave Gibbons


Opinião: Não costumo opinar BD num post isolado, pois comento-a há demasiado pouco tempo para me sentir à vontade a fazer um texto longo sobre a mesma, e de qualquer modo o que tenho a dizer geralmente não é o suficiente para preencher um post. Mas suponho que esta é a excepção à regra. Este livro tem tantas facetas que dão vontade de comentar, e merece um post próprio.

Escrito e publicado nos anos 80, Watchmen é claramente um produto do seu tempo, que nos apresenta um mundo alternativo e algo distópico - os EUA ganharam a guerra do Vietname, Nixon é o presidente dos EUA, e algo semelhante à Guerra Fria existe, mas com algumas diferenças cruciais. E o que provocou esta mudança?

A existência de super-heróis vigilantes (acho que vou usar mais esta palavra, que é uma aproximação e tradução melhor do original) na vida real, pois desde os anos 40 que pessoas normais pegaram em máscaras e se dedicaram a combater o crime. E a partir desta premissa, os autores apresentam um mundo muito convincente em que o aparecimento destes vigilantes foi o motor de mudança.

Os super-heróis de BD como os conhecemos têm uma função catártica e inspiradora, mas neste mundo são pessoas reais, com defeitos e feitios, e essa acessibilidade, e desilusão, por parte do público fez com que a BD de super-heróis não tomasse a preponderância que tem no mercado americano. Essa função é tomada pela BD com... piratas, que é em si uma noção bastante divertida. (Quase consigo imaginar a conversa entre os autores.) Mais tarde, os vigilantes perdem o mediatismo e o apoio do público, que sente que estão a roubar trabalho à polícia, e são banidos por lei. Os únicos que se mantêm activos são os sancionados pelo governo. (E um doido varrido que não consegue largar o vigilantismo.)

Watchmen apresenta-nos uma visão negativa mas lúcida acerca do tipo de pessoa que veste uma máscara para combater o crime. Estes vigilantes não são pessoas que inspiram pelo exemplo. São pessoas comuns, tremendamente humanas e complexas, com os seus problemas e neuroses, e os seus motivos particulares para se tornarem vigilantes (motivos esses raramente altruístas). É difícil a identificação com qualquer dos personagens por esta razão. Por se mostrarem em toda a sua imperfeição. O que torna fascinante este estudo psicológico dos personagens.

É muito curioso ver a evolução dos personagens na história. Um, com capacidades extraordinárias e uma posição privilegiada, deixa-se levar por um complexo de Deus e tenta resolver aquilo os problemas do mundo num esquema tão imperfeito que até dá vontade de rir. Outro, devido ao que é capaz de fazer, afasta-se cada vez mais da humanidade e perde o sentido do que é ser humano. Outro ainda tem uma moralidade distorcida, e vê as coisas apenas a preto-e-branco (falhando em ver os tons de cinzento), é violento, paranóico e a tender para o psicopata, mas é aquele que termina a história com a posição mais íntegra de todos.

O enredo avança lentamente, pois a história está cheia de pequenos detalhes deliciosos com ligação entre si e dedica um capítulo a muitos dos personagens principais e a explorar o seu passado. Adorei ler o livro aos poucos e descobri-lo aos bocadinhos. Os textos entre capítulos são tão bons, porque complementam a história do livro e mostram mais algumas das suas facetas. Contudo, nem todos os detalhes me convenceram. Estou ciente da importância e do significado do segmento dos piratas para a história principal. E seria uma coisa interessante de ler, se feita à parte. Mas dei por mim a resmungar cada vez que isto interrompia ou intercalava com a história principal.

A arte não me pareceu nada de especial, mas as cores e a evolução dos planos (que, ao que percebi ao ler por aí, é responsabilidade do Alan Moore e não do desenhador Dave Gibbons) dão um dinamismo particular à história.

Uma das críticas que tenho a fazer é o modo como certos assuntos são desenvolvidos, particularmente a caracterização das mulheres, que me pareceu fraca. A ler opiniões no Goodreads, li alguém a mencionar que o Alan Moore não estava à vontade naquela altura a escrever personagens mulheres. O que não é desculpa, temos pena. As mulheres não são um bicho raro, e não estão tão indisponíveis como uma tribo amazónica. Não é impossível passar um tempinho com elas, para conhecê-las ou para lhes pedir a opinião sobre como são retratadas. Ridículo.

O fim... bem, eu já vi o filme, e por isso tinha uma ideia do que acontecia. Não é igual (mas no filme, de qualquer modo, parece-me que resultou melhor aquilo que fizeram, porque tenho a sensação que o que acontece no livro ficaria ridículo no grande ecrã). É um fim desconcertante e desconsolador, e acho que é capaz de não vir a ter o efeito desejado. Tem algo de bizarro na sua concepção, mas a ideia base deixou-me curiosa. Apenas franzi a testa a ter o vilão a fazer o seu discurso "muahahah sou tão esperto", porque é tremendamente expositivo - e não poderia esta informação ser apresentada ao leitor de forma mais subtil?

Tal como o Kick-Ass faz a reflexão sobre vigilantismo no século XXI, com as redes sociais e a preocupação com os números de seguidores e em dar mais espectáculo, este contextualiza-o nos anos 80, com o que de negativismo estes comportam. É uma obra interessante, que vale a pena ler, e que dá muito que pensar.

Páginas: 416

Editora: DC Comics

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Picture Puzzle #57


O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Chaise Longue; A Cup of Coffee and a Book.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.


Puzzle #1
Pista: título YA publicado em português.

Puzzle #2
Pista: título de um autor lusófono.

Divirtam-se!

sábado, 13 de julho de 2013

Imperfeitos, Scott Westerfeld


Opinião: Tally Youngblood sonha com o dia em que fará 16 anos e poderá deixar de pertencer aos Imperfeitos para se tornar numa Perfeita. Mas no seu último Verão torna-se amiga de Shay, uma rapariga que tem dúvidas em se tornar Perfeita e que foge para evitar a transformação. E Tally vê-se perante um dilema: entregar a amiga ou ficar Imperfeita para sempre...

Pela minha experiência anterior com o autor, as suas histórias não são arrebatadoras, os seus personagens não são nada de especial, mas a sua criação de mundos é fabulosa. O que salva os seus livros, a meu ver, porque tenho alguma dificuldade em gostar de um livro se os personagens não forem bem descritos ou não forem nada de especial. Mas, pelos vistos, um worldbuiding impressionante acaba por me satisfazer ocasionalmente.

E esta sociedade é fascinante. A obsessão com um certo padrão de beleza, com o levar todos na sociedade a aderir ao mesmo, é assustadora e cativante de observar. A maneira como as pessoas são "formatadas" a pensar desta maneira. E depois o seu contraponto, o Fumo, o local para onde aqueles que não se quiseram sujeitar à operação fugiram. Um espaço interessante, com as suas próprias maneiras de sobreviver. Para não falar de que adorei ver o que é sugerido acerca do passado e da sociedade anterior a esta, numa crítica ao modo de vida dos dias de hoje.

Tally, como protagonista, não aparenta ser merecedora desse estatuto. Engole demasiado facilmente a propaganda dos Perfeitos, e só consegue pensar em tornar-se uma. Mas ao chegar ao Fumo a sua perspectiva muda um bocadinho, e creio que acaba por mudar de ideias. Dá para ver uma certa evolução na sua postura. Acabei por gostar mais dela no fim.

Há muitos outros aspectos que gostaria de mencionar, mas na verdade o autor não os desenvolveu o suficiente para eu ter uma ideia clara do que pensar acerca deles ou o que esperar nos próximos livros. Acho que vou ver como as coisas se desenrolam antes de me pronunciar.

O fim traz uma reviravolta engraçada, e algo irónica, por colocar a Tally numa posição inesperada, desesperada e que desafia aquilo em que acreditava. É um fim a tender para o cliffhanger, mas suportável até ler o próximo livro - e deixou-me tremendamente curiosa acerca de como a história vai evoluir.

Título original: Uglies (2005)

Páginas: 336

Editora: Vogais e Companhia

Tradução: Carla Nunes

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Picture Puzzle #56


O Picture Puzzle é um jogo de imagens, que funciona como um meme e é postado todas as semanas à quarta-feira. Aproveito para vos convidar a juntar à diversão, tanto a tentar adivinhar como a fazer um post com puzzles da vossa autoria. Deixem as vossas hipóteses nos comentários, e se quiserem experimentar mais alguns puzzles, consultem a rubrica nos seguintes blogues: Chaise Longue; A Cup of Coffee and a Book.

Como funciona?
  • Escolher um livro;
  • Arranjar imagens que representem as palavras do título (geralmente uma imagem por palavra, ignorando partículas como ‘o/a’, ‘os/as’, ‘de’, ‘por’, ‘em’, etc.);
  • Fazer um post e convidar o pessoal a tentar adivinhar de que livro se trata;
  • Podem ser fornecidas pistas se estiver a ser muito difícil de acertar no título, mas usá-las ou não fica inteiramente ao critério do autor do puzzle;
  • Notem que as imagens não têm de representar as palavras do título no sentido literal.


Puzzle #1
Pista: título histórico publicado em português.

Puzzle #2
Pista: título fantástico publicado em português.

Divirtam-se!

terça-feira, 9 de julho de 2013

TAG - 11 perguntas, 11 respostas + Super Sweet Blogging Award

Obrigada à Mafi e à Ne do Algodão Doce para o Cérebro por me passarem o TAG. ;)

Regras:
  • Escrever 11 coisas sobre si próprio;
  • Responder a 11 perguntas atribuídas por quem o indicou;
  • Indicar 11 blogs;
  • Fazer 11 novas perguntas a quem indicamos.

11 coisas sobre mim:
1) Sou péssima a arranjar listas de coisas sobre mim;
2) Li mais livros em inglês este ano que em português;
3) Aproveito todos os bocadinhos de tempo que posso roubar para ler (não é grande novidade, lol);
4) Está a dar-me uma vontade voraz de comer qualquer coisa de chocolate (a culpa é da rubrica seguinte);
5) Adoro café e todas as bebidas de café que se possam inventar;
6) Gosto de fotografia, mas não tenho jeito para a coisa;
7) Oriento-me bastante bem com html, porque a lidar com posts aqui no Blogger tem mesmo de ser, com a mania que o Blogger tem de entupir os posts com tralha html que não serve para nada;
8) Tenho boa memória, muito boa memória, mas por vezes selectiva;
9) Chamavam-me "marrona" no 5º e 6º ano, o que é hilariante em retrospectiva quando me lembro que
10) Praticamente não pegava num livro para me preparar para um teste até ao 12º ano,
11) Confiando antes nessa afamada boa memória.

As perguntas da Mafi e da Ne:
1) Qual foi o último livro que leste?
Requiem, de Lauren Oliver.

2) Qual foi o último doce que comeste?
Conta um Kit-Kat? Antes disso, talvez um gelado.

3) Qual foi a última bebida que bebeste?
Água.

4) Queres que paremos de te perguntar pelo que fizeste há minutos atrás?
Pode ser. Tive de fazer um esforço para me lembrar do gelado.

5) Gostas mais de ler nas paginas dos livros ou do e-reader?
Presentemente, tenho mais queda para os livros.

6) Preferes praia ou rio?
Eh... não é que tenha tido muitas oportunidades para fazer férias num rio. E praia, para ser honesta, enjoei, tendo em conta que sempre lhe tive acesso, não só nas férias.

7) Vais mais vezes ao e-mail ou ao facebook por dia?
Ao mail sim, claro. Facebook só vou porque toda a gente usa e é útil para falar com as pessoas, mas também ando enjoada do Facebook.

8) Apple ou Samsung?
Estamos a falar do quê, telemóveis? Acho a Apple overrated. Não tenho nada contra a Samsung, já tive um telemóvel deles... mas gosto mais da Sony.

9) Blogger ou Wordpress?
Blogger. É a plataforma que uso, e nunca tive problemas com ela.

10) Teresa Guilherme ou Júlia Pinheiro?
Na verdade, estava a pensar no outro dia que deviam juntar as duas num programa, que aquilo havia de ser uma loucura.

11) Pipocas doces ou salgadas?
Credo, detesto pipocas salgadas ou de manteiga ou sem nada. Amo pipocas doces.



Obrigada à Ner do A Cup of Coffee and a Book.

As perguntas:
Bolacha ou bolo?
Hm... isso depende. Estamos a falar de bolachas com pepitas de chocolate? Bolo de chocolate? Um bolo qualquer com uma dose industrial de natas?

Chocolate ou baunilha?
Chocolate, por favor. A baunilha é demasiado... baunilha para mim.

Qual é o teu doce favorito?
Petit gateau. Brownies. Croissant com chocolate. (Há aqui um tema... xD) Donuts com cobertura. É melhor calar-me, antes que me dê um desejo ridículo de comer qualquer coisa doce.

Se tivesses uma alcunha "doce", qual seria?
Não sei... Chocoólica?

E perdoem-me não nomear ninguém, desafio quem queira a responder a estes desafios.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Requiem, Lauren Oliver

This book was read for the 2013 Don't Let It End Reading Challenge hosted by Fiktshun.


My thoughts: This was a strange read. When the book came out, I read a few early reviews, and I guess those reviews gave me a good idea of what to expect. This had a double effect: one, I delayed reading this book, afraid I'd be disapointed, and two, I started reading with low expectations, which in the end might be what saved the book - since I knew what was coming, I didn't get as annoyed as I know I'd be otherwise. I'm still disappointed with Lauren Oliver, since I know she can do better, but I'm not as mad at her as I was at Kimberly Derting when I read Dead Silence.

The trilogy's structure is a bit... odd. I feel like Pandemonium and Requiem should switch places. Requiem sounds so much like a middle book in a trilogy, with lots of wandering around, trying to get the characters to the places where they're supposed to be for the last book, but with not much actually happening to advance the plot. Pandemonium is where the action is, where things do happen and contribute to get us closer to the end of the story. (Strange how I feel this now... When I read it, I thought Pandemonium was calm and not much happened in it. But compared to this one, it's full of action.) I don't dislike this in itself, but I feel it's a waste of time to have the characters in Lena's group wandering around, lost, arriving for the book's climax just in time to be there. It's an odd choice for Requiem, and one I'm not sure I can understand completely, because it doesn't seem to serve any purpose. And like I said, I know Lauren is a better writer than that.

Curiously, I enjoyed a lot more Hana's narration. I'm not her biggest fan, thanks to a thing she did in Delirium and confesses in Hana, the novella. But I loved to read her thoughts in this book. How she felt after the cure. What she finds out about Fred, her future and seemingly perfect husband. How guilty she feels after betraying Lena. What she does to atone the guilt. Hers was an interesting path, and much more captivating than Lena's. The author does a good job showing a character walking the fine line between being Cured, feeling numb, and being an Invalid, having this plethora of feelings that just won't go away.

The way the love triangle was developed and "solved" in this book was somewhat baffling. I guess I didn't mind which boy Lena ended up with, because Lauren makes a strong case for either in Delirium and Pandemonium. I expected Lena to be torn between two choices, two lives. But what actually happened... is an emotional void. There's no emotional, poignant scenes in which Lena feels torn, trying to figure out what she wants. Yes, there are scenes in which she swings between both boys, first wanting Alex's attention, next cuddling with Julian - but those scenes felt more like Lena was bipolar, and annoyed me immensely, because I thought Lena was stronger than that, than pining and stringing along the boys. This is not the Lena I met in Pandemonium, the strong, decisive girl who could kick ass.

Another thing that annoyed me is that there is no emotional evolution. Lena and Alex are very different people than the couple that fell in love in Delirium, so I expected a reaquaintance between them, a recognition that they are not the same, but the feelings are still there. Instead, they act at a certain point like they can pick up where they left off. That felt so wrong. And they seem to reach an understanding towards the end, but it was such a selfish scene. There's no consideration for the people they'll hurt, no spare thought for Julian (not even to let him off easy, Lena?) or Coral (who I felt Alex was stringing along).

And the comparison with King Solomon and the baby's story rubbed me off wrong. Lena is not a baby both boys were pulling selfishly to themselves. And it's not a matter of who loves who more, though Lena puts things in that perspective once. It's not about who can make a grand gesture, when one of the boys feels more like a puppet throughout the whole book, never having agency to do something. It's like there was never a doubt, and that nullifies everything that happened in Pandemonium. What was the point of that book, after all?

The end... I can see why it pissed people off. I was ready for it, so I'm not mad, but I'm still disappointed. I liked the parting words Lena and Lauren have for us... but there's NO closure. Things end literally in the middle of the action. A bold move, and one I don't think paid off. I want to know what happened to these characters - Raven, Tack, Pippa, Grace, Lena's family, Hana... everyone. I want to know what happened next in Portland, in the country, in the Cured vs. Invalid fight. I don't need a happy ending, and I don't need an ending where they defeat the existing state of things. And I can accept an open ending. But I need an ending. Just something that feels like closure. And this didn't.

My edition has the Alex short story. It's in his POV, telling us what happened between the end of Delirium and the end of Pandemonium. It was interesting, and I liked to know what happened and how Alex felt through the whole thing. But I felt it was too short. It doesn't give a good sense of his voice. I wish it was longer and more fleshed out.

Pages: 432

Publisher: Harper (HarperCollins)

sábado, 6 de julho de 2013

Espera por Mim, Gayle Forman


Opinião: Imagino que não tenha escapado a ninguém que andou a suspirar por este livro 2 (como eu) ou 3 anos a ironia de a sinopse do mesmo mencione que se passaram 3 anos desde Se Eu Ficar, o mesmo intervalo que decorreu entre a publicação do primeiro e segundo livros da série em português. Não se compreende, e é inaceitável, tal lapso de tempo entre ambos os livros. Mas pronto, a editora é a Presença, que anda a publicar os livros das Princesas de Nova Iorque, da Anna Godbersen, ou a trilogia da Gemma Malley, com 2 anos de intervalo. Pelo menos espero que não seja mais que isso... acho que não aguento se o ultimo da Anna Godbersen não for publicado este ano. Já andava a namorar edições em inglês para este livro nos últimos tempos, e às tantas terei de fazer o mesmo com o Splendor.

Como mencionei, li o primeiro livro, Se Eu Ficar (SEF), há 2 anos. Devido ao longo intervalo, creio que alguns pormenores estavam esquecidos, mas Espera por Mim (EPM) faz um bom trabalho em ajudar o leitor a relembrar o mais importante com a sua narração. E são dois livros bem diferentes. O SEF era tão triste, e tremendamente emocional, sobre perda e luto, aceitação e vontade de viver, e é um livro que pede um pacote de lenços a jeito, porque a história e a jornada da Mia provavelmente vão fazer chorar.

Este é um pouco mais subtil e cru, e de certo modo muito mais doloroso, porque não permite exteriorizar emoção da maneira como o SEF faz. Narrado por Adam, cedo se percebe que os acontecimentos do SEF tiveram um efeito grandioso e horrendo sobre ele, directa e indirectamente, através do luto pela família de Mia e pelo ruir da relação dos dois. Quebrado, e funcional apenas por um fio, arrasta-se pela sua vida como um fantasma, assombrado pelo passado.

E consegue-se sentir o seu sofrimento, que salta vividamente da página e nos deixa a questionar o que o deixou neste estado. Apertou-me o coração vê-lo assim, e ainda mais ao perceber tudo o que aconteceu. Foi muito interessante perceber que deitou cá para fora parte desse sofrimento escrevendo um álbum inteiro de músicas, e que foi esse álbum que levou a sua banda ao estrelato. E ver como essa situação ajudou a deixar o Adam ainda mais num farrapo.

É claro que no dia relatado por Adam, um dia confessional e reflectivo, acaba por se cruzar com a Mia. E ao percorrerem juntos as ruas da cidade, revêem o que correu mal, o que fizeram e deixaram de fazer. E partiu-me o coração outra vez, ao ver como se magoaram um ao outro depois duma situação trágica, em que precisavam de apoio mútuo, e ao ver o quão dessincronizados estavam, este casal adorável e aparentemente sólido.

Precisavam ambos deste encontro. Para fazer as pazes, para se curarem, para encontrar alívio. Não sei se posso defender que a separação de 3 anos lhes tenha feito bem. Não consigo defender algo que lhes tenha trazido tanto sofrimento. Suponho que posso dizer que os 3 anos fizeram deles pessoas diferentes, que cresceram, e que estão num ponto em que novas possibilidades se abrem para eles.

O final é relativamente aberto, mas sugere um final feliz. Agrada-me. Não é possível fingir que o que está para trás não aconteceu, mas há cura e há evolução, e isso promete que as coisas sejam diferentes e melhores desta vez. É tudo o que peço para ambos - dois personagens que me emocionaram e cativaram tanto ao longo dos dois livros -, que tentem ser felizes.

Título original: Where She Went (2011)

Páginas: 216

Editora: Presença

Tradução: Maria Georgina Segurado